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Por que bitcoin e outras criptomoedas caem até 81% no ano? Devo comprar?

Getty Images
Imagem: Getty Images
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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/06/2022 16h32

As oito criptomoedas mais populares estão todas no negativo este ano, de acordo com um levantamento feito pela empresa de inteligência de mercado Quantum Finance. Até 31 de maio, o tombo vai de 44,22% (bitcoin) até 80,58% (filecoin).

O período é o que os especialistas do setor chamam de "inverno cripto". O que fazer nessa hora? É um bom momento para investir ou é melhor ficar de fora? Veja o que dizem profissionais de mercado.

Queda das criptomoedas no ano, até 31 de maio

  • Bitcoin - 44,22%
  • Stellar - 54,05%
  • Ethereum - 57,27%
  • Litecoin - 62,26%
  • Bitcoin Cash - 62,34%
  • Chainlink - 68,47%
  • Uniswap - 73,29%
  • Filecoin - 80,58%

Por que as criptomoedas estão despencando?

São dois motivos, basicamente.

"O valor de uma criptomoeda é uma variável da quantidade de dinheiro disponível na economia mundial", explica Álvaro Villa, chefe de vendas da Messem Investimentos.

"Quando o Banco Central norte-americano aumenta os juros, que é o que está acontecendo agora, é como se ele tirasse dinheiro da economia", explica. Se há menos dinheiro em circulação, o valor das criptos também cai. Como as criptomoedas são ativos de alto risco, nesse cenário, os investidores acabam vendendo criptos para aplicar em ativos mais seguros, como o dólar.

Outra explicação é mais técnica. As criptomoedas são resultado do que se chama de mineração. Várias pessoas e empresas usam supercomputadores para ajudar a manter todo o sistema. Em troca, eles recebem recompensas em criptomoeda.

"De quatro em quatro anos, o valor do pagamento por essa mineração cai pela metade. A última vez que isso aconteceu foi entre novembro e dezembro de 2020", explica Felipe Vella, analista de renda variável da Ativa Investimentos.

Quando acontece esse processo, chamado de "halving", a oferta de criptomoedas no mercado cai, e seu valor sobe. É por isso que nos últimos anos muitas delas tiveram valorizações estratosféricas. Um bitcoin, no último "halving", acabou passando de R$ 14 mil para mais de R$ 60 mil, valor atingido no ano passado.

"Era um ciclo de alta", explica Vella. E, como todo ciclo, ele passa. Quando ele termina, acontece o tal "inverno cripto" pelo qual o mercado passa agora. "Isso não quer dizer que o dinheiro vai virar pó. O mercado de cripto é uma coisa que veio para ficar, não vai desaparecer", diz Vella.

Vale a pena comprar agora para aproveitar preços mais baixos?

Para Villa, da Messem, se você não tem um objetivo para usar o dinheiro no futuro, melhor ficar de fora.

"Operações de câmbio são feitas para se usar o dinheiro lá na frente. Na minha opinião, cripto não é um investimento. Se você quer aplicar com o objetivo apenas de conseguir uma valorização lá na frente, é uma furada", afirma.

Vella, da Ativa, ao contrário, acredita que sim, pode ser uma oportunidade de compra a preços menores. Mas ele recomenda diversificar, comprando várias moedas, e usar apenas uma parte de suas economias nesse mercado.

"É um investimento de longo prazo", afirma. E que varia muito, sempre com quedas e altas fortes.

É preciso analisar bem antes de comprar criptomoedas, seja para transferências ou para investimento. A casa de câmbio precisa ter registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

E cuidado com golpes: no Instagram e em outras redes, por exemplo, muita gente se apresenta como corretor de criptomoedas. Mas muitos são o que o mercado chama de "piramideiros", que coletam o dinheiro das pessoas prometendo altos ganhos. E, na verdade, o dinheiro sequer chega a ser convertido em criptomoeda.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.