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Você pode perder dinheiro no Tesouro Direto: veja como e se proteja

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/08/2021 04h00

Comprar títulos do Tesouro Nacional é o mesmo que fazer um empréstimo com juros ao governo federal. Até hoje não há registro de alguém que tenha levado calote nesse tipo de aplicação. Os títulos do Tesouro Direto são considerados tão seguros quanto a poupança, mas, assim como qualquer outro tipo de investimento também têm riscos. Será que você precisa se preocupar com eles?

"Tesouro Direto é um tipo de investimento simples. É entender se você está de acordo com taxas, prazos e a finalidade de investir. Se o investidor iniciante definiu o que quer e o título está 'ok' para ele, eu diria para ele ficar tranquilo", disse Gabriela Mosmann, analista da Suno Research, durante o encontro Guia do Investidor UOL, série de eventos gratuitos e quinzenais do UOL, para quem quer aprender a cuidar do próprio dinheiro. Veja abaixo quais são os riscos do Tesouro Direto e as dicas para ter mais segurança nesse tipo de aplicação.

Valor do título muda de acordo com tendências da economia

Indicadores como os juros e a inflação impactam diretamente a rentabilidade dessa aplicação. As expectativas para a economia (e a política, inevitavelmente) também interferem no valor dos títulos, que pode oscilar ao longo do tempo.

"A oscilação da perspectiva da taxa de juros no país tem correlação direta com o preço dos ativos. Se você tem perspectivas positivas para a economia, os juros devem cair, e os preços dos títulos sobem [pois o desconto é menor]. E vice-versa", afirmou, durante o encontro, Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear e sócio da XP Inc.

Por isso, se o investidor decide vender o título antes do vencimento, ele precisa fazer as contas para não perder dinheiro vendendo o papel por um valor menor. Esse é um dos "riscos" do Tesouro: se você se precipitar e vender o título, pode perder dinheiro.

Imposto pode ser maior no resgate antecipado

"Não é interessante ficar resgatando e aplicando. Se você retirar com menos tempo, você também paga um pouco mais de Imposto de Renda", disse Gabriela Mosmann.

O IR do Tesouro Direto segue as regras de tributação para investimentos em renda fixa. Caso a aplicação seja resgatada em menos de seis meses, um imposto de 22,5% incidirá sobre o rendimento. Se o resgate acontecer depois de 720 dias, a tributação cai para 15%.

Ou seja, se você resgata antes, você paga mais imposto —esse é mais um "risco" do Tesouro Direto.

Segundo Indech, mesmo com a cobrança de imposto, o Tesouro Direto é mais interessante que a poupança (isenta de IR).

"A poupança tem o 'mêsversário', ou seja, para você ter de fato rentabilidade precisa ter os recursos parados por um bom tempo. Se colocar dinheiro hoje e resgatar daqui a 10 dias, não necessariamente vai ter um retorno, porque o 'mêsversário' precisa ser completado", disse o estrategista.

Os títulos do Tesouro atrelados aos juros da economia, conhecidos como Tesouro Selic, são os mais indicados como alternativa à poupança. Eles costumam ter prazos menores e são menos expostos às oscilações de preço do que outras aplicações do Tesouro Direto, então podem ser resgatados antes do vencimento sem riscos de perda.

Esperar vencimento da aplicação é o mais indicado

Para títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA), prefixados (com parte do rendimento estabelecido na compra do título) ou que pagam juros a cada seis meses, o mais seguro é mantê-los até a data do vencimento para fugir das oscilações.

"É recomendado você levar o título até o vencimento, principalmente se você não entende tanto como funciona a marcação a mercado (formação de preço de título) ou oscilações de preço", afirma a analista da Suno.

Para investidores que conhecem mais o mercado e sabem identificar oportunidades, porém, pode valer a pena antecipar a saída do título.

"As pessoas têm que entrar com a cabeça de levar até o vencimento. Mas se surgir outras oportunidades mais interessantes, você pode sair da sua posição para entrar em outros investimentos", afirma o estrategista da Clear.

Tesouro Direto continua atraindo investidores

Somente no mês de junho, mais de 500 mil pessoas se cadastraram no Tesouro Direto. Hoje, a plataforma tem mais de 1,5 milhão de investidores ativos e conta com mais de R$ 66 bilhões investidos. Mais da metade dos títulos comprados vence em um prazo de até cinco anos.

"A nossa população ainda é muito conservadora. Então mesmo com os juros baixos, sempre tem procura e com a Selic subindo isso tende a aumentar", disse Gabriela Mosmann.

Para os especialistas, os riscos do Tesouro Direto são irrelevantes comparados ao aprendizado que a plataforma traz, sobretudo ao investidor iniciante.

"É importante essa passagem, até para as pessoas conhecerem um pouco mais sobre as características básicas dos produtos de investimento", afirmou Roberto Indech.

"Você está confortável com a taxa do título? Com o prazo? Então permaneça nele. As coisas vão mudar porque o cenário econômico do Brasil muda muito. Mas você precisa estar confortável com a decisão que tomou", disse Gabriela.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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