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Magalu libera R$ 100 mi de juros ao investidor; quem pagou mais em 1 ano?

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/07/2021 04h00

Os juros sobre capital próprio (JCP) são uma forma de as empresas distribuírem parte de seus lucros aos acionistas, além dos dividendos. Nas últimas semanas, companhias como Vivo (VIVT4), Bradesco (BBDC4 e BBDC3) e Magazine Luiza (MGLU3) anunciaram que pagarão o benefício aos seus investidores. Somente o Magalu liberou R$ 100 milhões.

A empresa define o quanto vai pagar de juros, mas além do volume distribuído, o investidor também deve observar o quanto ele consegue de remuneração com esse benefício. Para isso, é importante saber o quanto os juros de capital próprio representam sobre o valor de uma ação. Veja abaixo quais empresas entregaram os melhores retornos nos últimos 12 meses, segundo a plataforma de informações financeiras Economatica, e entenda como a reforma tributária pode afetar esse benefício do investidor.

Investidor paga imposto sobre juros recebidos

Atualmente as empresas podem distribuir lucros por meio de dividendos ou JCP. A diferença entre os benefícios pagos ao acionista está na tributação. Enquanto os dividendos são isentos e pagos integralmente aos investidores, os juros sobre capital próprio são tributados em 15%. Ou seja, se a empresa pagar R$ 1 por ação em JCP, o investidor receberá R$ 0,85.

As empresas, por outro lado, são beneficiadas. Elas podem descontar do IR até 34% do valor distribuído em juros aos acionistas. Na semana passada, o Magazine Luiza anunciou que vai pagar R$ 100 milhões em JCP aos acionistas. Isso significa que uma fatia de R$ 34 milhões do lucro da empresa ficará isenta de IR.

As empresas podem reinvestir o valor que economizam e gerar mais lucro para os sócios no futuro.

Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, explica que, para o investidor que está na fase de acumulação, uma carteira focada em dividendos e juros traz possibilidade de recomprar cada vez mais ações, utilizando os proventos. Já para o investidor que tem o patrimônio mais estruturado, o pagamento de JCP viabiliza uma renda mais recorrente.

Ainda assim, ela afirma que os investidores precisam ficar atentos na hora de decidir comprar uma ação pensando em receber os juros sobre capital próprio.

"O fundamental é estudar bem pelo menos o período de um ano do pagamento de lucros de cada empresa. Isso porque algumas são mais sujeitas às sazonalidades. Uma análise superficial pode conduzir o investidor ao erro", afirma.

Quais empresas distribuem os juros mais rentáveis?

Segundo dados da Economatica, as Indústrias Romi (ROMI3) encabeçam a lista, pagando 17,48% do valor da ação em juros. A empresa distribui JCP de três a quatro vezes por ano, na média. Este ano, até agora, anunciou duas vezes o pagamento do benefício, num total de R$ 19,8 milhões.

Em segundo lugar está a Companhia de Ferro Ligas da Bahia - Ferbasa (FESA4), do setor de siderurgia. No período de um ano, a empresa entregou 6,24% do valor da ação em juros sobre capital próprio, somando R$ 76,5 milhões em JCP em 2020. Em maio deste ano, anunciou o pagamento de mais R$ 17,4 milhões.

A terceira posição é do Banco do Brasil (BBAS3), que paga 6,11% do valor de uma ação em JCP. Só este ano, a empresa anunciou a distribuição de mais de R$ 3 bilhões em juros aos acionistas.

Empresas do setor elétrico pagam dividendos e juros

O levantamento da Economatica mostra que além de boas pagadoras de dividendos, as empresas do setor elétrico tem os melhores rendimentos sobre juros de capital próprio. A Copel aparece duas vezes nessa lista. As ações preferenciais da companhia (CPLE6) pagam 5,97% do valor da ação em JCP e ficaram em quarto lugar. Já as ações ordinárias (CPLE3), em quinto, pagam 5,49%.

A Cemig (CMIG4) ficou em 11º lugar, pagando juros equivalentes a 3,58% do valor da ação. Em 16º, aparece a Isa Ceetep - Transmissão Paulista (TRPL4), entregando 3,26% do papel em JCP. Além dos juros, as empresas desse setor também são conhecidas por distribuir um grande volume de dividendos entre os acionistas.

Bancos também estão na lista

As ações do Banrisul (BRSR6) e do ABC Brasil (ABCB4) ocupam a sexta e sétima posições, respectivamente, dos melhores rendimentos sobre os juros. O banco gaúcho paga 5,12% do valor da ação em JCP. O ABC Brasil entrega 5,01%. A remuneração acaba sendo maior que a das ações do Bradesco (BBDC4 e BBDC3).

Os papéis preferenciais do banco (BBDC4) pagaram 3,23% do valor da ação em juros e os ordinários (BBDC3), 3,19%. No mês passado, a empresa anunciou o pagamento de R$ 5 bilhões em JCP. Mas como a empresa tem um número bem maior de ações em circulação do que os bancos menores, o valor dos juros pago por papel acaba sendo menor.

"Os bancos menores possuem, inclusive, investidores internacionais. Mas para tomar uma decisão sobre em qual investir, é preciso fazer uma avaliação sobre risco e retorno com base em diversos indicadores, não só a distribuição de lucros", afirma Ricardo Rocha, professor de Finanças do Insper.

Reforma tributária quer extinguir JCP

Caso seja aprovada no Congresso, a distribuição de JCP poderá ser extinta a partir do ano que vem, e isso afeta afeta os retornos para os acionistas.

A XP Investimentos calculou o impacto que a extinção do JCP pode ter sobre os resultados do Banco do Brasil, por exemplo, tomando como base números dos últimos dois anos. Sem o benefício fiscal do provento, a empresa teria tido 12% de redução nos lucros em 2019 e 7% sobre o resultado de 2020.

Será que ainda vai valer a pena investir nas empresas pagadoras do provento? Segundo os especialistas, os investidores precisam olhar para vários aspectos das empresas antes de investir, e não somente para o pagamento de juros ou dividendos.

"A remuneração por distribuição de lucros é muito importante, mas não deve ser o único critério de avaliação dos investidores. É muito importante que os fundamentos econômicos e financeiros das empresas sejam sólidos", diz Simone Pasianotto.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.