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6 dicas para comprar e vender ações na Bolsa na hora certa

Um dos erros mais comuns é se desfazer de ações na baixa e comprar quando estão muito valorizadas - Getty Images/iStockphoto/ismagilov
Um dos erros mais comuns é se desfazer de ações na baixa e comprar quando estão muito valorizadas Imagem: Getty Images/iStockphoto/ismagilov
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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/01/2022 04h00

Como saber a hora certa de comprar ou vender uma ação na Bolsa de Valores? O objetivo sempre é conseguir se antecipar aos fatos e acertar nessa decisão. Mas, mesmo quem atua profissionalmente há bastante tempo e usa modelos matemáticos e tecnologia para traçar tendências, não consegue acertar 100% a data exata ou o percentual ideal para fazer os negócios.

De qualquer modo, o UOL ouviu analistas, que fizeram uma lista com seis dicas para quem quer ter mais confiança sobre o momento de entrar e sair da Bolsa. Saiba a seguir.

Matheus Spiess Duarte, analista da Empiricus explica como o trabalho é desafiador mesmo para os profissionais que se dedicam a acompanhar o comportamento das empresas listadas na Bolsa de Valores.

"São pessoas que fazem isso 24 horas por dia e, pela experiência e dedicação, assimilam informações de maneira mais rápida do que o leigo. O trabalho de um analista é, ao acompanhar as informações de uma empresa ou do setor em que atua, identificar oportunidades que valem mais do que o mercado diz. O timing é mais sorte do que qualquer outra coisa. Para quem está entrando agora, o mais importante é ter visão de longo prazo", declarou.

1) O valor justo da ação

A hora certa de comprar é quando a empresa vale menos na Bolsa do que deveria estar valendo, ou seja, quando seu valor está baixo porque ainda não chegou ao que se considera justo, diz o analista da Empiricus.

Da mesma forma, a venda de uma ação deve acontecer quando ela chega a uma precificação considerada cara.

"Nesses casos, não adianta espremer a laranja, esperar que o valor suba ainda mais. Minha sugestão é que seja estabelecida uma meta. Depois de comprar uma ação barata e ver essa meta ser atingida, ou seja, quando se chegar ao valor pretendido, é hora de sair e ir para outra posição", disse Duarte.

Thomas Giuberti, economista e sócio da Golden Investimentos, incluiu outra perspectiva. Para ele, saber a hora de comprar e de vender ações depende, por exemplo, do objetivo a ser atingido e do prazo de que gostaria para aquele investimento.

2) Não se assuste na baixa nem se entusiasme na alta

Como em qualquer investimento, o aplicador deve adotar alguns cuidados. O principal mantra repetido pelos especialistas é "não venda suas ações na baixa nem compre na alta".

Apesar de parecer uma regra intrínseca a esse tipo de aplicação, na prática, o que se vê ainda hoje são investidores que se desfazem de papéis quando ocorre uma desvalorização e que decidem fazer aquisições quando os preços já estão nas alturas.

3) Análise detalhada indica potencial

Técnicas de análise gráfica e dos fundamentos econômicos e financeiros ajudam os especialistas no trabalho de identificar oportunidades de entrada ou de saída de uma empresa na Bolsa.

Como explica Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, os departamentos de research analisam os fundamentos das companhias, ou seja, os números reportados nos trimestres, as aquisições ao longo do tempo e outras informações que constam nos comunicados oficiais (fatos relevantes) que podem influenciar ou não no preço da ação.

"Quando temos a perspectiva de que uma empresa deve apresentar crescimento e geração de caixa nos próximos trimestres, pode ser muitas vezes uma oportunidade de entrada", disse.

Para Duarte, da Empicirus, como as análises de potencial de valorização levam em consideração projetos de longo prazo, é preciso ter paciência para extrair os melhores resultados. Sua recomendação é que as ações permaneçam na carteira por pelo menos 12 meses.

"Eventualmente, até pode haver uma oportunidade de compra ou de venda antes disso, o que obrigaria a uma reavaliação da carteira. Mas é preciso olhar para períodos mais longos", afirmou.

Como exemplo, ele cita o caso da Cosan. O grupo tem projetos para maturar em 2025 e 2028, quando deverão trazer mais valor para a companhia e para seus acionistas. Por isso, a recomendação é manter seus papéis por mais tempo.

4) Informações também revelam riscos

Assim como as informações de uma empresa, dos seus concorrentes e do setor de atuação podem indicar qual é o potencial de valorização das ações, também podem revelar se algo não vai bem.

"É o caso da Cielo, que até 2014/2015 era praticamente monopolista e, com o aumento da concorrência, perdeu participação de mercado e vem tendo suas margens mais pressionadas. Por isso, tem sido uma empresa que não temos recomendado aos investidores, e quem já tem ações deve até sair porque a perspectiva em relação a ela é negativa", disse Crespi.

5) Equilíbrio na carteira ajuda a decidir

Giuberti orienta que o investidor que decidiu ter ações fique atento à fatia que essa aplicação terá no total de seu patrimônio.

"A recomendação é que, fixada a estratégia para a carteira e qual será o percentual de papéis na sua composição, o investidor mantenha essa exposição mesmo que haja uma valorização. Ou seja, se ele tem 30% do portfólio em ações de uma empresa e, depois de uma alta, essa participação passou a ser de 39%, que a diferença de nove pontos percentuais seja vendida para que a fatia se mantenha em 30%. Da mesma forma, se as ações perderem valor, o investidor deve comprar mais para a recomposição até chegar a 30% novamente. É uma regra que força o investidor a vender na alta e comprar na baixa", explicou.

6) Começar com ETFs e fundos e comprar várias ações

O trabalho de acompanhamento de uma empresa não é fácil e exige experiência. Mas quem tem tempo e gosta de estudar pode fazer a gestão da própria carteira de ações.

Para o analista da Empiricus, quem deseja administrar esse dia a dia deve começar aos poucos. Primeiro por meio de fundos mais conservadores, como os fundos multimercado, até chegar à Bolsa e finalmente comprar papéis de companhias.

"Quando se toma essa decisão, não se deve adquirir menos do que dez empresas Deve começar com investimentos mais conservadores, como fundos multimercados, até chegar à Bolsa", disse Duarte.

Uma porta de entrada são os ETF, ou fundos de fundos, que permitem tanto atuar no mercado acionário brasileiro quanto internacional.

Quem optou por montar a sua própria carteira deve ter pelo menos dez papéis diferentes para conseguir diversificar setores e mercados de atuação. Isso permite pulverizar os riscos caso algumas empresas não apresentem bons desempenhos.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.