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Lucro dos bancos dispara no segundo trimestre; vale investir neles agora?

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/08/2021 04h00

O lucro líquido dos grandes bancos brasileiros com ações na Bolsa foi o terceiro maior da história no último trimestre, descontando a inflação do período, com R$ 23,161 bilhões no acumulado entre abril e junho. O crescimento é de 90% frente ao mesmo período do ano passado, considerando o desempenho de Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander.

Naturalmente, as ações dos bancos absorveram parte desse resultado histórico. Mas alguns analistas ouvidos pelo UOL apontam que os resultados positivos não devem parar por aí. Além de as ações estarem ainda descontadas, a Selic em crescimento constante e a perspectiva de uma recuperação econômica devem favorecer a valorização dos papéis ao longo dos próximos meses. Será que é hora de investir neles? Veja abaixo.

Valorização também na Bolsa

Além do lucro maior, os bancos listados também apresentaram valorização na Bolsa de Valores no segundo trimestre. Veja abaixo a valorização, considerando a cotação do dia 1º de abril e do dia 30 de junho, segundo dados da B3.

Bradesco (BBDC4): + 9,73%
Banco do Brasil (BBAS3): + 7,28%
Itaú (ITUB4): + 9,96%
Santander (SANB11): + 5%

Em termos de rentabilidade, os bancos já retornaram para a normalidade desde o início do ano, com retornos sobre patrimônio já próximos dos 20% ao ano.

Ações podem subir mais

Mas, segundo Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama, suas ações ainda têm espaço para valorização.

"É claro que, por serem empresas estáveis e dominantes nos seus mercados, o upside [potencial de valorização] é reduzido em comparação às small caps [empresas com valorização de mercado menor, mas alto potencial de crescimento], por exemplo, mas acreditamos ser um bom investimento", diz o analista.

Entre os grandes bancos, o mais barato hoje, segundo Soares, é o Banco do Brasil, que opera na casa de 0,6 do seu valor patrimonial, muito abaixo das 2 vezes do Itaú e da 1,5 do Bradesco. Todos abaixo do patamar histórico.

O banco estatal é o que apresenta maior potencial de valorização, diz o analista, mas também é o que sofre mais com a volatilidade do mercado.

A expectativa é de que, na Bolsa, os bancos com maior parte da rentabilidade em serviços financeiros, como o Itaú e Santander, tenham um caminho menos promissor.

Já Bradesco e BB, com suas amplas carteiras de crédito e seguro, podem ser beneficiados. "É o que observamos nos preços hoje, inclusive, porque o segmento de serviços financeiros está sofrendo bastante com competição dos insurgentes", diz.

Luis Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos, também vê um caminho promissor para os bancos. Ele avalia que mesmo o Itaú, com resultados mais modestos, tem boas perspectivas até o final do ano por conta da performance das áreas de investimentos e da retomada do crédito.

Além disso, ele avalia que a saída da XP do balanço deve favorecer a valorização das ações.

"Quem tem ação do Itaú vai receber ação da XP e hoje ela está mal precificada. Então, se você tirar a participação da XP dentro do Itaú você tem um valor do Itaú bem descontado, e com a cisão fica mais claro esse desconto", afirma.

Bancos brasileiros ainda têm fôlego

Alexandre Masuda, sócio da SFA Investimentos, destaca que a valorização das ações dos grandes bancos tem a ver com quedas verificadas neste ano, o que pode significar que existe mais margem para crescimento.

"O Itaú, por exemplo, ainda está fechando abaixo do Ibovespa e conta com uma queda de cerca de 1% em relação ao fechamento do ano passado. A valorização foi mais uma recuperação dos lucros depois de a pandemia ter afetado muito o crédito", diz Masuda.

Outro demonstrativo de que os bancos brasileiros ainda podem avançar, segundo o analista, é a comparação com as instituições norte-americanas, que tiveram uma forte valorização.

"Na comparação com os bancos norte-americanos, os brasileiros estão desvalorizados. Os americanos estão sendo negociados em média a 12 vezes o lucro esperado para este ano, enquanto os brasileiros estão abaixo de 10 nessa métrica", afirma.

As quedas recentes apresentadas no último mês por Bradesco e Itaú, acima dos dois dígitos, também favorecem uma valorização no curto prazo, segundo Vitor Carettoni, diretor da mesa de renda variável da Lifetime Investimentos.

"Os bancos tradicionais estão com mais potencial de retorno porque estão menos esticados", afirma.

Para Carettoni, o aumento da taxa de juros deve garantir uma valorização das ações também para os próximos 12 meses, com uma perspectiva de potencial de valorização robusto para os papéis dos bancos tradicionais, com destaque para Bradesco (43%) e BB (40%).

Ele avalia, porém, que uma alta muito acelerada dos juros pode reverter esse quadro.

"A próxima alta da Selic está telegrafada para 1%, se vier 1,25% não é legal. Se os juros subirem demais e passarem de 10% isso limita o crédito, o pessoal para de tomar empréstimo e os resultados se deterioram", afirma Carettoni.

Veja abaixo os preços-alvos e o potencial de valorização das ações dos bancos, segundo dados do BTG:

Bradesco: preço-alvo de R$ 34, com potencial de valorização de 43% em 12 meses
Banco do Brasil: R$ 44 / 40%
Santander: R$ 51 / 25%
Itaú: R$ 36 / 15%

XP diz que oportunidade de investir ficou para trás

Marcel Campos, analista do setor financeiro da XP, está menos otimista com relação à valorização dos papéis dos bancos.

Ele avalia que o momento para investir nas grandes instituições já passou, e que o resultado em 2021 até agora está relacionado à queda acentuada dos papéis durante o ano passado.

"Banco do Brasil é o único banco incumbente que recomendamos compra. Acreditamos que, apesar de o cenário ser negativo, o banco está muito descontado", diz Campos, que destaca a valorização das commodities no mercado internacional e o consequente bom desempenho do agronegócio na economia, que tradicionalmente ajuda o banco estatal.

Veja abaixo as perspectivas da XP para os bancos:

Itaú: recomendação neutra e preço-alvo de R$ 28
Bradesco: recomendação neutra e preço-alvo de R$ 26
Santander: recomendação de venda e preço-alvo de R$ 36
Banco do Brasil: recomendação de compra e preço-alvo de R$ 52

Clear acredita que ainda dá para investir

Para Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, há oportunidades ainda no setor bancário, mas é preciso ficar atento ao que ela define como uma onda de inadimplência que pode corroer os resultados nos próximos meses.

"Essa onda não chegou com a pandemia porque em parte ela foi contida pelas linhas (de crédito) do governo, e parte pelo parcelamento e alongamento das dívidas pelos bancos, mas o crédito para pessoas físicas, pequenas e médias empresas terão números mais deteriorados daqui para a frente", afirma.

Além disso, o avanço de novos players pode impactar o desempenho das grandes instituições na Bolsa.

"Os novos agentes financeiros estão cada vez mais capitalizados e com acesso mais barato ao capital para oferta de crédito, fora todas as disrupções que têm deteriorado os resultados dos bancos nas linhas de serviço", afirma.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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