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3 setores da Bolsa que podem render bem e 2 que são dúvida no semestre

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/07/2021 04h00

Os próximos seis meses prometem ser bastante movimentados para o mercado de ações no Brasil. Depois de superar o histórico patamar dos 130 mil pontos no mês passado, a Bolsa tem pela frente o desafio de manter os ganhos que acumulou ao longo do ano (de 5,38%, até 8 de julho) e quem sabe fechar 2021 com uma nova máxima.

O avanço da vacinação e a promessa de uma retomada definitiva da economia pavimentam um cenário positivo para quem investe em ações. Mas as pressões inflacionárias, a alta dos juros e o risco de novas variantes da covid-19 podem ser obstáculos nessa trajetória de ganhos. Os analistas ouvidos pelo UOL Economia+ têm opiniões divididas sobre o desempenho da Bolsa no segundo semestre. Veja abaixo o que eles disseram, e quais setores devem se movimentar mais nos próximos meses.

A Bolsa chega aos 160 mil pontos?

No dia 7 de junho, quando fechou com a maior pontuação da história (130.776 pontos), a Bolsa registrou 9,8% de crescimento no ano.

"Alguns investidores começaram a colocar parte dos lucros no bolso, mas devem voltar em breve, pois a renda fixa continua perdendo para a inflação", afirma Flávio Conde, analista da Levante Ideias de Investimento.

Para ele, é possível que a Bolsa chegue aos 160 mil pontos até o final do ano. Com o avanço da vacinação, Conde prevê uma retomada mais consistente da economia no segundo semestre, puxada, principalmente, pelo consumo de bens e serviços.

"Se as empresas estavam indo bem com a economia semiaberta, imagine totalmente aberta", afirma o analista da Levante.

Renan Vieira, sócio da gestora Taruá Capital, também acredita que o consumo, que ficou represado ao longo da pandemia, vai contribuir positivamente para o desempenho da Bolsa.

"A gente acredita que, na média, a Bolsa pode andar uns 15% para frente em relação ao patamar em que está hoje", diz Vieira.

Para o gestor, mesmo que os juros terminem o ano acima de 7%, não será o bastante para inibir o consumo ou impedir que as empresas tomem crédito para investir.

Alison Correia, CEO da casa de análises Top Gain, é mais cauteloso em suas previsões. Ele acredita que a Bolsa deve oscilar em torno do patamar em que está atualmente. "Eu acredito que a Bolsa feche o ano próximo dos 125 mil pontos", diz o analista.

Segundo Correia, dois indicadores da economia devem limitar os ganhos da Bolsa. Por um lado, os juros, que estão ficando mais altos e podem fazer com que os investidores migrem para a renda fixa, visando rentabilidade com menos risco.

Mas a inflação é o que mais preocupa, pois a previsão é de combustíveis e energia elétrica ainda mais caros no segundo semestre. "Vai pegar no bolso do brasileiro e as empresas devem sentir também", diz o CEO da Top Gain.

1. Retomada do consumo deve beneficiar empresas de vestuário e calçados

As empresas do setor de vestuário e calçados estão entre as mais promissoras do segundo semestre, na avaliação dos analistas. Além de atender a uma demanda reprimida, elas atualmente têm menos concorrência, pois diversas lojas menores não suportaram a pandemia e fecharam as portas.

"O cliente que comprava na loja do bairro perdeu essa opção e vai ter que ir à loja grande. O grande comércio que está na Bolsa vai ser favorecido com isso", afirma Flávio Conde, da Levante.

Nessa lista, segundo Conde, estão Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo. Conde também cita as ações da Natura (NTCO3) e explica que a empresa deve se beneficiar com a retomada de vendas de maquiagem e cosméticos.

Para Renan Vieira, da Taruá Capital, os próximos resultados financeiros das empresas desse setor devem ser melhores que o esperado. Desde abril, com uma maior flexibilização do comércio, as vendas do comércio têm crescido.

"Depois de mais de um ano sem consumir, o nível de poupança do brasileiro está muito alto. O consumidor agora está perdendo o medo de ir às compras e isso deve impulsionar as ações das empresas", afirma Vieira.

2. Shopping centers também ganham

As administradoras de shopping centers listadas na Bolsa também devem se beneficiar com essa movimentação. Além de ganhar com o aluguel das lojas, essas empresas também ficam com um percentual das vendas do comércio.

"Acredito que os shoppings vão conseguir realugar boa parte das lojas que saíram ao longo da pandemia", afirma Flávio Conde, da Levante.

Empresas como Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTA3), BR Properties (BRPR3) e BR Malls (BRML3) estão nesse perfil.

Correia, da Top Gain, lembra que o humor pode azedar caso surjam novas variantes da covid-19.

"O que pode minar tudo é uma variante pesada com o potencial das primeiras cepas e que faça com o que o mundo se feche outra vez em 'lockdown'. O setor continua sensível", diz Correia.

3. Empresas de educação estão no radar dos investidores

Os analistas também apontam o setor de educação como um dos mais fortalecidos da Bolsa nesta segunda metade do ano, com a previsão de retorno das aulas presenciais no ensino superior. Em São Paulo, por exemplo, as universidades devem voltar a receber alunos a partir de agosto e a expectativa é de crescimento no número de matrículas.

"É um setor que tende a crescer e deve estar no radar dos investidores. Uma boa parte dos estudantes não se adaptou ao ensino à distância e tiveram muitos cancelamentos de matrículas por causa disso", afirma Alison Correia.

"Muitos desses jovens também deixaram de estudar porque perderam seus empregos ou porque tiveram a renda reduzida ao longo da pandemia", diz Flávio Conde, da Levante.

Cogna (COGN3), Ser Educacional (SEER3) e Yduqs (YDUQ3) estão entre as empresas que devem se beneficiar com a retomada das aulas presenciais no segundo semestre.

4. Construtoras podem ser afetadas com alta dos juros

Os juros em trajetória de alta encarecem a compra de imóveis e isso deve atingir em cheio ações ligadas ao setor de construção até o final do ano. Para Correia, empresas como Even (EVEN3), Cyrela (CYRE3), Gafisa (GFSA3) e outras do setor devem vender menos do que o esperado no segundo semestre e também em 2022.

"O grande boom que vimos em 2020 no setor imobiliário foi porque tínhamos os juros mais baixos da história. Quando a taxa sai de 2% para acima de 6%, o financiamento imobiliário perde bastante atratividade", diz Correia. Hoje, a taxa básica de juros está em 4,25% ao ano, com expectativa para chegar a 6% ao ano, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.

Flávio Conde ressalta que os custos do setor também estão mais altos. "Aumentou o preço do material de construção, do cimento e do aço. Então as empresas também vão lucrar menos com suas vendas", diz o analista da Levante.

5. Risco de racionamento lança dúvidas sobre setor de energia

A situação das empresas de energia elétrica também é delicada. A escassez de chuvas em um momento de retomada da economia trouxe um risco de racionamento que encarece a conta final do consumidor, mas também aumenta os custos de algumas geradoras, principalmente as que são mais dependentes de recursos hídricos.

Em períodos de seca prolongada, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aciona as usinas termelétricas para poupar os reservatórios. "As geradoras de energia hídrica precisam comprar das termelétricas para honrar seus contratos e ficam impactadas financeiramente", afirma Conde.

É o caso de empresas como AES Brasil (AESB3) e Cesp (CESP6). As distribuidoras, mesmo repassando o custo para o consumidor final, também ficam pressionadas por terem que comprar energia mais cara das geradoras.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.