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Toda semana especialistas avaliam as carteiras de investimento recomendadas para seu perfil: conservador, moderado ou arrojado


ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Quer viver de renda? Você precisa conhecer o poder dos dividendos

Ações e fundos imobiliários são investimentos que pagam dividendos; veja melhor estratégia para conseguir viver de renda  - Getty Images
Ações e fundos imobiliários são investimentos que pagam dividendos; veja melhor estratégia para conseguir viver de renda Imagem: Getty Images
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27/07/2022 11h00Atualizada em 27/07/2022 11h31

Um dos termos favoritos dos investidores são os dividendos. É uma forma usada pelos fundos imobiliários, empresas e outros ativos para remunerar seus acionistas, além da valorização desses investimentos.

Para se beneficiar do universo dos dividendos, no entanto, é fundamental entender como eles funcionam e sua importância para os mercados. Veja a seguir uma estratégia muito utilizada por grandes investidores para multiplicar o capital com ativos que pagam bons dividendos.

Veja análise feita pelo Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos, e saiba qual é a melhor estratégia para viver de renda.

O que são dividendos?

Quem nunca sonhou em viver de renda e conquistar a famosa independência financeira? Para alcançar esse objetivo, é necessário conhecer profundamente uma das ferramentas mais poderosas do mundo dos investimentos: os dividendos.

Os dividendos são, basicamente, a parcela do lucro líquido das empresas ou fundos imobiliários que é distribuída aos acionistas. Quando você possui ações ou cotas de um fundo, é conferido a você o direito de receber uma determinada fatia do lucro líquido das companhias ou fundos representados por esses ativos.

Os valores são creditados nas contas dos investidores de acordo com o tamanho de suas participações no capital social da empresa ou fundo em questão. Ou seja, quanto mais ações ou cotas, mais dividendos.

Cada empresa define a periodicidade com a qual paga dividendos, podendo promover uma distribuição mensal, trimestral, semestral ou anual, a depender do que está estipulado em seu estatuto.

É importante deixar claro que as empresas podem optar por remunerar seus acionistas de outras formas além de dinheiro, oferecendo, por exemplo, mais ações no lugar dos dividendos.

Também é importante destacar que nem todas as empresas pagam dividendos, uma vez que algumas optam por reinvestir seu lucro na expansão dos negócios, enquanto outras, normalmente em estágio inicial de operação, sequer geram lucro suficiente para distribuí-lo na forma de proventos.

Em que investir para receber dividendos

É importante ter em mente que nem todas as classes de ativo pagam dividendos. Aquelas que se destacam por remunerar os investidores dessa maneira são as ações e os fundos de investimento imobiliário (FIIs).

No caso das ações, como já dissemos anteriormente, nem todas pagam bons proventos - e isso nem sempre é um mau sinal. É comum que boas empresas de tecnologia, por exemplo, com foco em crescimento rápido e com investimentos em inovação, não sejam boas pagadoras de dividendos. Isso ocorre porque essas empresas reinvestem seus lucros em novos projetos e estratégias de expansão.

Por conta disso, se você quer investir para obter uma renda passiva, não basta comprar ações de boas empresas indiscriminadamente: é preciso saber quais companhias e setores pagam bons dividendos recorrentemente.

Já os fundos imobiliários, por outro lado, são ativos constituídos com a finalidade de distribuir a maior parte dos seus lucros na forma de proventos, normalmente com uma frequência mensal.

Como calcular se um investimento paga bons dividendos?

Para saber se um ativo oferece um bom rendimento na forma de proventos, é preciso analisar um indicador chamado dividend yield. Traduzindo: rendimento do dividendo.

Em outras palavras, trata-se de um indicador que mede o retorno obtido pelo investidor com os dividendos pagos pela empresa tomando como referência o preço do ativo. O DY é calculado da seguinte forma:

Dividend yield = dividendos pagos por ação/preço da ação x 100

Quanto maior o DY, maior o valor dos dividendos pagos com relação ao preço do ativo.

Ações para renda passiva

Em se tratando de ações, o pagamento recorrente de proventos é um sinal de que a empresa é saudável, forte e capaz de gerar lucro frequentemente. Ainda assim, como dissemos anteriormente, essas características sozinhas não são suficientes para determinar se uma empresa é ou não uma boa pagadora de dividendos.

Na hora de selecionar as melhores ações para montar uma carteira de renda passiva, é preciso analisar outros critérios além da qualidade e da saúde financeira das empresas.

Antes de mais nada, é fundamental pesquisar o histórico de pagamento de proventos da companhia, para verificar se ela costuma distribuir bons dividendos aos acionistas de maneira recorrente, e não apenas pontual.

É importante, ainda, estudar o setor de atuação da empresa na qual você pensa em investir, para então averiguar se é um setor estável, consolidado e que fornece um produto ou serviço indispensável para a sociedade.

Alguns dos setores da Bolsa que são conhecidos por pagarem bons proventos recorrentemente são:

  • Financeiro (especialmente os grandes bancos)
  • Energia elétrica
  • Saneamento
  • Telecomunicações

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários também são notoriamente conhecidos por pagarem bons proventos de forma recorrente aos investidores. Normalmente, a periodicidade é mensal, o que é ideal para quem investe com o intuito de obter renda passiva.

Esses fundos captam recursos no mercado com o intuito de comprar ativos imobiliários, sejam estes físicos ou financeiros, e lucram com os rendimentos obtidos com o aluguel dos imóveis ou com os juros pagos pelos títulos imobiliários comprados. Dessa forma, é possível distribuir proventos recorrentemente aos cotistas.

O pagamento de dividendos pelos fundos imobiliários se baseia na Lei 9.779/99, que determina que os FIIs devem distribuir, na forma de proventos, pelo menos 95% dos lucros auferidos pelo regime de caixa a cada semestre.

Para adquirir cotas de um fundo imobiliário, basta possuir uma conta em uma corretora, uma vez que esses ativos são negociados em Bolsa da mesma forma que as ações.

Contudo, é preciso estar ciente de seus riscos. Os FIIs, vale lembrar, também são ativos de renda variável, ou seja, o preço das cotas varia de acordo com o humor do mercado, podendo tanto subir quanto se desvalorizar. Além disso, é preciso avaliar a qualidade dos ativos que o fundo tem em carteira, uma vez que há fundos que investem em imóveis mal localizados ou em ativos de crédito imobiliário de alto risco.

Estratégia para conseguir viver de renda

Para construir um patrimônio com renda variável, é preciso disciplina, estudo de mercado e, principalmente, constância nos investimentos. Não há atalho para a riqueza, mas existem estratégias que, quando seguidas à risca, fornecem ao investidor os meios para que ele alcance seus objetivos.

Uma dessas estratégias é o investimento em ativos que pagam bons dividendos. O primeiro passo para seguir essa estratégia é montar uma carteira de ativos que pagam bons dividendos, mesclando ações, fundos imobiliários, dentre outros, com foco no longo prazo. É importante que os ativos que integram essa carteira sejam sólidos e confiáveis. Portanto, é preciso fazer um estudo profundo antes de decidir quais entram ou não nessa carteira. Você pode começar selecionando por volta de 10 ativos.

Uma vez definidos os ativos e o peso de cada um na carteira, é preciso realizar um aporte inicial, não importa de qual valor. Feito isso, é preciso definir um valor mensal para investir, que vai depender dos seus rendimentos e da sua capacidade de poupança. Esse valor pode ser de R$ 100, R$ 500, R$ 1 mil, o importante é separar uma parcela do seu orçamento que não vá fazer muita falta.

A cada mês, você deve realizar novos aportes neste valor, sempre respeitando o peso definido para cada um dos ativos em carteira e prezando pela diversificação. É muito importante não se precipitar e alocar todos os seus recursos em um ativo que pode estar pagando dividendos melhores em um período específico: você deve se manter fiel à sua estratégia inicial.

Com o passar do tempo, sua carteira irá crescer, e os dividendos que você recebe se multiplicarão também. Para turbinar esse crescimento da carteira, você pode adotar a técnica de reinvestimento dos dividendos.

Suponhamos que você investe inicialmente R$ 10 mil para montar uma carteira que oferece um dividend yield médio de cerca de 12% ao ano, ou 1% ao mês. Passado um ano da aplicação inicial, você teria recebido R$ 1,2 mil em dividendos, valor que poderia ser reinvestido em novos ativos, aumentando o tamanho da sua carteira para R$ 11,2 mil - sem contar a possível valorização dos ativos que a integram.

Dessa forma, com o DY da carteira se mantendo em 12% ao ano, você receberia R$ 1,3 mil no ano seguinte, podendo aumentar o valor da sua carteira para R$ 12,5 mil, e assim por diante.

Não existe caminho fácil

Como já foi dito, não existe atalho para a riqueza no mundo dos investimentos. Ser um investidor exige dedicação, comprometimento, estudo e, se possível, ajuda de profissionais da área.

Se você já investe ou quer começar a investir pensando no longo prazo, uma estratégia de investimento com foco em dividendos pode ser ideal para ajudá-lo a alcançar seus objetivos.

Veja aqui o relatório completo sobre o poder dos dividendos.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

Queremos falar com você

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Tem alguma dúvida sobre algum investimento? Pode enviar para o Rafael: duvidasparceiro@uol.com.br.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.