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Fundos de investimento a partir de R$ 1: veja os riscos e se vale investir

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/07/2021 04h00

Colocar dinheiro em diversos tipos de investimento com a ajuda de um profissional para administrar os recursos pagando apenas R$ 1. Hoje, com muito pouco, dá para aplicar num fundo de investimento e acessar um mercado que antes ficava restrito a bolsos maiores. Mas será que vale a pena?

Grandes bancos, fintechs e até empresas de pagamentos já oferecem essa opção aos seus clientes. A dinâmica do fundo do investimento é igual a de um condomínio, em que os moradores são os cotistas. Ao comprar uma cota do fundo, ou uma fração dela, cada investidor aplica recursos que vão ser investidos por um gestor profissional, o "síndico" do condomínio. O rendimento é distribuído de acordo com o valor aplicado.

Analistas ouvidos pelo UOL dizem que pode valer a pena aplicar em um fundo de investimento mesmo com pouco dinheiro, mas é importante observar alguns aspectos. Veja abaixo.

Atenção para o tipo de fundo que você vai investir

Com R$ 1, é possível investir nos três tipos de fundos mais conhecidos do mercado: o de renda fixa (que aplica em títulos do Tesouro e CDBs, por exemplo), o de ações e os multimercados, que investem tanto em renda fixa quanto em ações.

"É uma oportunidade para aquele investidor que não tem conhecimento ou tempo para escolher as próprias ações ou títulos de renda fixa", afirma Bruna Amalcaburio, analista da Top Gain.

Antes de mais nada, é importante ler a descrição do fundo, entender onde os recursos vão ser investidos e observar o valor das taxas cobradas. Fundos de ações e multimercados costumam oferecer retornos maiores, porém têm mais riscos que os fundos de renda fixa.

Fintechs já têm essa opção

O PagBank tem um fundo a partir de R$ 1, em parceria com a Itaú Asset, o PagBank Itaú All Seasons FIC FIM. O investimento pode ser feito pelo app da fintech. O fundo é multimercado e aplica em títulos públicos, ações, commodities, câmbio e ativos atrelados a juros tanto do Brasil como do exterior, sendo uma opção para quem quer dolarizar a carteira.

O Nubank lançou três fundos de investimentos do tipo multimercado que podem ser acessados a partir de R$ 1 pelos clientes do banco digital. A diferença entre eles está na alocação de recursos: o mais arriscado tem 70% dinheiro aplicado em renda fixa, 20% em ações e 10% em ouro e dólar. O mais conservador, aplica 95% dos recursos em renda fixa.

No BTG Pactual Digital, o investidor pode entrar em um fundo que investe 20% do patrimônio em criptomoedas e o restante em renda fixa. A cada R$ 1 investido, R$ 0,20 vão ter o rendimento atrelado a ativos de maior risco, e R$ 0,80 têm a rentabilidade atrelada a aplicações mais conservadoras.

"O investidor deve aproveitar a oportunidade de utilizar fundos que aceitam pequenos aportes iniciais para acessar investimentos com diversos perfis de risco e montar sua carteira de investimentos" afirma Fernando Savioli, planejador financeiro.

Bancos grandes também oferecem fundos acessíveis

O Itaú tem mais de 90 fundos de investimento que o investidor pode acessar pagando a partir de R$ 1. Dentre as opções, estão fundos que aplicam em ações de empresas estrangeiras, ativos chineses e setores específicos.

Dois fundos concentrados em ações da Vale (VALE3), por exemplo, dobraram os recursos investidos no período de um ano. Porém, por aplicar em apenas um tipo de investimento, o risco deles é maior.

Mesmo podendo ser acessados com pouco dinheiro, alguns desses fundos são recomendados apenas para investidores que têm a partir de R$ 1 milhão negociados no mercado financeiro.

O Bradesco tem pelo menos oito fundos que o investidor pode entrar com R$ 1, a maioria de renda fixa, com perfil mais conservador.

No Banco do Brasil, é possível desembolsar um valor inicial ainda menor. Mais de sessenta fundos oferecidos pelo banco podem ser acessados com investimento a partir de R$ 0,01.

Além de ações, renda fixa e multimercado, o banco também permite que o pequeno investidor acesse fundos mais sofisticados, como os cambiais, que aplicam em investimentos lastreados em moeda estrangeira.

Fundos dos grandes bancos também são distribuídos por bancos menores e até empresas de pagamentos, como é o caso do fundo do PagBank.

Cuidado com o valor da taxa de administração

A taxa de administração é o percentual do rendimento do fundo que fica com o gestor da carteira. "Essas taxas devem ser proporcionais ao esforço intelectual do gestor", afirma Bernardo Pascowitch, CEO do buscador de investimentos Yubb.

Segundo ele, as taxas de administração para fundos de renda fixa devem ser menores que 1%, pois acima disso já compromete o retorno do investimento. No caso dos fundos de ações, a taxa mais comum é de 2%.

Além disso, é comum os fundos com perfil mais agressivo cobrarem taxas de performance que giram em torno de 20% do rendimento.

"Ela pode ser vinculada a alguma taxa do mercado financeiro, que pode ser o CDI, a inflação e até o Ibovespa (índice de ações)'', diz Bruna Amalcaburio, da Top Gain. Boa parte dos fundos que podem ser acessados a partir de R$ 1 não cobra essa taxa.

O risco de perda é do investidor

Fernando Savioli lembra que, ao contrário de aplicações mais conservadoras, como CDBs e outros títulos emitidos pelos bancos, os fundos de investimento não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O fundo é um tipo de investimento da renda variável, como o mercado de ações, mesmo que alguns deles apliquem recursos em renda fixa. "O risco de perda fica totalmente por conta do investidor", afirma Savioli.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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