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Taxa básica de juros sobe; quanto rendem R$ 1.000 por ano na poupança?

Rendimento bruto da poupança subiu de 1,93% para 2,45% ao ano, ainda abaixo da inflação projetada para este ano - Getty Images/iStockphoto
Rendimento bruto da poupança subiu de 1,93% para 2,45% ao ano, ainda abaixo da inflação projetada para este ano Imagem: Getty Images/iStockphoto
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

05/05/2021 18h41

Resumo da notícia

  • Banco Central eleva juros de 2,75% para 3,5%, segunda alta do ano
  • Poupança, Tesouro Selic e Fundos DI vão render mais, mas inflação continua matando os ganhos reais dessas aplicações
  • Veja como fica o rendimento de R$ 1.000 na poupança e em outras opções de renda fixa

O Banco Central elevou pela segunda vez no ano a taxa básica de juros da economia, a Selic, dessa vez de 2,75% para 3,5% ao ano. Com isso, aplicações de renda fixa, que de alguma forma seguem esse indicador, vão ter um desempenho nominal maior. Isso vale por exemplo para poupança, fundos de investimento DI e Tesouro Selic, título do Tesouro Direto.

Apesar disso, o retorno real, aquele ganho do investidor que desconta a variação da inflação, vai continuar negativo. Isso porque o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador que mede a inflação oficial do país, ainda está com variação anual maior que a da Selic.

Veja a seguir quanto rendem agora R$ 1.000 por ano na poupança, no Tesouro Selic e em fundos DI.

Compare os rendimentos de alguns investimentos

Ganho líquido

Com a nova Selic, de 3,5% ao ano, o rendimento líquido para R$ 1.000 aplicados por um ano, já descontado o Imposto de Renda ficaria assim:

  • Poupança: R$ 25,90
  • Tesouro Selic: R$ 28,88
  • Fundos DI (taxa de administração de 0,5%): R$ 24,75

Perda real

Mas considerando uma inflação de 5,04% para 12 meses, os três investimentos ainda perderiam numa aplicação de um ano, porque a inflação segue maior do que os ganhos deles nesse período. Com R$ 1.000 aplicados, estas seriam as perdas:

  • Poupança: R$ 26,75
  • Tesouro Selic: R$ 21,52
  • Fundos DI: R$ 25,65

Considerando o ganho líquido menos a perda, é possível verificar que apenas o Tesouro Selic ainda dá um retorno positivo ao investidor, acima da inflação.

Inflação sobe mais que juros

No encontro anterior do Comitê de Política Monetária (Copom), realizado nos dias 16 e 17 de março, a inflação projetada pelo mercado, de acordo com o Boletim Focus, pesquisa semanal feita pelo Banco Central com profissionais de mercado, era de 4,6% para o fim de 2021. Agora o mesmo mercado projeta uma inflação maior, de 5,04% este ano.

Isso está acontecendo por causa da alta do dólar, que segue provocando reajustes de vários produtos, como combustíveis e alimentos.

Ou seja, mesmo com a alta da Selic, os investimentos de renda fixa mais conservadores ainda levam os investidores a perderem dinheiro porque a inflação está maior que os juros.

Profissionais de mercado destacam que a alta da Selic vai continuar ao longo dos próximos meses. Nas projeções dos economistas, a taxa básica de juros vai encerrar este ano em 5,50% ao ano, e vai continuar subindo em 2022, para 6,25%, até atingir 6,5%, em 2023.

Muito provavelmente teremos mais um aumento significativo dos juros na próxima reunião do Copom. Somado a isso, os juros futuros projetados para 2022 já se encontram próximos a 7% ao ano. Esses movimentos tendem a trazer mais apelo para os ativos de renda fixa.
Rodrigo Mendonça, Analista de Renda Fixa da Valora Investimentos

Juros reais do Brasil são o 3º maior do mundo

Com a alta da taxa básica de juros para 3,5% ao ano, o Brasil passa a ocupar a terceira colocação no ranking mundial de juros reais, segundo levantamento feito pela gestora de recursos Infinity Asset Management, que calculou a taxa de juros descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Veja abaixo o ranking dos juros reais nas principais economias do mundo.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.