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Como ter uma renda extra de R$ 3.000 por mês? Veja dicas e simulações

Veja como investir para ter uma renda extra mensal de R$ 3.000 - Getty Images/iStockphoto
Veja como investir para ter uma renda extra mensal de R$ 3.000 Imagem: Getty Images/iStockphoto
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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, de São Paulo

12/05/2022 04h00

Garantir uma renda extra mensal é o objetivo de muitos investidores. Afinal, um dinheiro adicional todos os meses pode servir para atender a diferentes sonhos. Além da disciplina para que os aportes sejam constantes, o investidor que pretende embolsar um ganho mensal a partir do resultado da valorização das suas aplicações (ou seja, obter uma renda passiva) deve iniciar o quanto antes a jornada como poupador. Como dizem os especialistas, o tempo costuma jogar a favor de quem aplica.

O UOL ouviu profissionais do mercado que, além de dar dicas para quem tem esse objetivo, fizeram algumas simulações para os investidores que planejam ter uma renda extra de R$ 3.000 por mês.

Algumas classes de ativos para obter uma renda extra

ETFs (Exchange Traded Funds): tipos de fundo de índice que replicam o comportamento de algum indicador, seja nacional ou internacional. Costumam reunir companhias sólidas e com grande potencial de geração de resultados.

Ações de empresas listadas em Bolsa de Valores: podem gerar renda passiva por meio do recebimento de proventos, como os dividendos —referentes ao lucro da companhia que é distribuído aos acionistas. Outra forma de ganhar com os papéis é na compra e venda.

Fundos de investimento imobiliário (FIIs): aplicações em empreendimentos como shoppings, galpões logísticos e lajes comerciais. O rendimento mensal é proporcional ao total de cotas e vem do pagamento do aluguel dos imóveis.

BDRs (Brazilian Depositary Receipts): tipo de certificado que representa na Bolsa brasileira a ação de uma companhia estrangeira que não é negociada aqui. Quem compra um BDR está investindo em determinada empresa por meio de um recibo que procura acompanhar a sua valorização. Como há BDRs que pagam dividendos, acabam por garantir uma maneira de ter uma renda periódica, além da rentabilidade do papel.

Risco e expectativa devem ser levadas em consideração

Cada profissional do mercado financeiro tem as suas preferências na hora de compor uma carteira de ativos.

Há um paradoxo de que renda mensal precisa ser obtida com renda fixa ou dividendos. Na verdade, não importa se você obtém renda mensal com dividendos ou com valorização do investimento, ambos são retorno ao investidor. Para obter, então, uma renda mensal, é preciso investir em ativos que valorizem na expectativa de retorno desejada, com o risco que foi escolhido.
Cauê Mançanares, CEO da Investo

O especialista, por exemplo, trabalha com ETFs e defende o seu potencial. "ETFs são os ativos mais recomendados pelos maiores investidores do mundo, como John Bogle e Warren Buffett, pois permitem que o investidor obtenha expectativas de retorno de acordo com sua estratégia, mas com riscos diversificados", diz.

Diego Cordeiro, assessor da Aplix Investimentos, afirma que os FIIs são uma boa alternativa para quem tem o objetivo de contar com uma renda extra, pois pagam os aluguéis todos os meses.

O especialista sugere ainda investimentos de debêntures incentivadas. Isto é, títulos de crédito privado, emitidos por empresas, que usam o recurso para financiar investimentos e compromissos financeiros. Afinal, pagam inflação mais uma rentabilidade adicional, e destinam ao investidor juros semestrais já isentos de Imposto de Renda.

O especialista da Aplix diz que para o investidor embolsar a renda de R$ 3.000 mensalmente é necessário ter entre R$ 720 mil e R$ 900 mil em aplicações, considerando que ele terá rentabilidade real (acima da inflação) de 4% a 5% ao ano.

Cordeiro fez duas simulações (veja abaixo simulação 1 e 2) para se chegar ao objetivo de garantir retiradas mensais de R$ 3.000. O especialista teve como ponto de partida um investidor que optou por uma carteira diversificada, com recursos distribuídos entre fundos de ações, fundos imobiliários e CDBs (Certificados de Depósito Bancário) atrelados à inflação.

Ações de boas pagadoras de dividendos

Quem optar pela renda extra obtida por meio do pagamento de dividendos deve tomar uma série de cuidados, como declara Fábio Baroni, sócio do AGF. O primeiro passo é construir um patrimônio por meio da escolha de papéis de empresas que são boas pagadoras de proventos.

"Sempre citamos ações que estejam dentro do 'best', que nomeamos como um conglomerado de setores que nós consideramos perenes e vitais para a economia e que acabam pagando bons dividendos, em função das barreiras de entrada que eles possuem, tempo de mercado e outras vantagens competitivas. No 'best' estão contemplados os bancos, empresas dos setores de energia, seguros, saneamento e telecomunicações. São bons setores para você começar a olhar na Bolsa de Valores", afirma Baroni.

Desses setores, o sócio da AGF destaca dois pela sua solidez: bancário e de energia elétrica. Especificamente as companhias dedicadas à transmissão de energia contam ainda com a vantagem de possuírem contratos de longuíssimo prazo -geralmente corrigidos pela inflação IGPM/IPCA. Essas empresas, segundo o especialista, acabam sendo mais previsíveis nas suas distribuições de dividendos.

Em suas simulações, Baroni mostra qual deve ser o comportamento do investidor em busca de uma renda extra de R$ 3.000 por mês obtida com o pagamento de dividendos (confira abaixo a simulação 3).

Simulação 1: aos 25 anos, com foco em diversificação

Carteira: diversificada (fundos de ações, FIIs e CDBs)
Investimento inicial: R$ 10 mil
Aporte mensal: R$ 850
Retiradas de R$ 3.000/mês: a partir dos 60 anos

Simulação 2: aos 30 anos, com foco em diversificação

Carteira: diversificada (fundos de ações, FIIs e CDBs)
Investimento inicial: R$ 20 mil
Aporte mensal: R$ 4.000
Retiradas de R$ 3.000/mês: a partir dos 43 anos e meio

Simulação 3: aos 25 anos, com foco em dividendos

Carteira: ações da Taesa (TAEE11)
Investimento inicial: R$ 10 mil
Aporte mensal: R$ 836,22
Retiradas de R$ 3.000/mês: a partir dos 50 anos

Para simular o desempenho futuro e fazer os cálculos da distribuição de dividendos, o assessor da AGF usou os dados financeiros dos intervalos compreendidos entre 2006 e 2022 e de 2000 até 2022. "O que aconteceu no passado a gente costuma dizer que é provável no futuro. Então, é claro que resultados passados não são garantias de resultados futuros", diz.

Ele usou a companhia Taesa (TAEE11) na simulação. O investimento inicial de R$ 10 mil e aporte mensal de R$ 836,22, conforme estipulado no objetivo de renda. A data inicial foi de janeiro de 2006, quando a empresa foi constituída na Bolsa de Valores, e data final de janeiro de 2022, estabelecendo uma média no período. O patrimônio acumulado nessa estratégia de compra e recompra foi de R$ 1.258.085,40 aos 50 anos. Já os proventos acumulados no total foram da ordem de R$ 562.139,93, num total de 34.658 ações.

Seguindo a mesma premissa, com investimento inicial R$ 10 mil e aporte mensal de R$ 836,22, caso o investidor aplicasse em ações da Itausa (ITSA4), chegaria a R$ 1.992.000 de patrimônio acumulado e R$ 877.917 mil de dividendos a partir dos 50 anos, com média do período de janeiro de 2020 a janeiro de 2022.

Quando se faz um planejamento de longo prazo, seja para alcançar uma renda periódica ou ao final de um determinado período, o investidor deve levar em consideração que existe risco de perda. Por exemplo, se os ativos da carteira não se valorizarem acima da inflação. Nesse caso, de acordo com Cauê Mançanares, da Investo, a renda gerada não compensará a perda do poder de compra.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.