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Ele cortou McDonald's para investir R$ 50; hoje lucra 15% com renda fixa

Guilherme Cadonhotto, especialista em renda fixa e estrategista da Spiti, começou a investir com R$ 50 - Divulgação
Guilherme Cadonhotto, especialista em renda fixa e estrategista da Spiti, começou a investir com R$ 50 Imagem: Divulgação
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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/09/2021 04h00

Pouco mais de R$ 260. Era isso que sobrava do salário de Guilherme Cadonhotto, hoje especialista em investimentos em renda fixa da Spiti, depois de pagar a parcela de R$ 935 do financiamento do apartamento da família. Quando começou a trabalhar como estagiário no mercado financeiro, há menos de 10 anos, seu salário de R$ 1.200 impunha muitas restrições.

Além da dificuldade de conciliar gastos altos com ganhos enxutos, o então estudante de economia descobriu que teria que abrir mão de alguns desejos de consumo para reverter uma tendência dentro da sua família de não planejar as finanças a médio e longo prazo.

Guilherme Cadonhotto é um dos convidados do próximo Guia do Investidor UOL, que vai mostrar como montar uma carteira lucrativa com investimentos conservadores. O evento é gratuito e você pode se inscrever no cadastro abaixo.

"O que eu e minha namorada, que está comigo até hoje, deixávamos de fazer era sair para jantar, ir a um rodízio japonês, comprar um McDonald's, ir para praia no final de semana", afirma.

Com esse esforço, que não é pouco para um jovem de 19 anos que acabou de conseguir sua primeira fonte de renda, Cadonhotto começou a investir com R$ 50 por mês no Tesouro Selic, "como todo bom investidor iniciante deve fazer", diz. Em meses mais duros, chegava a investir apenas R$ 20.

Com o tempo, os investimentos cresceram e ele também passou a abrir mais a carteira para gastos que antes tinha que sufocar. Mas isso dependeu de ter uma reserva considerável distribuída em investimentos em renda fixa, que ele aprendeu a operar ao longo da sua carreira na mesa de operações, e hoje compartilha com pessoas de todas as idades e níveis de conhecimento.

Investimentos conservadores ajudam a manter hábito

Hoje, aos 28 anos, ele diz que os investimentos discretos no começo da carreira o ajudaram, acima de tudo, a desenvolver a constância e disciplina que o mercado financeiro exige para momentos em que o dinheiro começa a crescer.

"Ainda que você tenha R$ 1.000 para pagar de prestação, mas você está guardando R$ 50, quando você ganhar R$ 5.000, R$ 15 mil ou R$ 30 mil, você vai poupar porque já criou o hábito. Agora, é muito difícil quando você decide poupar assim que começa a ganhar mais", afirma Cadonhotto.

É o que acontece com boa parte da sua família e com a maioria dos amigos fora do mercado financeiro, ele diz.

Cadonhotto conta que, assim que sua carreira começou a decolar e ele virou referência no mundo dos investimentos, passou a ser procurado por pessoas próximas para dar conselhos sobre investimentos.

"No começo, eu não conseguia convencer nem meu pai nem minha mãe (sobre cuidados financeiros). Agora, tem dois anos que meus familiares e amigos me olham e pensam, 'esse cara teve retorno no percurso profissional dele, então deixa eu ver o que ele tem a dizer'", diz.

Ensinar enquanto opera

Ainda no começo da carreira, Cadonhotto já operava cerca de R$ 14 bilhões na mesa de operações da SulAmérica, mas ele conta que passar o dia inteiro na companhia quase exclusiva dos números não era exatamente seu objetivo. Ele queria ensinar as pessoas a fazer o caminho que ele havia descoberto, o da formação de renda com ajuda dos investimentos, principalmente em renda fixa.

Dentro do braço de investimentos da SulAmérica, ele propôs criar iniciativas de educação financeira, o que foi abraçado pela empresa.

"Eu percebia que, às vezes, nem o vendedor [de investimentos] sabia muito sobre o produto que estava vendendo e muito menos o cliente conhecia o que estava comprando", afirma.

Esclarecer o mundo dos investimentos virou uma de suas missões no mercado.

Cadonhotto passou a frequentar eventos da seguradora por todo o país para explicar como funcionavam os investimentos em renda fixa para quem não sabia muito sobre como ganhar dinheiro. Seu trabalho como promotor do conhecimento no mercado financeiro aumentou quando ele se mudou para a Porto Seguro e depois para a Spiti.

Casa de ferreiro, espeto de pau

Embora já ensinasse sobre como operar investimentos, ele teve dificuldades em operar sua própria carteira por um tempo. O empecilho era a falta de tempo. Foi quando saiu da mesa de operações que conseguiu olhar de maneira mais estratégica para seu próprio capital.

"Todos esses anos que passei na mesa adquiri um conhecimento técnico muito grande que me permitiu elaborar uma carteira de investimento capaz de me entregar um retorno importante no médio e longo prazo, sem correr grandes riscos", diz.

O conhecimento que Guilherme adquiriu no mercado permitiu que, ao longo dos oito anos de investimentos, ele tivesse um retorno anual médio de 15% recorrendo basicamente a ativos de renda fixa, algo que em determinados momentos ficou acima dos índices relacionados a investimentos mais arriscados, como o Ibovespa.

Mas o especialista destaca que ele só conseguiu essa rentabilidade por conta da sua persistência e estratégia de longo prazo.

"Você tem que considerar que, em alguns anos, tive performance negativa e, em outros, rendimentos acima de 25%. Isso é importante por que o investidor fica preocupado em ter retornos positivos todos os anos e isso é irreal. Tem que focar no longo prazo porque oscilações no curto prazo sempre vão acontecer", afirma Cadonhotto.

E mesmo com todo o conhecimento de mercado que ele tem hoje, sua carteira segue conservadora, com 50% do dinheiro investido em renda fixa com algum risco (prefixada ou acompanhado a inflação), 40% em renda fixa pós-fixada e apenas 10% em ações e fundos imobiliários. Hoje, na casa do ferreiro o espeto é de ferro.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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