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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Crise da Evergrande: por que a China afeta tanto a Bolsa brasileira?

Conteúdo exclusivo para assinantes

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/09/2021 04h00

No início da semana, a empresa chinesa do setor imobiliário Evergrande balançou as bolsas de todo o mundo, e também a brasileira, ao anunciar que teria dificuldades de pagar uma dívida de US$ 300 bilhões. Na segunda (20), o Ibovespa recuou 2,33% com a notícia. Mas por que a China impacta tanto o mercado brasileiro? O assunto foi abordado no programa Investimento Ao Vivo, do UOL, em parceria com a casa de análise Levante Ideias de Investimento.

O economista Rafael Bevilacqua e a especialista em investimentos Julia Reis explicaram o peso da China na Bolsa brasileira. Assista abaixo o programa completo. O Investimento Ao Vivo é transmitido quinzenalmente na página inicial do UOL, e na página de Investimentos, mas fica disponível para consulta. O vídeo é exclusivo para assinantes.

Crise desencadeou movimento de pânico

Rafael Bevilacqua diz que o setor de construção civil na China representa quase 25% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, que é a segunda maior economia do mundo e grande parceira comercial do Brasil.

"Quando essa empresa diz que não tem recursos para pagar sua dívida, isso causa um mal-estar geral no mercado. Todo esse cenário desencadeou um movimento de aversão ao risco, de pânico, com investidores vendendo ações com medo das consequências desse possível calote", afirmou.

Para Julia Reis, a falta de clareza do governo chinês, se interviria ou não na empresa, também pesou no sobe e desce das bolsas.

Qual o risco dessa crise?

Pensando em um cenário de falência da Evergrande, pode haver um efeito cascata, segundo Bevilacqua.

No sistema financeiro, o prejuízo fica com os bancos chineses que estão por trás dessa empresa. "Haverá um impacto forte, mas não será uma quebradeira do sistema bancário chinês", disse ele.

Na cadeia da construção civil, haverá um impacto nos insumos do setor, como o minério de ferro. "Hoje a China representa 50% da produção de aço do mundo, e aço é produzido com minério de ferro", afirmou Bevilacqua.

Para ele, a falência de uma companhia tão grande "pode ter uma reverberação em outros setores". "Não é apenas um problema isolado."

Investidor deve ter calma

Julia Reis diz que essa situação assusta bastante os pequenos investidores. "Ninguém quer ver o seu dinheiro ali, de certa maneira, derretendo", declarou.

Segundo ela, nesses momentos, o investidor não deve olhar o "home broker" da corretora toda hora, pois causa ansiedade e desencadeia uma reação imediatista. "É preciso ter calma."

Impactos nos ativos

O impacto da crise da Evergrande causou uma queda generalizada nas Bolsas do Brasil e do mundo todo. Segundo Bevilacqua, o minério de ferro caiu mais de 50% na última segunda (20).

Em um cenário de falência da empresa, a China reduziria a importação das commodities e afetaria ainda mais os preços do minério.

Segundo Julia Reis, mineração e siderurgia são os setores de maior peso na composição da Bolsa brasileira.

"Por isso que ela sofre tanto com essas quedas na cotação do minério de ferro. E querendo ou não, esse movimento preocupa os investidores e desencadeia uma pressão vendedora de outros ativos", afirmou. Ou seja, os investidores ficam mais propensos a vender suas ações.

Ela disse que o momento é de atenção e cautela, mas não de caos.

Movimento é exagerado e conveniente, diz analista

Para Bevilacqua, esse movimento parece "um pouco exagerado e conveniente" para a China nesse momento.

"Apesar dos impactos no mundo todo, é um pouco conveniente essa tensão, no sentido de reduzir preços de commodities, de minério, aliviar um pouco a inflação e conseguir um fôlego para aumentar os estoques. Tudo isso é conveniente", declarou ele, alegando que o governo chinês sempre salvou esse tipo de empresa.

Bolsa brasileira está barata

Para os especialistas, apesar dessa crise, existem boas oportunidades na Bolsa brasileira. "Estruturalmente, nada mudou. A nossa Bolsa está barata", disse Bevilacqua.

Julia Reis faz um alerta ao investidor: antes de investir em qualquer empresa, é preciso olhar para os seus fundamentos, para checar se houve alguma mudança estrutural que faça essa companhia deixar de valer ou, eventualmente, de existir.

"A Evergrande, por exemplo, começou a dar indícios de problema já em 2020. Já era um alerta ao investidor. Agora, pregão após pregão essa empresa está perdendo valor e ela pode, de fato, deixar de existir, e suas ações virarem pó", afirmou.

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL