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Bolsa é melhor investimento pelo 5º mês; poupança ganha de ouro e dólar

Entrada de capital estrangeiro na Bolsa em março, de R$ 26,4 bilhões elevou a R$ 89 bilhões saldo positivo no 1º trimestre - Amanda Perobelli/Reuters
Entrada de capital estrangeiro na Bolsa em março, de R$ 26,4 bilhões elevou a R$ 89 bilhões saldo positivo no 1º trimestre Imagem: Amanda Perobelli/Reuters
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

31/03/2022 18h55

O Ibovespa, principal índice de ações no Brasil, emendou em março o quinto mês consecutivo de alta, fechando o primeiro trimestre do ano com avanço de 14,5%, na liderança de ganhos entre algumas das principais aplicações do país. Apesar de bem abaixo da Bolsa, a poupança também teve saldo positivo no acumulado dos três primeiros meses do ano: de 1,67%, ganhando de ouro e dólar, que tiveram desempenhos negativos de -11,51% e -14,61%, respectivamente.

De acordo com especialistas ouvidos pelo UOL, a valorização das matérias-primas provocada pela guerra entre Rússia e Ucrânia ajudou o Ibovespa, que tem grande participação de ações de empresas do setor —como mineradoras, petroleiras, siderúrgicas e produtoras de alimentos. Já a queda do dólar vem sendo puxada pelos juros elevados no Brasil, depois que a Selic subiu pelo Banco Central para combater a inflação.

Veja abaixo um ranking dos melhores investimentos em março e neste primeiro trimestre de 2022; e o que esperar para abril.

Desempenho no trimestre

  • Ibovespa: + 14,48%
  • Poupança: + 1,67%
  • Ifix (Índice de FIIs): -0,89%
  • Ouro: -11,51%
  • Dólar: -14,61%

Desempenho de março

  • Ibovespa: + 6,06%
  • Ifix (Índice de FIIs): +1,42%
  • Poupança: +0,6%
  • Ouro: -4,89%
  • Dólar: -7,66%

A entrada de capital estrangeiro na Bolsa em março —de R$ 26,4 bilhões até o dia 28— elevou para R$ 89 bilhões o saldo positivo no primeiro trimestre do ano. É esse fluxo de investimentos que está sustentando os ganhos das ações apesar das quedas de índices acionários nos EUA e Europa, de acordo com analistas.

Enquanto lá fora as preocupações com a guerra pressionam negativamente as Bolsas, aqui no Brasil o Ibovespa se beneficia da valorização das commodities (matérias-primas), que têm maior peso no índice.

O gestor de renda variável da Western Asset, César Mikail, aponta três fatores que estão estimulando a vinda de investimentos estrangeiros para a Bolsa.

1. Preços: o Ibovespa estava com desconto em dólar em relação aos S&P 500, da Bolsa de Nova York, por exemplo, numa diferença que chegou perto de 50%, porque a B3 foi mal no ano passado, quando outros mercados subiram.

2. Juros: a taxa básica de juros saiu de 2% para quase 11% em 2021, e vai continuar subindo para perto de 13% neste ano. Essa taxa permite aos estrangeiros ganhos na renda fixa sem riscos e, assim, que apostem na renda variável com menor exposição à volatilidade do real ante o dólar.

3. Commodities: a alta das matérias-primas favorece a economia brasileira, grande exportadora desses produtos, e a Bolsa —onde algumas das ações mais negociadas são desse setor.

    Inflação, juros e dólar

    A valorização das commodities tem um efeito negativo para a economia brasileira, que é a inflação. A onda global de alta dos preços também atinge o bolso dos brasileiros. E, para combater esse problema, o Banco Central tem elevado os juros.

    Para os entrevistados, a alta da Selic favorece as aplicações de renda fixa, citando títulos do Tesouro prefixados e atrelados ao IPCA como opções que continuarão a se destacar entre as aplicações neste semestre.

    Já o dólar é influenciado negativamente pelos juros elevados. O rendimento maior proporcionado pela Selic atrai o investidor estrangeiro, elevando assim a oferta da moeda americana no Brasil e reduzindo o preço desse ativo ante o real.

    Cenário para abril

    Os movimentos de valorização do Ibovespa e de recuo do dólar acumulados no primeiro trimestre tendem a limitar a continuidade dessas tendências para o restante do semestre, segundo os especialistas.

    No curto e no médio prazo, o Ibovespa ainda está em tendência de alta. Porém, como já subiu aproximadamente 12% desde o pregão de 15 de março, seria saudável uma correção até a média móvel exponencial de 21 períodos, que funciona como suporte imediato em torno de 115.800 pontos.
    Igor Graminhani, analista gráfico da Genial Investimentos

    De acordo com os analistas, por outro lado, se a tendência de valorização das commodities persistir, a Bolsa e o real devem se beneficiar desse ambiente e sustentarem a onda de ganhos por mais um mês pelo menos.

    O Brasil ainda está barato em relação a outros mercados globais, com um desconto ao redor de 20%. Então, acredito ainda em entrada de fluxo estrangeiro em abril. O maior risco que temos é de o Fed (Federal Reserve, Banco Central dos EUA) acelerar o ritmo de juros, o que pode afetar todos os mercados emergentes.
    César Mikail, gestor de renda variável da Western Asset

    Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.