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4 ações baratas que não valem o investimento agora, segundo analistas

Exclusivo para assinantes UOL

Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/05/2021 04h00

Nem toda ação barata vale o investimento. Segundo analistas, existem ações cujo preço parece representar uma oportunidade para o investidor, mas a realidade é que seria melhor não investir nesses papéis agora.

A pedido do UOL, a consultoria Economatica listou as empresas mais baratas do Índice Brasil 100 (IBrX100). A partir dessa lista, analistas ouvidos pelo UOL comentam sobre quatro papéis que, apesar de baratos, não são boas opções neste momento. Entenda por que, para esses especialistas, é melhor esperar, e quais são essas ações.

Ações estão baratas, mas é melhor esperar

Para concluir que essas ações estão em conta, a consultoria Economatica considerou o preço da ação sobre o valor do patrimônio líquido da empresa —ou seja, quanto custa o papel em relação ao valor da empresa. Esse indicador mostra o quanto o investidor está disposto a pagar pelo patrimônio da companhia, e serve para dar mais base para ele começar a escolher a ação na qual investir.

Abaixo, a lista completa das ações consideradas baratas a partir da análise da consultoria.

A partir dessa lista, os analistas ouvidos pelo UOL mostraram quais são as ações que são oportunidades para os investidores --esse texto você pode ler aqui. Eles também apontaram as quatro empresas que não são boas oportunidades neste momento. Veja abaixo quais são elas.

Cielo: oportunidade ou dor de cabeça?

O valor barato das ações da Cielo (CIEL3) poderia sugerir uma oportunidade de investimento. Mas não é isso que os analistas apontam. A empresa vem apresentado um desempenho fraco operacionalmente desde o aparecimento de novos players no mercado.

Em termos de tecnologia, a empresa ficou para trás em relação aos seus pares e tem apresentado resultados difíceis, dificuldade para crescer e margens cada vez menores.
Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos

Bruce Barbosa, sócio-fundador da Nord Research, também destaca a situação difícil da Cielo, e avalia que o baixo preço de seus papéis está relacionado ao futuro pouco animador da empresa no mercado.

Os grandes de adquirência estão sofrendo bastante com o ataque das novas empresas. Faz bastante sentido que a Cielo negocie abaixo do seu valor patrimonial porque o lucro vem caindo entre 30% a 40% ano a ano há algum tempo.
Bruce Barbosa

Grupo Cogna: migração para ensino online prejudicou resultados

Entre os grandes nomes, Barbosa destaca a situação pouco animadora do Grupo Cogna (COGN3), de educação, por conta da alta inadimplência dos estudantes do ensino superior.

Além disso, a empresa sofre também por conta da migração para o ensino online.

[O ensino online] tem margem menor e impacta os resultados do primeiro e do segundo trimestres. Precisa ver no segundo semestre se haverá o retorno das atividades.
Bruce Barbosa

Azul e Gol: aéreas devem demorar a se recuperar

Barbosa também chama a atenção para o desempenho ruim das aéreas Azul (AZUL3) e Gol (GOLL4), que já tinham valor patrimonial negativo antes da pandemia. Dany Chvaicer, sócio da Ébano Investimentos, destaca ainda o golpe que o mercado de aéreas sofreu de um adversário pouco provável: as plataformas de reunião online.

A gente jamais imaginaria que o Zoom abalaria o mercado de empresas aéreas. O principal mercado (das aéreas) não é turístico, mas corporativo. E, hoje, talvez, as pessoas precisem fazer um centésimo das viagens a trabalho que já fizeram.
Dany Chavaicer

Ele afirma que as aéreas estão negociando ações muito baratas em relação ao histórico e que esse valor pode estar artificializado pela pandemia, mas que a expectativa de retorno é pouco provável.

Não quero dizer que são um mico e nunca mais vão voltar a patamares anteriores, mas faz menos sentido investir agora numa empresa do setor do que em outras que estão sofrendo por conta, por exemplo, de regulações e questões sazonais.
Dany Chvaicer

Essas ações não são "mico", adverte analista

Barbosa alerta, porém, que não é prudente tratar de mico as ações dessas empresas "só porque elas estão caindo". Ações-mico são aquelas ações baratas de empresas que estão à beira da falência, e que já não produzem pouco ou mais nada.

Na lista de empresas com menor preço sobre valor patrimonial da ação, todas possuem problemas, diz o analista, mas elas não destoam de maneira expressiva do valor das concorrentes, o que indica que o investidor não está carregando um mico em sua carteira.

Há sim grandes micos na Bolsa, e que estão fazendo bastante sucesso nesse momento de efervescência do mercado acionário. Elas dizem respeito basicamente a empresas que têm um grande passivo, muitas vezes maior que os ativos, algumas delas já não produzem ou vendem nada, mas continuam operando na Bolsa.

É o caso da Nordon, metalúrgica de Santo André, no ABC Paulista, que já não tem funcionários nem operação, mas que, ainda assim, teve ações valorizadas em mais de 500% no último ano.

Diferentemente de empresas como o Grupo Cogna, a Cielo, Azul e Gol, a Nordon não apresenta qualquer sinal de que pode dar uma volta por cima. Empresas como essa apenas aguardam a liquidação de seus últimos ativos, como fábricas e galpões e, enquanto isso não acontece, o investidor sem experiência e assessoramento pode sobrar com um enorme mico para cuidar.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.