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Poupança, Tesouro, Bolsa e FIIs: o que mais rendeu em setembro?

Selic alta influenciou ativos de renda fixa, fundos imobiliários e até mesmo a Bolsa - Suwaree Tangbovornpichet/iStock
Selic alta influenciou ativos de renda fixa, fundos imobiliários e até mesmo a Bolsa Imagem: Suwaree Tangbovornpichet/iStock

Gabriela Bulhões

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/10/2022 04h00

A reflexão a cada fim de mês é: foi bom ou não para os investimentos? A resposta depende de quais ativos fazem parte da sua carteira, o Tesouro Selic garantiu um bom rendimento ao investidor, diferente do Ibovespa, que por mais que tenha tido uma alta, ainda se recupera do cenário econômico, por exemplo.

Outra boa notícia é que o dólar e o ouro estão dando a volta por cima, voltando a se valorizar bastante. Vale lembrar que setembro veio com a notícia da predominância da taxa Selic em 13,75%, que é a taxa básica de juros, e com a alta dos juros nos Estados Unidos.

Então, os investimentos em renda fixa que acompanham esses indicadores ganham destaque no seu portfólio. Nos próximos meses, o esperado é que o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável pela decisão da Selic, continue a manter os juros ou suba o patamar. O maior objetivo é conter a inflação, até para estabilizar o poder de compra dos brasileiros.

O que aconteceu com os investimentos em setembro?

Afinal de contas, qual foi o rendimento? Pegando como base alguns ativos em setembro, considerando os dados do fechamento do mês do Banco Central e Anbima, tanto renda fixa como variável fecharam o mês com rendimentos positivos.

Já em relação aos últimos 12 meses, o rendimento aumenta um pouco mais, dando destaque ao Tesouro Selic. Na contramão dos investimentos atrativos, o dólar e o ouro aparecem pesando negativamente ao ano, o que vale considerar se é uma boa ideia manter o aporte a longo prazo.

Tesouro Selic 2025

  • Rendimento em setembro: 1,16%
  • Rendimento no ano: 9,23%

Poupança

  • Rendimento em setembro: 0,68%
  • Rendimento no ano: 5,04%

Ifix (Índice dos FIIs)

  • Rendimento em setembro: 0,49%
  • Rendimento no ano: 6,63%

Bolsa de Valores (Ibovespa)

  • Rendimento em setembro: 0,47%
  • Rendimento no ano: 4,98%

Ouro

  • Rendimento em setembro: 0,70%
  • Rendimento no ano: -13,03%

Dólar

  • Rendimento em setembro: 4,41%
  • Rendimento no ano: -3,11%

O que isso quer dizer? O economista e professor da Unioeste, Ronaldo Pagliotto, analisa que entre produtos selecionados, o Tesouro 2025 teve o melhor rendimento, seguido da poupança, Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix) e Ibovespa.

Que fatores influenciaram os ativos: Tesouro Selic 2025, poupança e principalmente Ifix e Ibovespa fecharam o mês com valores positivos por causa da alta da taxa Selic e da queda da inflação, explica o economista. Ele complementa que a elevação da taxa de juros dos Estados Unidos com vistas a combater a inflação também contribuiu para esse desempenho positivo.

A assessora de investimentos da Sym Investments, Giovana Torres, pondera que a economia está voltando aos eixos. Diferente das outras bolsas do mundo que tiveram aumento dos juros, o Ibovespa fechou setembro com uma leve alta pela expectativa alinhada ao mercado.

As construtoras listadas na Bolsa contribuíram positivamente, por se beneficiarem com o movimento da Selic. O mesmo vale para os fundos imobiliários, com a volta do fluxo das pessoas. A assessora chama atenção para o fato que as pessoas estão mais propensas a consumir, dando destaque aos fundos imobiliários de shopping em um movimento de alta.

Movimentos globais também impactam investidor no Brasil: Além disso, o desempenho abaixo do esperado de potências como a China e os EUA puxam o PIB global para um momento de desaceleração do crescimento econômico. O aumento da taxa de juros norte-americana fez com que o dólar se fortalecesse à frente de países emergentes, como o Brasil. Mas ela explica que - consequentemente - o ouro, que costuma ser a reserva de valor, acaba se desvalorizando.

E compensou a inflação? Todos esses ativos renderam acima da inflação medida pelo IPCA de setembro, que de acordo com o Boletim Focus passou de deflação de -0,15% para recuo de -0,19%. A mediana das projeções dos economistas para 2022 caiu de 5,88% para 5,74%. Em 2023 e 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) manteve a projeção de 5% e 3,5%, respectivamente.

Até o momento, não foi divulgado o índice oficial de setembro, portanto, esses ativos também renderam acima da inflação medida pelo IPCA IBGE referente ao mês de agosto que foi de -0,35%. Por enquanto, Torres acrescenta que tivemos mais um mês de deflação, então basicamente todos os investimentos tiveram rentabilidade acima.

O que fazer daqui para frente? Somando com a insegurança no período eleitoral que tende a mexer com a B3, a conjuntura econômica pede cautela neste momento, principalmente no curto e médio prazo. Para Torres, nessa onda de deflação, o investidor pode esperar que os títulos prefixados e indexados à inflação se desvalorizem, já os títulos mais longos seguem com a possibilidade de ganho, se acompanharem a taxa básica de juros.

Para o próximo mês, os investidores continuam monitorando o andamento do conflito da Ucrânia e Rússia, e os impactos disso para a Europa no que se refere a energia. No cenário brasileiro, o segundo turno é o ponto sensível nos ativos, pontua a assessora de investimentos.

Assim como no mês de agosto, o conselho continua ser ficar de olho no cenário econômico, pois a recuperação é lenta. Além da inflação que reduz a rentabilidade real, outros custos - taxa de custódia, taxa administrativa e Imposto de Renda, por exemplo - devem ser considerados na hora de investir.

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