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Dólar abaixo de R$ 5? Analistas explicam para onde vai a moeda

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/07/2021 04h00

Até onde vai o dólar? É o que os investidores têm se perguntado e o que os analistas tentam responder. Como o câmbio é flutuante, o comportamento da moeda norte-americana é um dos mais difíceis de prever. O problema é que o dólar pode estar chegando a níveis preocupantes, segundo analistas.

Há mais de um ano, a moeda tem sido cotada acima de R$ 5. No final de junho, o dólar ficou abaixo desse patamar, mas foi apenas por uma semana. Por enquanto, as instituições do mercado financeiro, ouvidas pelo Banco Central, acreditam que o dólar vai terminar o ano em R$ 5,05. Mas existem motivos para acreditar que ela pode terminar o ano valendo mais. Analistas explicam o que pode fazer a moeda subir ou descer. Veja abaixo.

Cotação sensível a ruídos

A economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, explica que o dólar tem muito mais motivos para subir do que recuar.

"Qualquer ruído na política nacional e piora da pandemia tendem a puxar a moeda para cima. Além disso, tem a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos", afirma a economista.

A preocupação é até onde essa alta pode chegar. "Eu acho que o dólar acima de R$ 5,40 e R$ 5,50 começa a atrapalhar a nossa inflação", diz Andrea Damico, economista-chefe da Armor.

Dólar deveria estar mais baixo

O economista-chefe da Neo, Luciano Sobral, explica que o dólar hoje deveria estar mais próximo dos R$ 4 e não acima de R$ 5. Este ano, o Brasil tem batido recordes de exportação e se beneficiado com a alta de preços das matérias-primas, como soja e minério de ferro.

Em tese, as vendas para o exterior deveriam aumentar a oferta de dólares no Brasil, o que valorizaria o real. Mas, na prática, não é isso o que está acontecendo.

"O que tem predominado são os riscos fiscais e políticos. Se o Brasil está mais perto de abandonar o teto de gastos, o dólar sobe. Se tem estresse do governo com o Congresso, o dólar sobe", afirma Sobral.

Andrea Damico, da Armor, diz que, além disso, nem sempre as exportadoras trazem o dinheiro das vendas para o exterior de volta para o Brasil.

"É natural também que os exportadores deixem esses recursos fora do país, para pagar importações, abater dívidas e fazer investimentos. Mas se eles começarem a trazer recursos para o Brasil nos próximos meses, pode ajudar a apreciar o real", afirma Andrea.

O problema é que essa entrada pode coincidir justamente com o momento em que um grande volume de dólares deixa o país.

"Tem um fluxo muito grande de saída, principalmente em novembro e dezembro, com remessas de dividendos e principalmente pagamento de juros", diz a economista da Armor.

De R$ 4,80 a R$ 5,30

Em relação às previsões para a cotação do dólar até o final do ano, os analistas têm opiniões diferentes. Luciano Sobral, da Neo, acredita que a moeda norte-americano deve terminar 2021 próxima de R$ 4,80.

O economista acredita que a trajetória de alta dos juros vai melhorar o retorno de alguns investimentos e trazer capital estrangeiro para o Brasil.

"Aqui os juros estão subindo, enquanto nos outros países, a taxa está parada. Esse diferencial deve trabalhar a favor do real", diz Sobral.

Já Andrea Damico acredita que o dólar vai fechar 2021 em torno de R$ 5,30. Segundo a economista-chefe da Armor, à medida que a variante delta da covid-19 deixa de ser uma preocupação nos próximos meses, as atenções se voltam para os Estados Unidos, onde medidas de estímulo à economia devem ser reduzidas.

"A gente engata um cenário externo um pouco pior, então ainda que o dólar chegue a valer menos que R$ 5, nesse patamar não fica", afirma Andrea.

Fernanda Consorte, do Ourinvest, tem a mesma opinião e acredita que incertezas sobre as eleições presidenciais de 2022 já devem ter impacto na moeda norte-americana ainda este ano.

"Quando a gente olha toda essa conjuntura, não há nada que sustente o dólar abaixo de R$ 5", declara Fernanda.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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