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Ouro desbanca a poupança e supera a inflação. Como investir? Vale a pena?

O ouro fechou o mês de março de 2023 com valorização de 4,28% - Getty Images
O ouro fechou o mês de março de 2023 com valorização de 4,28% Imagem: Getty Images

Gabriela Bulhões

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/04/2023 04h00

Investir em ouro está rendendo mais que a poupança e o Ibovespa neste ano, e conseguiu superar a inflação. No ano passado, porém, esse ativo sofreu. Veja abaixo se vale a pena investir e como é possível colocar seu dinheiro em ouro.

Quanto rende investir em ouro?

O ouro rendeu 8,56% últimos 12 meses até março. Já desde o começo do ano, a alta foi de 4,97%.

Foi um dos três produtos financeiros que mais renderam. O CDI se valorizou 13,29% nos últimos 12 meses, e os títulos públicos renderam 10,83%. A poupança rendeu 8,33%. Os dados são da plataforma TradeMap.

Também ganha da inflação. O IPCA do período foi de 4,65%.

Por que o ouro subiu tanto?

É um porto seguro em tempos de turbulência. Ele também garante que o seu patrimônio não vai cair com a desvalorização do real em relação ao dólar, segundo Vitor Alan Ribas de Limar, assessor de investimentos da Vértua Investimentos.

Com a queda da Bolsa, alguns investidores migram para o ouro em vez de fazer a reserva no dólar. Por isso, os preços do metal sobem pela demanda, por exemplo.

É um investimento indicado para quem busca outros meios de proteger e diversificar o portfólio.

Investir em ouro é uma das mais antigas formas de proteger seu patrimônio e, apesar de outras formas terem surgido, se mantém como um ativo seguro e confiável.
Vitor Alan Ribas de Limar, assessor de investimentos da Vértua Investimentos

Como investir em ouro?

Uma opção é através dos fundos de investimentos (nacionais e internacionais) focados no metal.

Também dá para comprar ETFs, que são negociados na Bolsa de Valores. Eles são mais acessíveis que os fundos. Um exemplo é o ETF GOLD11.

Outra opção de investir no metal é pelo mercado de futuros. São contratos de compra e venda de produtos que só serão realizados no futuro. Essas operações oferecem um risco bem maior, mas que podem ser vantajosas com a ajuda de um profissional da área para traçar a melhor estratégia.

Dá para comprar ouro físico? Até é possível, com algumas burocracias. Só pode ser vendido por instituições financeiras autorizadas pelo CVM e Banco Central e é preciso fazer um cadastro para receber a autorização para ter ativo físico. Também precisa escolher um banco para guardar o ouro, que pode ser o mesmo que comprou. Se optar deixar em casa, tome cuidado para o metal não perder valor.

Comprar ouro físico não é eficiente. O assessor de investimentos da Vértua diz que isso tem caído cada vez mais em desuso, por causa da sua forma de armazenamento e segurança, além de ter uma baixa liquidez na hora de vender novamente.

Entre escolher o ouro ou outros investimentos, vai conforme o objetivo do investidor. Se for para se proteger da inflação e criar reserva de valor, pode valer a pena. Mas se for para buscar mais retorno, há outras possibilidades, afirma Lucas Eduardo Tereska, assessor e líder de SDR da Manchester Investimentos.

Também não esqueça dos custos de corretagem e negociação, que variam de acordo com cada instituição.

Fique atento aos riscos

O preço do ouro pode mudar e, por essa razão, é importante monitorar de perto as tendências do mercado antes de investir. Para um investidor focado no longo prazo, isso pode passar em branco, mas em um período mais curto pode assustar.

Preço pode cair se economia melhorar. Por mais que o metal seja um ativo buscado em crises como forma de proteção, é possível que se desvalorize caso as condições econômicas melhorem e outros investimentos se tornem mais atraentes.

Assim como os demais ativos do mercado, fique atento ao momento certo de entrada e saída. E, por isso, o auxílio de um profissional do mercado financeiro pode ser o fator decisivo na valorização de sua carteira e aumento de patrimônio, segundo o assessor Vitor Alan.

Vale investir em ouro agora?

A rentabilidade do metal vai muito da perspectiva futura do mercado. O ouro apresenta uma tendência de se valorizar quando há uma estimativa de aumento da inflação, e o melhor momento para compra é quando está mais barato, aproveitando as mínimas do ativo.

Ou seja, quando a economia está mais tranquila, há menos demanda e o valor fica mais acessível. Diferente de quando há riscos e o mercado fica tumultuado, encarecendo o ativo, segundo Tereska.

Ele diz que o ouro não gera riqueza como uma ação, por exemplo. É um tipo de investimento que tem um valor intrínseco, e a flutuação é referente a outras variáveis do mercado do que o ouro em si. A oferta e demanda é o que dita o ritmo. Ou seja, se investir agora, não necessariamente vai valorizar daqui a dez anos - vai depender da economia.

Apesar de ser contra intuitivo, a melhor época de comprar ouro é quando as pessoas não estão se preocupando muito em se proteger.
Lucas Eduardo Tereska, assessor e líder de SDR da Manchester Investimentos

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