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Vale a pena investir no Tesouro Direto agora?

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Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

01/07/2021 04h00

Após uma queda que passou dos 9% nos primeiros meses do ano e uma saída que soma R$ 1,5 bilhão desde dezembro de 2020, o Tesouro Direto passou a ser olhado com certa desconfiança pelos investidores, por conta dos rendimentos menores que os verificados anos anteriores.

Agora, com o novo ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 4,25% ao ano, será que os títulos públicos voltaram a ser atrativos para o investidor? Confira abaixo a análise de especialistas antes de investir.

Entenda cada título

Existem três tipos de títulos públicos que têm remunerações diferentes:

- Títulos pós-fixados: é o caso do Tesouro Selic, que tem rendimento atrelado à Selic.

- Títulos híbridos: é o caso do Tesouro IPCA e Tesouro IPCA com juros semestrais. Nesses casos, esses títulos são atrelados à inflação oficial do país, o IPCA, e tem ainda parte da rentabilidade prefixada.

"Por exemplo no título 'IPCA + 2,58% ao ano', o dinheiro irá render 2,58% ao ano mais a variação da inflação no período", afirma Simone Risso, sócia do Ekto Grupo.

- Títulos prefixados: é o caso do Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com juros semestrais. Neste caso, o rendimento é pago com uma taxa de juros pré-acordada e conhecida no ato do investimento.

Inflação e juros afetam títulos do Tesouro

Exceto os prefixados, em que a taxa já é conhecida no momento da aplicação, os demais títulos acabam sofrendo mais com a variação dos juros e da inflação —os dois índices estão correlacionados.

Quando a inflação inicia uma trajetória de alta, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros como ferramenta para controlar esse aumento. Quando há um aumento da Selic, como está acontecendo agora, a economia desacelera, porque o dinheiro fica mais "caro", e isso ajuda a conter a inflação.

Quando a Selic cai, a economia aquece, porque o dinheiro fica mais "barato" e circula ainda mais. Uma das consequências disso é o aumento da inflação.

"Quando a Selic sobe, mais altos serão os juros cobrados pelos bancos ao emprestar seu dinheiro, e também mais altas serão as remunerações para os investidores que utilizam a taxa como reajuste", afirma a escritora e planejadora financeira Rosielle Pegado.

Até pouco tempo atrás, com a Selic em alta, chegando na casa dos 14% ao ano, qualquer investimento de renda fixa era atrativo, principalmente os títulos públicos. Com o recuo da taxa, porém, o investidor precisou encontrar alternativas para conseguir aumentar os ganhos.

Investir ou não investir?

Apesar de a taxa de juros estar em patamares historicamente ainda baixos, as especialistas acreditam que os títulos públicos ainda são boas opções para investidores mais conservadores e que não querem correr riscos.

"Pensando a longo prazo, é possível ainda garantir bons rendimentos com o Tesouro Direto. Outra vantagem é a questão da liquidez. Além disso, o Imposto de Renda incide sobre os rendimentos, com base na tabela regressiva", afirma Simone.

Mas isso pode mudar, uma vez que o projeto da reforma tributária propõe que a alíquota de IR seja fixa em 15% —o que torna os títulos do Tesouro Direto ainda mais vantajosos no curto prazo, segundo especialistas.

Já o economista Roberto Dumas Dantas, professor do Insper, acredita que este não é o melhor momento apenas para comprar títulos do Tesouro Selic.

"A Selic está muito abaixo da inflação. O IPCA [inflação oficial do país], por exemplo, tem taxa anual de 8,06%, e a Selic 4,25%. Então, compensa mais investir em um tesouro com reajuste pelo IPCA", afirma.

A renda fixa "não morreu"

Rosielle acredita que o cenário econômico com juros e inflação em alta sirva de "empurrão" para tornar os investidores mais agressivos. Apesar disso, ela não acredita que a renda fixa "morreu".

"O que morreu foi a taxa alta que entregava uma alta remuneração sem muito esforço, fazendo com que hoje o investidor pesquise bem para investir seu dinheiro", afirma.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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