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Poupança dá prejuízo com a inflação; há alternativas que não pagam IR?

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, de São Paulo

17/07/2022 04h00

Quem prefere investir na poupança tem perdido dinheiro para a inflação. A alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem sido responsável por corroer as correções do produto financeiro mais popular do Brasil, o que confirma a sua falta de atratividade.

Nos últimos 24 meses, o rendimento acumulado da poupança foi de 7,63%, enquanto a inflação subiu 21,54% no período, segundo cálculos de Igor Martins, sócio e assessor de investimentos da One Investimentos. Ver a inflação corroendo quase três vezes mais o rendimento da poupança das famílias é algo preocupante se considerado todo o cenário desafiador que estamos vivendo. Isso significa uma perda real de aproximadamente 14% da capacidade de compra de tudo que é deixado na poupança, diz Martins.

Então por que há tantas pessoas que preferem deixar o dinheiro na poupança? E quais opções são tão seguras quanto? Quais investimentos são isentos de imposto de renda? Veja abaixo.

Se perde dinheiro, por que há tantos investidores? O especialista diz que a poupança ainda é uma das aplicações mais usadas no Brasil por causa da sua praticidade e, principalmente, devido ao desconhecimento de alternativas melhores de investimentos conservadores.

Ainda que a poupança esteja sendo corroída pela alta de preços, o ativo conta com alguns pontos a seu favor, segundo Karina Valadares, planejadora financeira pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar). "Gosto de dizer que pior do que investir em poupança é não investir."

O especialista da One Investimentos destaca outros aspectos: o ativo cumpre o papel de corrigir parte do recurso das famílias, servindo como uma reserva de emergência com liquidez imediata.

Além disso, Martins cita a isenção de Imposto de Renda (IR) e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), inexistência de tarifas e garantia de ressarcimento de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso da quebra da instituição financeira.

Pessoas estão colocando mais dinheiro na poupança? Pelo contrário, os saques estão superando os depósitos. No primeiro semestre do ano, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 50,5 bilhões, de acordo com o Banco Central (BC). O volume de retiradas é o maior da série histórica, iniciada em 1995.

O comportamento do investidor brasileiro tem a ver com diferentes fatores, como a necessidade de sacar os recursos para situações emergenciais, causadas pela crise na economia, e o interesse por alternativas mais rentáveis.

Devo trocar de investimento agora? Apesar de o desempenho da poupança ser fraco, o investidor deve analisar uma série de condições antes de migrar para outro ativo, diz Martins.

Para o especialista, é indispensável entender o funcionamento de cada investimento, ter paciência em relação aos resultados, manter a consistência nos aportes e ter uma visão de acumular patrimônio ao longo do tempo em vez de buscar ganhos elevados no curto prazo em ativos de risco sem o devido conhecimento.

Por onde começar? A melhor alternativa para a poupança, diz Alexandre Brito, planejador financeiro (CFP) e sócio-gestor da Finacap., é o Tesouro Selic (uma das modalidades de títulos públicos), em que o investidor terá o retorno de 100% da Selic e com o risco do emissor da própria União (título do Tesouro Nacional).

Segundo o sócio da Finacap, há ainda várias opções de bancos que oferecem CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com liquidez imediata e rendem 100% do CDI (os Certificados de Depósito Interbancário) com a garantia do FGC. Esses certificados são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captar recursos e financiar atividades, como a concessão de crédito.

Como explica Brito, a poupança, na regra atual, rende em torno de 0,72% ao mês. O CDI, por outro lado, rende 1,04% ao mês. "Mesmo considerando que a poupança é isenta de IR e deduzirmos uma estimativa de imposto do CDI, ainda assim, a poupança não entrega retorno equiparável às alternativas apresentadas."

Além do CDB, também fazem parte da lista o especialista da One Investimentos as LCAS (Letras de Crédito do Agronegócio lastreadas em uma carteira de empréstimos relacionados ao setor agropecuário) e LCIs (títulos de renda fixa criado para financiar o segmento imobiliário) com liquidez após 90 dias, atrelados ao CDI e isentos de IR.

Se a troca da poupança for motivada pelo fato de a aplicação não ter uma rentabilidade real acima da inflação, a planejadora financeira sugere ativos como NTN-Bs (títulos do Tesouro Direto que também são conhecidos como o Tesouro IPCA+ com juros semestrais) e as debêntures incentivadas, que financiam projetos de infraestrutura e têm isenção fiscal sobre a rentabilidade.

Quais são isentos de imposto de renda? Dos ativos citados pelos especialistas, são isentos de Imposto de Renda a LCI, LCA e debêntures incentivadas.

No caso do CDB, a alíquota mais alta do IR é de 22,5% para aplicações de até 180 dias, chegando a 15% sobre as aplicações com prazo acima de 720 dias. A mesma tabela regressiva vale para a cobrança do IR para o Tesouro Direto. Há ainda a possibilidade de incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Estão sujeitos a cobrança o Tesouro Direto e o CDB.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.