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ANÁLISE

Existe risco real de estagnação econômica e inflação alta nos EUA?

Pilha de dinheiro de notas de US $100 dólares - iStock
Pilha de dinheiro de notas de US $100 dólares Imagem: iStock

26/08/2022 09h15

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Um dos fenômenos mais temidos por economistas e analistas do mercado financeiro ao redor de todo o planeta é a estagflação. Esse fenômeno é caracterizado pela convergência da alta da inflação e da estagnação econômica. Em outras palavras, ocorre quando um país lida ao mesmo tempo com preços cada vez mais altos e crescimento baixo —ou negativo. Isso poderia acontecer nos EUA?

A estagflação é um fenômeno relativamente recente, uma vez que a academia acreditava ser impossível um país conviver com inflação elevada, alto desemprego e baixo crescimento ao mesmo tempo, conforme indicava a Curva de Phillips.

Explicando de maneira simplificada, acreditava-se que as empresas não teriam condições de elevar os preços de seus produtos em um cenário de alto desemprego e baixa demanda. Entretanto, os economistas foram capazes de observar, com o passar dos anos, que não é apenas a demanda excessivamente aquecida que pode provocar a inflação.

Primeiramente, é possível que uma inflação elevada seja provocada pelo desequilíbrio das contas públicas de um país, uma vez que tal situação pode levar à emissão desenfreada de moeda nacional. Essa emissão provoca uma desvalorização da moeda, causando uma inflação galopante.

Esse é o caso da Argentina, onde a situação insustentável das contas do governo fez com que a inflação chegasse a 71% no acumulado de 12 meses encerrados em julho deste ano. Fenômeno semelhante ocorreu no Brasil durante os anos 80 e início dos anos 90, período da hiperinflação.

Além disso, é possível que a alta dos preços seja provocada por problemas na oferta, que é o que tem sido observado ao redor do mundo nos últimos meses. Com o descasamento das cadeias globais provocado pela pandemia do coronavírus, uma série de indústrias ainda não conseguiu retomar os níveis de produção do período pré-pandemia.

Com a produção não conseguindo se recuperar no mesmo ritmo da demanda, os preços dos produtos tendem a subir de forma generalizada em todo o globo, afetando ao mesmo tempo brasileiros, norte-americanos, sul-africanos e indianos.

Nos Estados Unidos, o tema da estagflação tem ganhado força, principalmente após a divulgação da retração do Produto Interno Bruto no 2° trimestre deste ano, após resultado também negativo no 1° trimestre.

Para avaliar se uma nação passa por um período de estagflação, economistas tendem a levar em consideração a inflação e o desemprego. No caso dos Estados Unidos, quando ambas as taxas estão acima de 5%, é possível dizer que o país passa por uma estagflação.

Atualmente, a inflação se encontra em 8,5% no país, muito acima da meta de 2% ao ano, mas o desemprego atinge apenas 3,5% da população. Portanto, é evidente que existe o risco de estagflação nos EUA, mas o mercado de trabalho segue aquecido, enquanto a inflação começa a dar sinais de recuo.

Ao longo dos próximos meses, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve seguir elevando as taxas de juros no país, com o intuito de controlar a inflação. Como efeito colateral, espera-se que o mercado de trabalho comece a esfriar, e o desemprego deve aumentar no curto prazo.

Contudo, um cenário com desemprego ligeiramente mais alto e inflação significativamente mais baixa parece ser a meta do banco central norte-americano no presente momento.

Dessa forma, mesmo que os EUA tecnicamente entrem em estagflação, isso não deve significar muito para os mercados. O que importa é que a inflação convirja para a meta de 2% ao ano no médio prazo, e que o mercado de trabalho norte-americano se mantenha em patamares saudáveis mesmo em meio à alta dos juros.

Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes UOL, que possuem acesso integral ao conteúdo de UOL Investimentos): informações sobre a aquisição de uma empresa financeira mexicana pelo Bradesco.

Um abraço,

Rafael Bevilacqua
Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

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