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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

EUA vivem inflação recorde, e Bolsas caem; é hora de investir?

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20/07/2022 11h00

A disparada da inflação nos Estados Unidos tem dado o que falar no mercado. Isso porque o fenômeno tem impacto sobre a economia global. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) está aumentando os juros da economia americana para tentar conter a alta dos preços, mas isso agrava o risco de recessão econômica.

Veja análise sobre esse mercado, feita pelo Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos, e saiba qual é a melhor hora para investir em ativos dos Estados Unidos ou que sejam negociados em dólar.

A maior inflação dos últimos 41 anos

Com a alta de 1,3% em junho de 2022, a inflação nos Estados Unidos chegou a 9,1% nos últimos 12 meses, a maior nos últimos 41 anos. O disparo dos preços ocorre em um período conturbado para a economia global, no qual as cadeias produtivas ainda não se recuperaram completamente dos efeitos da pandemia. E a guerra na Ucrânia segue aumentando os preços das commodities energéticas, como petróleo.

Contudo, a recente disparada da inflação nos EUA não pode ser creditada exclusivamente à pandemia e ao cenário geopolítico desfavorável.

Antes disso, a política monetária expansionista que vinha sendo conduzida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e que foi intensificada durante a crise da covid-19 também precisa ser levada em consideração.

O Fed vinha aumentando progressivamente seu balanço via compra de títulos públicos e hipotecários, além de manter as taxas de juros em patamares historicamente baixos, contribuindo para um excesso de dinheiro nos mercados.

Com a crise provocada pela covid-19, os juros foram baixados ao patamar próximo de 0% ao ano, e diversos estímulos financeiros foram injetados na economia norte-americana para mitigar os efeitos do distanciamento social.

Com liquidez excessiva, juro real negativo e uma injeção de trilhões de dólares na economia, criou-se o cenário ideal para a "tempestade perfeita" vivida pelos Estados Unidos atualmente: inflação em alta e risco de recessão.

Fed corre atrás dos erros

Após meses relutando e repetindo o mantra de que a "inflação é transitória", o Federal Reserve foi obrigado a admitir seu erro de cálculo inicial, e começou a agir para tentar estabilizar os preços.

Em março deste ano, a instituição deu início a um novo ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos, mas se viu compelida a agir de maneira cautelosa, como que "pisando em ovos", devido ao ambíguo duplo mandato do Fed.

Se você, investidor, consultar qualquer manual de economia, verá que o pleno emprego está inevitavelmente ligado a taxas de inflação mais altas. Isso porque há mais dinheiro em circulação. Ainda assim, o Fed passou a adotar em 1977 uma política que dita a busca simultânea da estabilidade de preços e o pleno emprego.

Obrigadas a tentar conciliar dois objetivos contraditórios, as autoridades monetárias americanas foram inicialmente relutantes em subir os juros e tirar dinheiro de circulação. Assim, as autoridades temem que um aperto monetário possa resultar na desaceleração da economia e em um possível aumento do desemprego.

Agora, a cautela começa a dar lugar à convicção de que o combate à inflação deve ser a prioridade do Fed no curto prazo, mesmo que isso signifique conduzir a economia americana na direção de uma recessão.

A alta dos juros e seu impacto

Os juros nos EUA encontram-se, atualmente, no patamar entre 1,50% e 1,75% ao ano, mas devem subir vertiginosamente ao longo dos próximos meses. Para a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc, o comitê de política monetária dos EUA) que ocorre entre os dias 26 e 27 de julho, o mercado já projeta uma nova elevação dos juros em 0,75 ou 1 ponto percentual.

A expectativa é que a economia americana comece a sentir os efeitos dessa alta dos juros ao longo dos próximos meses. Isso pode levar a economia a desacelerar, podendo inclusive levar os EUA a uma recessão - hipótese já admitida pelo presidente do Fed, Jerome Powell.

Além disso, juros altos tendem a desestimular o mercado de trabalho, e podemos esperar um ligeiro aumento na taxa de desemprego no país, uma vez que a meta de perseguir o pleno emprego deve ser abandonada no curto prazo.

Bolsas de Valores em queda

Desde o início do ano, as Bolsas de Valores dos Estados Unidos têm reagido negativamente à deterioração das perspectivas para a economia. Entre os dias 3 de janeiro e 18 de julho, o S&P 500 - principal índice de ações da Bolsa de Nova York - acumulou perdas de 20,13%, cotado a 3.830,85 pontos.

Essa queda pode ser atribuída à percepção dos investidores que os ativos de renda variável, como as ações listadas em Bolsa, estão com risco maior, ao mesmo tempo em que começaram a vislumbrar a possibilidade de a renda fixa voltar a oferecer rendimentos atrativos no longo prazo.

Ações de empresas de crescimento, ou seja, aquelas que investem pesado na expansão de suas atividades e tendem a obter resultados menos expressivos no curto prazo, foram as mais afetadas, especialmente no setor de tecnologia.

Além disso, o mau humor se expandiu para fora de Nova York, contaminando mercados ao redor do globo.

Como investir?

Diante de tantas incertezas, é difícil prever até onde irá a alta dos juros nos EUA. Mas é evidente que esse aperto deve se manter por um bom tempo, até que a inflação volte a se aproximar da meta. Isso também depende de uma melhora substancial da situação macroeconômica global.

No curto prazo, as Bolsas dos EUA devem continuar instáveis, e ainda há espaço para quedas dos principais índices de ações do país. Dessa forma, o momento não é o mais apropriado para quem pensa em realizar aportes em ativos dolarizados, ou seja, investir em empresas de fora ou em fundos que negociem essas empresas, entre outros investimentos.

Contudo, é bom se manter atento às oportunidades que podem surgir com a desvalorização dos ativos nos Estados Unidos. Passado o momento mais conturbado da crise atual e depois que as expectativas do futuro ficarem mais claras, bons ativos provavelmente estarão sendo negociados a preços atrativos e com desconto. Para investidores com visão de longo prazo, pode ser uma chance de entrar nesse mercado.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre os juros nos EUA.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.