PUBLICIDADE
IPCA
0,47 Mai.2022
Topo

Presidente da Petrobras é demitido após 40 dias e ações caem; o que fazer?

José Mauro Coelho, agora ex-presidente da Petrobras, e Caio Mauro Paes de Andrade, indicado para o cargo - Reprodução
José Mauro Coelho, agora ex-presidente da Petrobras, e Caio Mauro Paes de Andrade, indicado para o cargo Imagem: Reprodução
Conteúdo exclusivo para assinantes

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/05/2022 12h47

O mercado foi pego de surpresa nesta segunda-feira (23) à noite com a demissão de José Mauro Coelho no comando da Petrobras (PETR3/PETR4) — apenas 40 dias depois de ter sido aprovado em Assembleia Geral Ordinária da empresa para ocupar a presidência da petroleira.

Turbulências já eram esperadas, mas não com essa intensidade e rapidez, dizem os analistas. Com isso, as ações mais negociadas da companhia, as preferenciais PETR4, caíam 2,92%, a R$ 31,60; e as ordinárias PETR3 desabaram 2,85%, a R$ 34,40.

Com as ações da Petrobras despencando e a troca constante de presidência da Petrobras, ainda vale investir? O que o investidor que já tem os papéis da empresa dele fazer? Confira abaixo a opinião dos especialistas ouvidos pelo UOL.

Além de demitir Coelho, o ministro de Minas Energia, Adolfo Sachsida, também fará mudanças no Conselho de Administração da estatal. A Petrobras estava perto de anunciar novo reajuste de gasolina e o presidente Jair Bolsonaro (PL)quer evitar novos aumentos, por conta das eleições, de acordo com o mercado.

"Agora a dúvida é: o novo comando vai priorizar a saúde da empresa ou estão visando outros interesses eleitorais?", declara Breno Bonani, analista da VGR Asset.

O novo indicado para presidente da Petrobras é Caio Mario Paes de Andrade, auxiliar do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas sem experiência na área de óleo e gás.

"Será aceito pelo Conselho? Atende a Lei das Estatais, na qual o presidente da petroleira precisa entender da área?", diz Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Mirae Asset, em análise divulgada para investidores. Segundo ele, nos bastidores, comenta-se que Sachsida pretende espaçar os reajustes dos derivados de petróleo de 100 dias em 110 dias.

"Acreditamos que teremos uma janela maior para revisões dos preços — sendo este um fator de pressão nos custos e margens da companhia, que já em alguns momentos demonstrou um 'desenquadramento' ou defasagem neste reajuste", afirma Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

Troca constante de presidência é prejudicial

Mesmo que haja um repasse de custos atrasado, a Petrobras vai acumular prejuízos, de acordo com os analistas. Isso é ruim para a companhia, para os acionistas e para o governo, que é quem tem a maior participação na empresa.

O que fazer com as ações da Petrobras?

Se você tem investimento em Petrobras, tenha calma agora é não saia vendendo a qualquer custo. Esse é o conselho de Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

As ações da Petrobras, segundo ele, estão muito baratas, principalmente na comparação com outras petroleiras do mundo.

"Por isso a queda não é tão drástica. O momento é de ter calma e esperar", declara. Se o investidor quiser sair do papel, vale a pena deixar o tempo passar para vender com um preço melhor.

Foco em outras petroleiras

Especialistas afirmam que a melhor atitude no momento é ficar de fora. Se quiser investir em petróleo, busque outras empresas, que atuam no setor e que "não estão sujeitas às chuvas e trovoadas que o governo provoca".

A 3R Petroleum (RRRP3) é uma delas. Cotada a R$ 45,10, elas tiveram subiram 3,16%. No ano, a ação já valorizou um acumulado de 30,48% — enquanto PETR3 evoluiu somente 9,36% desde 4 de janeiro.

Outra opção é a Petroreconcavo (RECV3), que hoje encerrou em alta de 0,25%, a R$ 28,10. No ano, a ação já subiu 58%.

Tem também a PetroRio (PRIO3), que fechou em alta de 3,90% nesta terça-feira, a R$ 27,19. A valorização acumulada em 2022 é de 31%.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.