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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Alta do petróleo e do minério de ferro deve beneficiar a Bolsa brasileira?

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26/01/2022 11h00

Um dos principais destaques do início de 2022 para o investidor brasileiro são as altas das commodities —matérias-primas, como petróleo, minério de ferro, soja, milho, entre outros, usadas para a manufatura de outros produtos. O valor do barril de petróleo, por exemplo, já ultrapassa os patamares dos últimos sete anos.

Mas quais são os principais motivos para o crescimento nos preços do petróleo e do minério de ferro, consideradas as duas commodities mais importantes para a Bolsa de Valores brasileira? E como esse movimento afeta as ações da Petrobras (PETR4) e da Vale (VALE3)? Abaixo, Felipe Bevilacqua, da Levante Ideias de Investimentos, responde a essas e outras dúvidas sobre o tema.

A influência das commodities no Ibovespa

Nos últimos dias, o mercado tem acompanhado a alta dos preços do petróleo e do minério de ferro no cenário internacional, mostrando que as commodities recuperaram o fôlego que parecia ter sido perdido ao final do ano passado.

Para Bevilacqua, essa escalada dos preços tem sido benéfica para o Ibovespa, o principal índice de ações da Bolsa brasileira.

[A alta dos preços do petróleo e do minério de ferro] impulsiona os resultados de algumas das maiores empresas de capital aberto listadas no Brasil, com destaque para a estatal Petrobras e para a mineradora Vale, que respondem por cerca de 25% da composição do índice Ibovespa.

O analista explica que "não é coincidência o descolamento do Ibovespa em relação às principais Bolsas de Valores dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia nas últimas semanas". Enquanto esses mercados recuavam diante da perspectiva de antecipação da alta dos juros nos EUA para março deste ano, a Bolsa brasileira subia, acompanhando o salto das commodities.

Porém, o especialista da Levante ressalta que, para compreender como esse aumento dos preços deve influenciar as ações das empresas ligadas à exploração desses recursos, é preciso tentar responder algumas perguntas:

  • Por quanto tempo os preços das commodities devem subir?
  • Até qual patamar esses preços podem chegar?
  • Uma vez que parem de subir, os preços tendem a se manter em patamares elevados ou sofrerão fortes quedas?

"Devido às inúmeras variáveis que podem afetar as cotações das commodities no mercado internacional, não me atreverei a cravar qual o futuro desse setor", diz. Mas, ao avaliar as razões para a valorização das matérias-primas e o contexto econômico global, Felipe Bevilacqua faz projeções que podem ajudar os investidores na hora de formular estratégias para 2022 (leia mais abaixo).

Petróleo a US$ 100 o barril?

Por trás da disparada do preço do petróleo nas últimas semanas, Bevilacqua ressalta que há o receio com a possibilidade das nações que fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) não conseguirem suprir a crescente demanda pela commodity em meio à retomada da atividade econômica global.

Conforme a população adquire imunidade ao vírus da covid-19, a circulação de bens e pessoas e o consumo aumentam. Como consequência, a demanda pelos derivados do petróleo cresce muito mais rápido do que a capacidade de produção dos países exportadores de petróleo.

Além disso, alguns países membros da Opep+, como Angola e Nigéria, têm enfrentado dificuldades em aumentar o volume de produção. Enquanto isso, o Irã, que também integra o bloco, sofre com sanções econômicas impostas pelos EUA, que visam desencorajar o governo iraniano a dar prosseguimento ao seu programa nuclear. Esses fatores colocam em risco o cumprimento das metas estabelecidas pela organização.

De olho nesse cenário, os mercados globais já começam a projetar que o preço do barril de petróleo Brent, aquele que é extraído no Mar do Norte —próximo ao Reino Unido e à Noruega e cuja cotação é negociada na Bolsa de Londres—, deve chegar a US$ 100 por barril ainda em 2022.

Essa perspectiva [de aumento do barril de petróleo], que preocupa consumidores ao redor do mundo e pode desacelerar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2022, é, por outro lado, vista com bons olhos por gigantes do setor, como a brasileira Petrobras, que passa a vislumbrar um cenário propício para a quebra de novos recordes de receitas e lucros.

Por outro lado, o analista da Levanta afirma que a possibilidade de intervenção governamental na política de preços da Petrobras durante o ano eleitoral —tendo em vista a escalada dos valores dos combustíveis—, pode preocupar investidores.

Operações de blendagem de minério de ferro no porto de Dalian, na China - Muyu Xu/Reutes - Muyu Xu/Reutes
Operações de blendagem de minério de ferro no porto de Dalian, na China
Imagem: Muyu Xu/Reutes

Estímulos na China e a alta do minério de ferro

O minério de ferro também vem subindo de preço no começo de 2022, o que faz com que o mercado volte a olhar para o setor de mineração e siderurgia com bons olhos. Mas o cenário era bem diferente há alguns meses.

Após superar o patamar de US$ 210 por tonelada em maio de 2021, os preços do minério de ferro passaram a cair devido a uma série de restrições à produção de aço impostas pela China. O governo chinês teve o intuito de manter os preços do insumo sob controle e de reduzir o desgaste ambiental provocado pelo processo, que demanda um alto gasto energético.

Além disso, a crise da incorporadora chinesa Evergrande —que possui uma dívida bilionária—, acendeu o alerta para uma possível crise do setor imobiliário chinês.

"Levando em consideração que cerca de dois terços do minério de ferro do mundo são consumidos pela construção civil e pelas obras de infraestrutura —e que o mercado chinês de construção é o maior do planeta—, fica fácil entender como essa crise contribuiu para derrubar os preços da commodity [de minério de ferro]", diz Felipe Bevilacqua.

O que fez o jogo virar?

Com medo de que o crescimento econômico do país desacelere abruptamente, o governo chinês optou, em dezembro, por anunciar o aumento dos estímulos à economia.

"O medo com a desaceleração da atividade econômica se deve ao fato de o setor imobiliário ser responsável por cerca de 26% do crescimento do PIB da China, e uma crise nesse mercado poderia abalar um dos alicerces da economia do gigante asiático", afirma o analista.

Segundo ele, a postura adotada pelas autoridades da China indica que a produção de aço no país deve voltar a crescer a partir de março, o que resultaria no aumento da demanda por minério de ferro.

Dificilmente a commodity [de minério de ferro] voltará ao patamar de meados do último ano no curto prazo, quando era negociada acima de US$ 200 por tonelada. Ainda assim, a perspectiva de preços ligeiramente mais altos do que os atuais já sinaliza mais um ano positivo para empresas como a Vale, que tem os chineses como seus maiores clientes.

O que esperar para 2022

De acordo com o analista da Levante, o mercado de commodities deve permanecer aquecido neste ano. Mas ele reforça que "o cenário político conturbado e a preocupação com a situação fiscal delicada do Brasil, aliados à alta dos juros nos EUA, devem limitar os ganhos das companhias brasileiras desse setor".

Ele explica que fatores tendem a reduzir o apetite dos investidores por ativos brasileiros de forma geral —principalmente no caso das ações da Petrobras, "cuja política de preços dos combustíveis deve ocupar um papel de destaque nos debates entre os candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano", afirma.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre a alta de commodities e o que esperar das empresas brasileiras.

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- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.