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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Petróleo e minério em queda: acabou o bom momento da Vale e Petrobras?

Entenda os impactos da queda para Vale e Petrobras, que, juntas, são responsáveis por 25% do Ibovespa - imaginima/Getty Images
Entenda os impactos da queda para Vale e Petrobras, que, juntas, são responsáveis por 25% do Ibovespa Imagem: imaginima/Getty Images
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27/04/2022 11h00

Após as altas de preço ao longo de 2021 e no primeiro trimestre de 2022, o minério de ferro e o petróleo passaram a recuar nas últimas semanas, apesar de tensões trazidas pelo prolongamento da guerra na Ucrânia e pelo endurecimento das sanções impostas pelas nações ocidentais à Rússia.

O principal responsável pela queda dos preços de ambos os produtos é a China, país que é o principal produtor de aço e o maior importador de petróleo do planeta. A nação mais populosa do mundo está passando por um processo de desaceleração do crescimento econômico sem precedentes.

Portanto, para entender os motivos por trás da queda dos preços dessas commodities, é preciso compreender primeiro o que se passa na segunda maior economia do mundo.

Mas o que se passa na China que influencia o preço de commodities (matérias-primas), como petróleo e minério de ferro? A queda do preço dessas commodities é temporária ou uma tendência? Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos, responde a essas dúvidas e mostra os impactos desse movimento sobre as gigantes Vale e Petrobras —que, juntas, são responsáveis por cerca de 25% do Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira.

A crise imobiliária na China

A crise do mercado imobiliário chinês é um problema que foi escancarado pelo colapso da incorporadora Evergrande, colocando em xeque a capacidade de o país de sustentar o nível de crescimento econômico das últimas quatro décadas.

Isso porque o setor da construção civil responde por uma fatia relevante do Produto Interno Bruto (PIB) da China, e o investimento pesado em novos empreendimentos tem contribuído para turbinar o crescimento econômico do país nas últimas décadas.

"Com uma população de 1,4 bilhão de habitantes, era de se esperar que a demanda por imóveis não se esgotaria tão rápido", diz Bevilacqua.

Embora cerca de 90% da população chinesa possua casa própria, os altos preços dos imóveis situados nos grandes centros urbanos têm tornado sua aquisição inacessível para a maioria dos chineses.

O especialista afirma que "diante desse cenário, os anos de crescimento acelerado do setor parecem ter terminado". Esse fenômeno, segundo ele, impacta diretamente os preços de uma série de insumos utilizados pelas construtoras e incorporadoras do país, dentre os quais o minério de ferro.

A China é o principal consumidor de minério de ferro do mundo, principalmente por ser também o maior produtor de aço. Entretanto, boa parte do aço produzido na China é utilizado na construção civil, ou seja, o enfraquecimento do setor implica uma redução da demanda pela commodity no país.

Além disso, o governo chinês tem adotado uma série de medidas com o intuito de reduzir a produção siderúrgica no país, cortando também as emissões de carbono na atmosfera.

Segundo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão planejador estatal chinês, a produção deve seguir em trajetória de queda neste ano.

Política de covid zero

Além da crise imobiliária, a economia chinesa enfrenta a rigorosa política de "covid zero" implementada pelo governo.

Ao contrário do restante do mundo, que vive um momento de reabertura da economia e flexibilização das medidas preventivas contra o coronavírus, a China adotou uma rígida política de combate à disseminação da doença, com o intuito de erradicar o vírus no país.

"Como esperado, tal política tem resultado em lockdowns rigorosos em importantes centros urbanos, com fechamento do comércio e da indústria, além de restrições à circulação de pessoas e mercadorias em regiões onde são identificados novos casos de covid-19", afirma Bevilacqua.

O exemplo mais emblemático dessa política é o lockdown ao qual foi submetida a cidade de Xangai, a maior da China. As medidas de isolamento geraram indignação na população local, que enfrenta dificuldades para conseguir comida e remédios diante do fechamento do comércio.

Com as frequentes interrupções da circulação de pessoas e do funcionamento de fábricas, comércios e serviços na China, a demanda por combustíveis no país despencou, derrubando o preço do petróleo no mercado internacional.

O especialista declara que "a queda na demanda chinesa tem sido tão expressiva que o preço do barril de petróleo no mercado internacional tem caído nos últimos dias, mesmo diante do risco da imposição de sanções ao setor energético russo pelos países europeus".

Como ficam Vale e Petrobras nesse cenário?

Bevilacqua diz que as gigantes Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3/PETR4) são altamente sensíveis às oscilações dos preços das commodities (matérias-primas) e que somadas respondem por 25% da composição do Ibovespa, o principal índice de ações da Bolsa brasileira (B3).

No caso da Vale, a tendência de queda do preço do minério de ferro preocupa, uma vez que a China dá sinais de que deve continuar reduzindo a produção de aço em seu território.
Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

O especialista diz que a companhia deve reportar resultados mais fracos neste ano em relação a 2021, principalmente em virtude da base de comparação forte do período, durante o qual a Vale lucrou R$ 121,2 bilhões.

"A disparada do preço do minério de ferro no ano passado permitiu que a Vale obtivesse lucros exorbitantes e se destacasse como uma das melhores pagadoras de dividendos da Bolsa", afirma.

Contudo, ele declara que é preciso ter em mente que 2021 foi um ano atípico. Apesar da perspectiva de dividendos menores neste ano, para Bevilacqua a Vale segue sendo uma empresa com fundamentos sólidos, que se destaca como uma das maiores mineradoras do mundo.

Já a Petrobras vive um grande momento, apesar do recente recuo do preço do petróleo no mercado internacional. Isso acontece, de acordo com o especialista, porque o barril de petróleo do tipo Brent, utilizado como referência global, segue cotado na faixa de US$ 100, valor historicamente alto e superior ao preço médio do ano anterior, de US$ 71.

A perspectiva é que o preço se mantenha em patamares elevados a despeito da queda momentânea da demanda na China, podendo até mesmo subir em caso de imposição de novas sanções ao petróleo e ao gás natural da Rússia.

O grande risco ao qual a Petrobras está sujeita está ligado à eleição presidencial de outubro e à possibilidade de mudança na política de preços da companhia, uma vez que a atual cotação do petróleo é bastante confortável para a estatal.

O que esperar?

Os preços das commodities devem se manter voláteis no curto prazo, com a diminuição da produção de aço na China sinalizando uma tendência de queda do preço do minério de ferro, enquanto os desdobramentos da tensão entre Ocidente e Rússia devem ditar a trajetória do preço do petróleo.

Para a Vale, Bevilacqua diz esperar resultados mais tímidos neste ano, mas ainda sólidos. Ele afirma ainda que a Petrobras se encontra inserida em um contexto extremamente favorável para 2022.

Contudo, ele declara que é necessário ter cautela pensando no médio e no longo prazo, uma vez que o risco de interferência política na companhia segue no radar.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre o impacto da queda de commodities para Vale e Petrobras.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.