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Por que bitcoin e outras criptomoedas perderam US$ 1 trilhão em uma semana?

Exclusivo para assinantes UOL

Nivaldo Souza

Colaboração para o UOL, de São Paulo

20/05/2021 14h55

O bitcoin e outras criptomoedas enfrentam dias de fortes solavancos no mercado financeiro. As moedas digitais perderam quase US$ 1 trilhão em pouco mais de uma semana, sendo 23% de queda somente na última quarta-feira (19). Nesta quinta-feira (20), porém, elas iniciam uma recuperação e já apresentam alta de 14%.

Somente o bitcoin, principal criptomoeda do mundo, apresentou queda de 30% nos últimos três meses. Nas últimas 24 horas, até 14h30 desta quinta-feira, a moeda já acumula queda de 22,6%, segundo o Coin Market.

Existem mais de 5.000 moedas desse tipo em comercialização no mundo e é comum elas sofrerem oscilações agressivas, conforme movimentos de agentes de mercado. Mas algo diferente vem ocorrendo nos últimos dias. Entenda abaixo o que está fazendo o bitcoin e outras criptomoedas desabarem, segundo analistas ouvidos pelo UOL.

Restrições na China

O principal motivo para a queda generalizada das criptomoedas na última quarta (19) veio da China. O país vê as criptomoedas com desconfiança há alguns anos e já proíbe empresas do setor de aturem no país. Contudo, ontem, o Banco Popular, o banco central do país, proibiu seu sistema bancário (instituições financeiras e de pagamentos) de realizarem operações com criptomoedas.

O governo chinês disse que o criptoativo "não é uma moeda real" e, portanto, "não deve e não pode ser usado como moeda no mercado". O alerta provocou queda generalizada dos ativos.

A proibição só reforça que o país tem outros planos nessa área. Pequim deve lançar a versão digital do yuan, a moeda oficial do país, ainda neste ano, aproveitando as Olimpíadas de Inverno do ano seguinte para fazer propaganda do seu criptoativo junto aos turistas internacionais. Mas o que parecia uma boa notícia virou um balde de água fria.

Bruno Milanello, executivo do Mercado Bitcoin, afirma que o yuan digital parecia uma sinalização "criptofriendly" da China. "O mercado tinha entendido que a China iria flexibilizar", diz ele, "permitindo mais coisas [em operações de pagamentos] com criptomoedas e não reduzir".

Sinalização do aumento de juros nos EUA afeta moedas digitais

Milanello acrescenta outros dois elementos para justificar a oscilação recente de preço das moedas digitais.

Primeiro, o investimento em criptomoeda por pessoas que receberam o auxílio concedido pelo governo dos Estados Unidos durante a pandemia. Para muitos norte-americanos o auxílio significou um dinheiro extra, que agora está no fim.

Outro sinal negativo é a possibilidade da autoridade monetária americana, o Federal Reserve (Fed), elevar a taxa básica de juros para frear a inflação. Com isso, investidores direcionam recursos para papéis da dívida norte-americana. "O aumento de juros nos Estados Unidos não estava na agenda meses atrás", observa Milanello.

Oscilações fazem parte do mercado

As criptomoedas surgiram em 2011. Elas logo atraíram investidores jovens devido à facilidade de transação totalmente virtual e o fato de serem moedas finitas, baseadas em códigos elaborados por computador. Isso significa que quando o algoritmo acabar elas não podem mais ser 'produzidas', tornando-se objetos de poucos.

Michel Viriato, especialista financeiro e professor do Insper, avalia que esse é um dos fatores das subidas e quedas bruscas na cotação desses ativos no mercado.

Uma criptomoeda como o bitcoin se movimenta ao sabor do vento. É como um navio com a vela levantada, que vai para o lado que o vento sopra. Em 2018, por exemplo, caiu 80%. Agora em abril, bateu em quase US$ 65 mil. Eu não me assustaria se cair a US$ 12 mil daqui alguns meses ou mesmo semanas.
Michel Viriato

Na manhã desta quinta-feira (20), a movimentação agressiva estava otimista. Neste momento, o bitcoin opera em alta de 3%, superando os US$ 39,5 mil. A nova lufada de otimismo do mercado mostra que o pequeno investidor precisa de cautela.

Não existe uma criptomoeda brasileira, embora o investidor possa comprar qualquer moeda digital existente. Mas há no país 26 fundos em comercialização e que funcionam como cestas de moedas digitais - os chamados ETFs (Exchange Traded Fund).

ETF de moeda digital sentiu a queda generalizada

O primeiro ETF brasileiro de criptomoedas é o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice. Ele estreou dia 26 de abril na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. Naquele dia, atingiu a cotação de R$ 53,10 por unidade, movimentando R$ 1 bilhão na primeira semana de pregão.

Nesta quinta-feira (20), o Hashdex está cotado em R$ 41,19. O ETF nacional recuperou parte da queda de ontem, quando atingiu R$ 38,13. O criptoativo, contudo, está cerca de 22,5% mais barato menos de um mês após seu lançamento na B3.

Joelson Sampaio, coordenador do curso de Economia da FGV, alerta que o pequeno investidor precisa de paciência e buscar entender bem esse segmento de renda variável antes de decidir aplicar.

As moedas digitais são um ativo de muito risco. É importante evitar realizar a perda (vender criptomoedas) no momento de baixa. Elas podem se recuperar. Além de não colocar mais de 20% do seu patrimônio nesse tipo de ativo.
Joelson Sampaio

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.