PUBLICIDADE
IPCA
0,73 Dez.2021
Topo

Poupança: Quem deixou R$ 1.000 na caderneta perdeu R$ 63,70 em 2021

Descontando a inflação, poupança perdeu 6,37% em 2021 - IltonRogerio/iStock
Descontando a inflação, poupança perdeu 6,37% em 2021 Imagem: IltonRogerio/iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes

Fabrício de Castro

Do UOL, em Brasília

13/01/2022 17h25

O rendimento real (descontada a inflação) da caderneta de poupança em 2021 foi o pior em 31 anos, conforme levantamento da empresa de informações financeiras Economatica. Com a inflação de 10,06% no ano passado, quem deixou dinheiro na poupança teve rendimento negativo de 6,37%. Assim, quem deixou R$ 1.000 na poupança, por exemplo, perdeu R$ 63,70 em 2021, em termos reais.

Este foi o pior resultado desde 1990, quando a poupança apresentou um rendimento real negativo de 22,44%. Além disso, foi o terceiro ano consecutivo de retorno negativo. Desde 2019, a caderneta vem perdendo para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Apesar disso, a poupança ainda apresentou em 2021 perdas menores do que o Ibovespa, o principal índice de ações do mercado brasileiro. Em um ano marcado pela pandemia do novo coronavírus e por uma inflação de dois dígitos, o Ibovespa apresentou rendimento negativo real de 19,98%.

Já o rendimento real do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que serve de referência para diversas aplicações de renda fixa, foi negativo em 5,12% no ano passado.

Confira os números do levantamento da Economatica:

Retorno do investimento em anos selecionados, descontada a inflação

  • 2021: -6,37% (poupança); -19,98% (Ibovespa); -5,12% (CDI)
  • 2020: -2,30% (poupança); -1,53% (Ibovespa); -1,68% (CDI)
  • 2019: -0,05% (poupança); +26,15% (Ibovespa); +1,59% (CDI)
  • 2018: +0,85% (poupança); +10,88% (Ibovespa); +2,58% (CDI)
  • 1995: +14,28% (poupança); -8,49% (Ibovespa); +34,69% (CDI)
  • 1990: -22,44% (poupança); -76,28% (Ibovespa); -15,13% (CDI)

Retorno atrelado à Selic

O rendimento da poupança está ligado ao nível da Selic, a taxa básica de juros da economia. Com a Selic atualmente em 9,25% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano) mais a TR (Taxa Referencial). Esta regra vale para quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Os depósitos feitos antes de 2012 —os da chamada "poupança velha"— também seguem esta regra.

Em 2021, a taxa básica permaneceu abaixo de 8,5% ao ano por vários meses. Quando isso acontece, o rendimento da poupança é dado por 70% da Selic em vigor mais a TR.

No mercado financeiro, a expectativa é de que, após superar 10% em 2021, o IPCA fique mais acomodado este ano. A projeção atual do boletim Focus, que traz as estimativas das instituições financeiras, é de inflação de 5,03% em 2022. Já a Selic projetada para o fim do ano é de 11,75%.

Isso significa que a tendência é de que a poupança este ano siga sendo remunerada por 0,5% ao mês mais a TR.

Saques durante a crise

Em meio ao desemprego, à queda na renda das famílias e ao retorno negativo, os brasileiros também retiraram recursos da poupança em 2021. Dados do Banco Central mostram que no ano passado os saques superaram os depósitos em R$ 35,5 bilhões.

Em 2020, a poupança havia recebido depósitos líquidos de R$ 166,3 bilhões, mas este resultado esteve em grande parte ligado ao medo das famílias quanto ao futuro, durante a primeira onda de covid-19. Na época, muitos brasileiros decidiram economizar.

Além disso, o pagamento de auxílios pelo governo, como o emergencial, impulsionou o saldo da poupança em 2020.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

PUBLICIDADE