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Foi demitido? Veja onde investir o dinheiro da rescisão até achar trabalho

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/08/2021 04h00

Os princípios básicos da educação financeira dizem que o primeiro passo para investir é economizar uma parte do que você ganha todo mês. Contar com um salário fixo entrando mensalmente na conta ajuda nesse planejamento. Mas e quem fica sem trabalho? Será que uma pessoa que se desligou ou foi desligada do emprego ainda pode pensar em investimentos?

Especialistas em finanças pessoais dizem que é possível sim. Tudo vai depender, é claro, da realidade de cada um. Tem gente que já tinha o orçamento mais apertado mesmo quando estava trabalhando, outros têm mais folga para colocar o dinheiro da rescisão em uma aplicação financeira até encontrar outro trabalho. Veja abaixo o que fazer com esse dinheiro, segundo especialistas.

Pediu demissão ou foi demitido?

O cálculo da rescisão vai depender do salário que o trabalhador recebia, do tempo que ele estava na empresa, se tinha férias ou proporcional de décimo terceiro salário a receber e, principalmente, o motivo de encerramento do contrato de trabalho.

A pessoa que é desligada pela empresa, sem justa causa, tem direito a sacar o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e ainda recebe um proporcional do valor do fundo, referente a uma multa paga pela empresa por encerrar o contrato. Já quem pede demissão, não tem direito a esses recursos.

"Dependendo da forma que veio essa demissão e rescisão, ela pode e deve ser utilizada como um investimento de médio ou longo prazo, mas se o indivíduo não possui uma reserva de emergência, é imprescindível reverter essa situação", afirma Paula Sauer, planejadora financeira.

A reserva deve cobrir até um ano de despesas

O trabalhador recém-saído do emprego pode ter uma reserva de emergência formada ou começar a fazer uma com o dinheiro que recebeu da rescisão. De uma forma ou de outra, é importante ter de seis meses a um ano de despesas mensais cobertas pela reserva.

"Esse prazo não está escrito na pedra e vai depender de como a pessoa se organizou financeiramente até aqui, de sua empregabilidade, suas responsabilidades financeiras e o seu grau de exigência em relação ao próximo emprego", diz Paula.

De acordo com a planejadora, o ideal é que o dinheiro da reserva seja colocado em alguma aplicação que permita o resgate imediato dos recursos sem punições e que não corra risco de variação de preços. Não precisa deixar na poupança. Fundos atrelados ao CDI, Tesouro Selic, e CDBs pós-fixados com liquidez diária são alguns exemplos.

"Depois que a pessoa fizer essa reserva, aí ela pode investir o que ela tem, e aí vai depender do perfil do investidor", afirma Felipe Franco, assessor de investimentos da Plátano Investimentos.

Para quem saiu do emprego e já tinha reserva de emergência, o valor pago com a rescisão pode ter outros destinos.

"Pode ser um investimento com maior rentabilidade, mas aí não tem jeito: é preciso aumentar o risco da carteira", afirma Paula Sauer.

Dinheiro da rescisão pode ser aplicado em ações?

Se a rescisão cobriu a reserva de emergência e ainda sobrou dinheiro, o investidor pode colocar os recursos que "sobraram" em diferentes tipos de aplicação, inclusive em ações.

Felipe Franco, da Plátano Investimentos, diz que metade do valor pode ser investido na renda fixa, em títulos com vencimentos curtos, de um a dois anos.

Outros 25% dos recursos vão para investimentos de médio prazo, pensando em um horizonte de cinco anos, como fundos multimercados, debêntures, CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e até títulos do Tesouro com vencimentos mais longos.

As ações entrariam nos outros 25% do capital destinados a investimentos de longo prazo, que também incluem fundos imobiliários, que trazem melhores rentabilidades. Mas essa estratégia também depende do patrimônio e do perfil do investidor.

"Não tem como convencer um investidor conservador a investir em ações num momento de transição de carreira", afirma o assessor de investimentos.

Paula Sauer lembra que o investimento em ações é para o investidor que tem um horizonte maior de tempo, para se recuperar de uma perda, por exemplo.

"A oscilação de preços das ações pode virar uma enorme dor de cabeça para uma pessoa sem renda e sem emprego", afirma a planejadora financeira.

Para os especialistas, além de aplicações financeiras, o trabalhador que perdeu o emprego também pode investir em si mesmo para tentar uma recolocação no mercado.

"Essa rescisão pode ser investida em uma especialização, um curso de idiomas. Educação também é um excelente investimento e pode abrir portas interessantes", diz Paula Sauer.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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