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Vale a pena investir em renda fixa no exterior? Veja como aplicar nos EUA

Como e por que investir em renda fixa nos Estados Unidos, na opinião de profissionais de mercado - Reprodução
Como e por que investir em renda fixa nos Estados Unidos, na opinião de profissionais de mercado Imagem: Reprodução
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

11/05/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Renda fixa é o grupo de investimentos preferido do brasileiro
  • Investidores começam a ver títulos de governos e de empresas no exterior também como opção
  • Confira dicas de especialistas para quem tem interesse nesse mercado, e se vale a pena investir

Os papéis de renda fixa são os investimentos preferidos do brasileiro. Mais de 60% dos R$ 2,2 trilhões de patrimônio dos clientes de fundos de varejo estão aplicados em papéis emitidos em território nacional e em reais, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Isso acontece porque as condições desse negócio sempre foram muito vantajosas por aqui, dizem profissionais de mercado. Até 2016, os ganhos nesses produtos foram quase sempre superiores à inflação com folga e o risco de perdas era muito baixo, principalmente em títulos do governo. Além disso, investir no exterior era complicado, uma alternativa disponível a um pequeno grupo de investidores endinheirados e com acesso a instituições financeiras globais.

Mas a queda da taxa básica de juros e o surgimento de novas plataformas de investimentos e serviços financeiros online criaram um ambiente mais favorável para o investidor brasileiro comum colocar no radar opções de renda fixa também fora do Brasil. Será que vale a pena se aventurar em papéis estrangeiros de renda fixa? Veja o que dizem especialistas ouvidos pelo UOL.

Por que incluir renda fixa internacional no radar?

O racional para investir em renda fixa fora do Brasil é o mesmo de qualquer outra alocação, em qualquer segmento: diversificação. Uma alocação em renda fixa fora do Brasil pode servir de proteção para as posições locais ou até para obtenção de ganhos adicionais.
Marc Forster, head da Western Asset

Confira abaixo os motivos para investir em renda fixa estrangeira, segundo profissionais de mercado:

  • Diversificação geográfica: ao aplicar em renda fixa de outro país, a pessoa não fica exposta apenas à situação econômica do Brasil;
  • Grau de investimento: acessar ativos de economias mais desenvolvidas e com melhor qualidade de risco é uma forma de melhorar a qualidade da carteira e reduzir o risco;
  • Variedade de opções: no exterior, há mais opções de investimentos em renda fixa do que no Brasil;
  • Liquidez: a renda fixa estrangeira é um mercados muito maior que o brasileiro, porque é operado por investidores de todo o mundo. Isso dá mais oportunidades de compra e de venda.

Quanto investir em renda fixa no exterior?

Profissionais de mercado destacam sempre que o percentual da carteira de um investidor que pode ser colocado em títulos do exterior depende do perfil de risco de cada pessoa.

Mas em linhas gerais, o investidor pode começar testando o mercado aos poucos, e evitar colocar nessa cesta aquele dinheiro considerado para reserva de emergência.

O percentual da carteira depende do perfil de cada investidor, mas para um iniciante, acredito que de 5% a 10% da carteira de renda fixa pode ir para produtos fora do Brasil porque essa fatia já ajuda na diversificação de um pedaço da carteira. E conforme ele vai sofisticando a carteira, vai elevando essa fatia.
Stefan Castro, gestor de renda variável da AF Invest

Algumas opções de renda fixa no exterior

Títulos do governo norte-americano: do mesmo jeito que se investe em títulos do Tesouro através do Tesouro Direto é possível investir em títulos do governo dos Estados Unidos por meio de uma plataforma semelhante, a Treasury Direct.

O rendimento do papel mais conhecido por aqui, o de 10 anos, está na casa de 1,6% ao ano. Títulos de 30 anos oferecem taxas de 2,3%. Já títulos com menos de 10 anos não chegam a pagar 1% ao ano. Veja alguns desses títulos.

  • Bills: títulos prefixados de até um ano, sem pagamentos semestrais;
  • Notes: títulos de dois a 10 anos com pagamentos semestrais;
  • Bonds: títulos de 10 a 30 anos com pagamentos semestrais;
  • Tips: títulos de cinco a 30 anos com rendimento que acompanham a inflação em dólar nos EUA.

Títulos privados: no mercado norte-americano, o investidor pode aplicar em títulos emitidos por bancos e empresas, semelhantes ao que há no Brasil no caso dos CDBs ou debêntures, por exemplo.

Bonds: títulos de renda fixa emitidos por empresas de capital aberto norte-americanas. Empresas consideradas de baixo risco e com nota de crédito mais elevada, as chamadas AAAs, pagam taxas anuais na casa de até 3% ao ano. Empresas com maior risco e menor rating oferecem retorno maior, de 5% a 6% ao ano.

Certificate of Deposit, ou CDs: produtos emitidos por bancos ou instituições financeiras similares aos CDBs dos bancos brasileiros. Oferecem taxas um pouco acima dos títulos do governo de mesmo prazo.

Como investir

Para investir diretamente nesses papéis, o investidor precisa ter uma conta em uma corretora sediada nos Estados Unidos. Isso torna o processo mais complicado para quem está acostumado às facilidades de investir no Tesouro Direto, por exemplo. Tem a burocracia de abrir a conta no exterior, fazer a remessa do dinheiro e, depois de tudo, ainda pagar impostos - lá e aqui.

Por isso, esse caminho não é recomendado para aplicadores que não conhecem o mercado norte-americano, dizem consultores financeiros.
Para quem quer experimentar ou começar a investir parte da carteira em renda fixa nos Estados Unidos, há alternativas mais simples. Veja algumas.

Corretora norte-americana com serviços nos Brasil: já existem no mercado corretoras norte-americanas que atuam no mercado brasileiro oferecendo serviços em português e atendimento de profissionais brasileiros. Essas instituições usam plataformas que permitem a abertura de contas, envio de dinheiro e operações de compra e venda em tempo real, sem burocracias.

Para quem busca investimentos em renda fixa internacional, a principal lógica não deveria ser de quanto vou ganhar, mas de quanto vou proteger do meu patrimônio. Ao ter ativos de renda fixa de um país, você está exposto aos riscos e às dificuldades dessa economia. Quando o investidor aplica em renda fixa de outro país, ele tem que considerar essa realidade, e a realidade americana é de juros baixos. Mas 3% em dólar é diferente de 3% em reais.
Willian Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

Fundos de investimentos: plataformas online e bancos oferecem aos investidores brasileiros fundos de investimento de gestores de recursos que investem em títulos de renda fixa norte-americanos e de outros países.

Alguns desses fundos aplicam até 100% da carteira em títulos de outros países. Mas esses produtos só podem ser oferecidos ao chamado investidor qualificado, que tem mais de R$ 1 milhão para aplicar, por causa das regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Já fundos de varejo que aplicam até o limite de 20% de seu patrimônio em ativos internacionais podem ser oferecidos a todo e qualquer investidor. E muitas casas do mercado oferecem esse produto aos clientes. Esses fundos compram títulos de governo, os chamados títulos soberanos, títulos de empresas, cotas de fundos de investimento negociados lá fora ou ETFs, cotas de fundos negociados em Bolsas fora do Brasil.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.