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O que são treasuries e por que eles afetam seus investimentos?

Os treasuries ganharam destaque nos últimos meses, com as altas recentes dos juros nos Estados Unidos. Mas o que são esses títulos? Como eles funcionam? Confira abaixo.

Como funcionam os Treasuries?

Treasuries são um dos títulos da renda fixa americana. Eles são equivalentes aos investimentos do Tesouro Direto no Brasil. Na prática, o investidor empresta dinheiro ao Tesouro americano, que usa o recurso para financiar a sua dívida e fazer investimentos. Em troca, a pessoa recebe juros.

São considerados os investimentos mais seguros do mundo. Isso porque os EUA têm a maior economia do mundo, e o risco de um não-pagamento (default) é mínimo. Isso atrai muitos investidores, diz Pedro Canto, analista da CM Capital.

Há algumas opções de remuneração para escolher. Os títulos mais comuns são os prefixados, em que o investidor já sabe o quanto vai receber no momento da contratação, e pós-fixados pela inflação, em que o pagamento leva em conta a inflação do país mais uma taxa prefixada.

Esses títulos são uma maneira que o Tesouro americano tem para se financiar. Eles são fundamentais porque são compreendidos como ativos livres de risco de crédito. Se assume que é praticamente impossível de não pagar os seus credores.
André Muller, estrategista-chefe da AZ Quest

Por que o mercado está de olho nos títulos públicos dos EUA?

Taxa de juros nos EUA costuma ficar próxima de zero, mas está em níveis bem altos agora. Normalmente, os americanos investem mais em prefixados, afirma Alexandre Lohmann, economista-chefe da Constância Investimentos. Segundo ele, isso levou o mercado a dar pouca atenção à renda fixa do país. No cenário pós-pandemia, diversos países, entre eles o Brasil, aumentaram seus os juros para controlar a inflação, chamando mais a atenção dos investidores para esses investimentos.

EUA subiu os juros depois do Brasil. Até janeiro de 2022, a Fed funds, taxa básica de juro americano, estava entre 0% e 0,25% ao ano. Para conter os reajustes nos preços, o Federal Reserve (Fed) realizou diversos ajustes desde então. Em julho, o Fed aumentou a taxa em 0,25 ponto percentual, para entre 5,25% a 5,5% ao ano —maior nível desde 2007. No dia 1° de novembro, decidiu manter essa taxa de juros. Mas a inflação ainda está alta por lá.

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Alta acelerada dos juros puxou os treasuries. Os títulos prefixados do Tesouro americano com vencimento de dois anos tinham retorno de 5,5% ao ano, o maior retorno desde maio de 2006. Da mesma forma, os títulos com prazo de dez anos ofereciam retorno de 4,88% ao ano, o patamar mais elevado desde abril de 2007. Os dados são do consultor independente Einar Rivero.

Inflação alta incentiva taxa elevada. Para Muller, da AZ Quest, a inflação, ainda que em desaceleração, segue consistente. "Então, o BC americano adotou um discurso mais conservador, de que vai manter a taxa mais alta por um tempo", diz.

A perspectiva é que a taxa continue alta até que a inflação ceda. "O surpreendente é que isso está demorando mais do que o esperado. Mas isso deve, de fato, acontecer", diz Muller. Ele afirma que a gestora tem optado por trabalhar com taxas com prazos menores, como de dois anos, para evitar exposição a riscos estruturais da economia norte-americana.

Qual o impacto dos juros americanos nas Bolsas de todo o mundo?

Juros altos nos EUA incentivam que investidores do mundo todo migrem o dinheiro para eles. Isso enfraquece outras moedas e afeta as Bolsas de Valores de forma negativa.

No caso do Brasil, dinheiro estrangeiro pode ir embora. As taxas americanas mais altas diminuem a atratividade dos títulos públicos locais e podem levar a um saída de capital. Isso afeta mais as empresas de tecnologia, startups e fintechs, que normalmente têm o fluxo de caixa projetado para o futuro.

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Com menos dólares no país, o câmbio é desvalorizado, e a inflação sobe. É o que diz Marcelo Boragini, sócio e especialista em renda variável da Davos Investimentos. "Por agora, esse risco é relativamente controlado no Brasil porque a taxa Selic está alta, acima de dois dígitos ao ano", diz.

Crédito mais caro. Diversos países usam os juros dos EUA como parâmetro. A tendência é que se os juros sobem nos EUA, eles tendem a subir em todo o mundo. Isso também tende a encarecer as operações de crédito, diz Canto, da CM Capital.

Temos visto os juros em níveis de 2016, com a Nasdaq [Bolsa americana de tecnologia] caindo mais do que, por exemplo, do que Dow Jones [índice com mais bancos e indústrias]. O impacto dos juros americanos é inverso nas Bolsas. Quanto mais os juros sobem, maior a taxa de desconto da ação e menos a empresa vale no presente. O impacto é direto nos mercados globais.
Pedro Canto, analista da CM Capital

Como investir nos Treasuries, títulos públicos dos EUA? Quanto custa?

Dá para investir diretamente em títulos de renda fixa do Tesouro americano, mas sai caro. Cada título custa em torno de US$ 50 mil. É uma forma de ganhar com a renda fixa americana, já que os juros estão em alta. Outros títulos de empresas estão disponíveis por cerca de US$ 10 mil e fundos de investimentos saem a partir de US$ 2.000.

É possível investir em fundos com R$ 5. Na conta global do C6 e na Nomad, o investidor pode investir a partir de US$ 100 (R$ 500) na renda fixa norte-americana. Como alternativa mais acessível, as duas instituições oferecem os ETFs (os fundos de índice) por a partir de US$ 1 (R$ 5). "Entretanto, é sempre importante lembrar que o valor de mercado dos ETFs pode sofrer variações, principalmente aqueles que investem em títulos com períodos mais longos", afirma Lohmann, da Constância.

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O primeiro passo é saber se esse tipo de investimento combina com o seu perfil. Depois, procure uma corretora especializada em aplicações no exterior. Assim, você não precisará fazer a troca de moedas por conta própria, porque a própria instituição faz a conversão do câmbio.

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