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Bolsa lidera ganhos em março; fundos imobiliários têm primeira queda no ano

Principal índice da Bolsa tem primeira alta mensal no ano, mas variação em 2021 ainda é negativa - Cris Fraga/Estadão Conteúdo
Principal índice da Bolsa tem primeira alta mensal no ano, mas variação em 2021 ainda é negativa Imagem: Cris Fraga/Estadão Conteúdo
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

31/03/2021 18h13

Resumo da notícia

  • Após perdas em janeiro e fevereiro, Ibovespa se recupera no fim de um trimestre marcado pela volatilidade
  • Dólar tem terceiro mês seguido de alta ante real, com a busca por proteção contra incertezas no Brasil
  • Índice de fundos imobiliários tem primeira queda mensal no ano afetado por juros e avanço da pandemia

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou o primeiro mês em 2021 com variação positiva —o melhor desempenho dentro de uma lista selecionada de alguns dos principais indicadores do mercado local de investimentos. O dólar também manteve a tendência de valorização contra o real, agora pelo terceiro mês consecutivo. No lado negativo das aplicações, os fundos imobiliários, representados pelo índice Ifix, das cotas negociadas em Bolsa, teve a primeira baixa no ano.

Com os resultados de março, o dólar apresentou o melhor desempenho no primeiro trimestre do ano, com valorização ante o real de 8,5% desde janeiro. A Bolsa ainda está no vermelho, mas considerando 12 meses, o Ibovespa apresenta a maior variação positiva dessa lista comparativa, acumulando já ganhos de 59,7% desde o fim de março de 2020, após o tombo em março de 2020.

Veja abaixo as variações apresentadas por alguns dos principais indicadores do mercado financeiro do país e comentários de profissionais de mercado sobre o que determinou esses números e os cenários para abril.

Pandemia ainda é preocupação

Os investidores seguem preocupados com a crise da saúde, com o agravamento dos casos de covid-19, com as novas medidas de restrição às atividades econômicas em algumas das principais cidades do país e com o andamento ainda lento da vacinação por aqui, segundo disseram profissionais de mercado.

Mas como a Bolsa vinha de dois meses seguidos de perdas, alguns papéis mais negociados ficaram com preços atrativos para investidores interessados em fazer apostas novas.

Mesmo com essa alta, a nossa Bolsa subiu bem menos que outros mercados no primeiro trimestre. Além disso, a própria alta do dólar deixa ações brasileiras mais baratas. Isso ajudou o Ibovespa em março apesar da volatilidade provocada pelas dúvidas sobre a economia e sobre a política no país.
Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais

Impacto das trocas de comando

Profissionais de mercado apontaram que as mudanças no governo, com a troca de comando nas pastas militares, está no radar, mas por enquanto o tema ainda não preocupa.

A deterioração do governo com a ala militar não está sendo ignorada pelo mercado, mas, por enquanto, está prevalecendo a narrativa de que o resultado disso tudo deve ser uma aproximação de Bolsonaro com os partidos do centro no Congresso e que isso pode dar alguma governabilidade para a tramitação das pautas relevantes para o governo.
Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos

Dólar em alta mostra que incertezas permanecem no radar

A primeira alta da taxa básica de juros desde 2015 e a valorização das commodities no mundo deveriam ter estimulado uma valorização do real ante o dólar, dizem analistas. Mas como permanece no radar incertezas sobre a economia e a política no Brasil, a moeda brasileira permanece frágil.

No lado negativo, a política segue provocando volatilidade [oscilação] no câmbio. O investidor continua procurando proteção no próprio dólar.
Sérgio Zanini, gestor da Galapagos Capital

O que está afetando os fundos imobiliários

Para conter a alta do dólar e da inflação, o Banco Central começou em março a elevar juros, o que afetou o setor imobiliário porque isso encarece o crédito e os investimentos no setor. Por tabela, o desempenho de fundos imobiliários também é afetado, atingidos ainda pelo fechamento do comércio - algo que já aconteceu em março e deve continuar em abril.

Com queda de 1,35% em março, o índice dos fundos imobiliários negociados na Bolsa passou a acumular no ano uma baixa de 0,8%.

O que pode influenciar o mercado em abril

Ao longo de março vimos notícias negativas, que já trouxeram volatilidade, e que devem continuar no radar de investidores nesse mês que começa agora.
Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos

Veja abaixo o que pode influenciar o mercado em abril.

  • Endividamento do governo: essa preocupação ganhou força ao final do mês, com a aprovação de um orçamento considerado pouco realista pelos analistas e a divulgação de dados que reforçam o crescimento acelerado da dívida pública.
  • Vacinação: a vacinação é essencial para a retomada da economia, e, consequentemente, para o crescimento das empresas da Bolsa.
  • Inflação: No Brasil, a inflação atingiu 5,2% em fevereiro, acumulado em 12 meses, com sinais de que a pressão continue no curto prazo com a elevação dos preços internacionais de commodities, dólar em alta e problemas de abastecimento em alguns setores industriais causados pela pandemia.

Abril vai ser muito parecido com o trimestre, com forte volatilidade provocada pela maior aversão ao risco por parte dos investidores, preocupados com o agravamento da pandemia, com o ritmo da imunização, com a política, com a definição do orçamento do governo. Vamos ver um mercado bastante errático ao longo do mês.
Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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