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Natura leva tombo e gera dúvida: ainda vale investir na ação da empresa?

Natura: vendas devem aumentar; vale a pena investir? - Divulgação
Natura: vendas devem aumentar; vale a pena investir? Imagem: Divulgação
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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/07/2021 09h35

As ações da Natura (NTCO3) despencaram 6,38% nos negócios de ontem (28), deixando muitos investidores perplexos. Foi a maior queda diária da empresa na Bolsa em 2021 e aconteceu a menos de duas semanas da divulgação de seus resultados trimestrais, que vão ser revelados no dia 12 de agosto. O papel perdeu atratividade ou ainda vale investir?

A fabricante de cosméticos teve um prejuízo líquido de R$ 663,7 milhões no acumulado de 2020 e de R$ 156,6 milhões entre janeiro e março deste ano. Os resultados mostram, por outro lado, que as receitas da Natura têm melhorado.

A expectativa agora é que as vendas da empresa tenham crescido ainda mais no segundo trimestre deste ano. Mas por que, ainda assim, o preço da ação caiu tanto em um único dia? Veja o que dizem analistas ouvidos pelo UOL.

Vendas devem aumentar e os custos também

Relatório do Bradesco BBI assinado pelo analista Richard Catchcart projeta um aumento de 29% nas receitas líquidas da Natura para o segundo trimestre. As despesas administrativas e com vendas gerais, porém, devem aumentar nesse período, o que deve deixar a empresa com margens mais apertadas.

Apesar de um trimestre com resultados mistos, o analista aposta em crescimento forte para a Natura no Brasil e na América Latina para os próximos anos. O Bradesco BBI projeta que a ação da empresa termine o ano valendo R$ 73, preço 32% maior que o valor do fechamento de ontem, quando os papéis terminaram o dia valendo R$ 55.

Ação antecipou resultados

Para Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, o mercado se antecipou em relação aos resultados do segundo trimestre. "As ações da Natura tiveram forte valorização nos últimos meses, com investidores antecipando o cenário de recuperação das vendas e por isso verificamos um 'upside' (potencial de alta) mais reduzido", diz o analista.

Chinchila acredita que o movimento de baixa da empresa nos negócios de ontem refletem um movimento de troca de posição: os investidores podem ter vendido o papel para comprar ações com maior potencial de valorização.

Dúvidas sobre o aumento de custos da empresa no segundo trimestre também podem ter influenciado na decisão. "Existem questionamentos sobre a queda nas margens, por dúvidas sobre aumento nos custos de matéria-prima, pressão nas vendas e eventuais ajustes de preço", afirma Chinchila.

Empresa ainda é um bom negócio

Virgilio Lage, assessor de investimentos da Valor Investimentos, também acredita que a queda de mais de 6% pode ter sido pontual. "O mercado sentiu que as ações estavam caras e aproveitaram para vender e embolsar lucros", diz ele.

Mas isso não quer dizer que investir na empresa deixou de ser um bom negócio. Segundo Lage, a ação continua interessante para investidores que compram o papel pensando no longo prazo.

"A empresa não deixou de ser saudável, só está com o caixa mais apertado. Para o investidor que quer operar no curto prazo é bom ter cautela, pois o cenário agora é de volatilidade (oscilação de preço)", diz o assessor de investimentos.

"Para o longo prazo a gente continua vendo como um bom negócio, com capacidade de expansão de atuação internacional. Ao mesmo tempo a gente vê a empresa preparada para uma retomada local", afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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