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Gustavo Cerbasi começou na Bolsa com R$ 50 e ficou milionário em 10 anos

Gustavo Cerbasi começou com pouco na Bolsa e fixou gastos para alcançar o primeiro milhão - Divulgação
Gustavo Cerbasi começou com pouco na Bolsa e fixou gastos para alcançar o primeiro milhão Imagem: Divulgação
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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/09/2021 04h00

Como uma espécie de intruso no meio dos traders e economistas, o estagiário da área de tecnologia do Citibank, Gustavo Cerbasi, passava as segundas-feiras na reunião de caixa do banco, como são chamados os encontros entre os principais negociadores das instituições financeiras. Naquelas reuniões, ele estava longe das gigantescas salas de processamento e perto do seu futuro como investidor.

Na época (anos 90), Gustavo Cerbasi, hoje professor e um dos maiores educadores financeiros do país, trabalhava criando sistemas de organização da informação para a sede do banco no Brasil, em um prédio na avenida Paulista, em São Paulo.

Sua função era procurar maneiras de reduzir o tempo de preenchimento de planilha e organização da rotina para que os traders tivessem mais tempo para fazer o que sabiam: multiplicar o dinheiro do banco em operações financeiras.

Cerbasi acompanhava as reuniões para entender a dinâmica do trabalho de quem operava os bilhões da instituição financeira, mas saia delas com a cabeça cheia de informações sobre como ganhar muito dinheiro. "Daquelas reuniões, nasciam estratégias que geravam para o banco, dependendo do dia, alguns milhões ou às vezes bilhões de reais", diz Cerbasi, que é formado em Engenharia Econômica.

O estagiário da TI entendeu que qualquer pessoa que se dispusesse a ir atrás das informações que o banco detinha e sobre as quais os traders especulavam poderia colher resultados. Foi o que ele decidiu fazer.

Começou com R$ 50 na Bolsa

Com muita informação na cabeça, mas com o bolso quase vazio, Cerbasi começou a investir. Seu salário de estagiário à época, entre 1996 e 1997, permitia que ele investisse algo entre R$ 50 e R$ 200. Ele iniciou sua história no mercado financeiro já comprando e vendendo ações no mesmo dia, o chamado day trade.

Ele começou comprando ações baratas - e arriscadas - como a da extinta Globo Cabo. Cada papel valia cerca de R$ 0,30 e, por conta do pequeno valor, oferecia grandes oportunidades de retorno. "Era o papel especulativo do momento", diz Cerbasi. A torcida era para que a ação valorizasse R$ 0,03 para que o jovem investidor ganhasse 10% sobre o investido em apenas um dia.

O começo improvável — e nada aconselhável, segundo o próprio Cerbasi — pelo day trade se deu porque ele entendia que suas reservas eram insuficientes para começar um investimento mais de longo prazo, e tentou multiplicar rapidamente seu patrimônio. No fim das contas, isso não rendeu muitos retornos financeiros e ainda garantiu crises de ansiedade.

O aspecto positivo foi a maturidade que ele ganhou para seguir um caminho rumo ao milhão.

"O que eu fazia era operar até o limite da minha garantia, e tentar realizar o resultado no mesmo dia para tentar embolsar algum lucro. Isso funcionou por alguns dias, talvez algumas semanas. Eu vi R$ 300 virarem R$ 1.000 em algumas semanas. Depois de um tempo, eu já tinha chegado aos R$ 3 mil e, de repente, numa operação malsucedida, esse valor caiu pela metade", diz.

Depois de perdas e ansiedade, mudou a estratégia de investimentos

Depois de muito ganhar e perder no day trade e entender que a ansiedade que aquilo causava não compensava o pouco retorno financeiro que trazia, Cerbasi passou a investir de maneira consistente e equilibrada, adquirindo ações mais confiáveis na Bolsa de Valores e títulos que rendiam juros de 25% à época.

Essa mudança foi acompanhada de um congelamento dos gastos fixos e da multiplicação da sua renda ao longo do tempo.

Alguns anos depois das suas aventuras no day trade, Cerbasi fixou seus gastos mensais em R$ 3.500, enquanto sua renda subia, até passar dos R$ 8 mil. O investidor começou a perceber que estava no caminho do primeiro milhão aos 26 anos de idade. Se seguisse os passos que havia determinado em seu projeto, ele conseguiria chegar aos sete dígitos em 2010, com 41 anos.

Mas em dezembro de 2005, cinco anos antes do esperado, Cerbasi já havia atingido a marca de R$ 1 milhão em patrimônio. Nessa época, sua renda do trabalho estava em cerca de R$ 10 mil e seus rendimentos com dividendos e ganho médio das ações já eram de R$ 3.600 por mês, o suficiente para pagar o custo de vida do professor e sua esposa, que se mantinha em R$ 3.500 por mês.

Milionário, Cerbasi hoje trabalha com o que quer

Cerbasi revela que, mais importante do que os sete dígitos na conta foi a independência financeira que ele adquiriu naquele período, permitindo que se aposentasse, caso decidisse não fazer mais nada na vida.

Mas sua opção foi não ficar parado. Hoje, ele mantém apenas os trabalhos que considera mais interessantes, que trazem maior renda ou satisfação pessoal.

"Eu tinha o trabalho de professor, consultor, autor de livro e começava a surgir convites para palestras. Passei a optar somente por trabalhos que me interessaram muito, que agregavam muito valor, e com um público maior", diz. O efeito disso tem sido o crescimento exponencial do seu patrimônio, cujo valor atual ele não revela.

Cerbasi diz que é perfeitamente possível chegar ao primeiro milhão mesmo partindo do zero, e que o Brasil é um lugar que favorece a construção de riqueza. Mas, para isso, é preciso ter um olhar aguçado para oportunidades, além de um comportamento crítico.

"Não tente seguir o mesmo caminho dos outros, confie naquilo que você conhece mais e no que está mais próximo, não tente prosperar naquele mercado que é o mais disputado. Pode ser que haja outros lugares onde o potencial de crescimento é enorme, e que as pessoas não estão prestando atenção", diz o professor.

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Para ajudar os leitores nessa trilha, investidores profissionais, analistas, e grandes especialistas do mercado darão aulas quinzenais para ensinar o passo a passo dos investimentos.

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Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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