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Dá para investir em bitcoin de maneira mais simples e acessível com ETFs

A SEC (Securities and Exchange Commission), órgão dos Estados Unidos equivalente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) brasileira, deu o aval para a listagem em Bolsa de ETFs (fundos de índices) de bitcoin à vista.

Analistas consultados pelo UOL estão otimistas com a mudança, já que agora é possível investir na criptomoeda de forma indireta, o que pode impulsionar o setor. Entenda abaixo.

O que está acontecendo

A SEC aprovou, em janeiro, a listagem de ETFs de bitcoin à vista em Bolsa. Até então, os fundos de índices, como são conhecidos esses fundos atrelados a um índice de referência, só poderiam ter ETFs de bitcoin no mercado futuro.

Na prática, até então não era possível investir na criptomoeda em si por meio de ETFs, mas em contratos futuros daquele ativo. Era possível investir comprando a criptomoeda em si, o que traz complexidades.

Quais os impactos para o investidor e empresas

Mudança traz facilidades para os investidores. Ricardo Dantas, CEO da corretora de criptomoedas Foxbit, diz que agora é possível investir em bitcoin a partir de um fundo, sem que o próprio usuário tenha que administrar as suas criptomoedas. Os ETFs também são conhecidos como "condomínios" de investidores, já que eles aplicam os recursos em conjunto. Cada investidor se torna dono de uma fração do fundo.

Repercussão no mercado é positiva. A partir desses fundos, a expectativa é que investidores de varejo e institucionais, que não querem a responsabilidade de gerenciar seus ativos diretamente, se sintam encorajados a investir no setor, afirma Dantas. Isso, portanto, poderá ampliar a percepção de outros mercados sobre as moedas digitais.

Nova regra ajuda na adoção do bitcoin em massa. Essa abordagem amigável torna a principal criptomoeda mais acessível a um público mais amplo, permitindo que pessoas com conhecimento técnico limitado invistam em criptomoedas, diz Diego Guareschi, CMO da Hathor Labs, startup brasileira mantenedora da rede blockchain Hathor Network.

Medida também beneficia empresas de criptomoedas e demais segmentos. A aprovação de um ETF de Bitcoin representa um passo significativo para a legitimação e a adoção institucional da moeda digital, afirma Willian Ou, CEO da token.com no Brasil. Com a possibilidade de aumento na demanda por bitcoin, setores como blockchain e web3 (a nova fase da internet, agora descentralizada) podem ser impulsionados.

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Expectativa é de aprovação de outros criptoativos. Um exemplo são ETFs à vista de ethereum, criptomoeda também popular entre investidores, ampliando assim as opções no mercado norte-americano. Em novembro, a BlackRock, gestora com quase US$ 9 trilhões em ativos sob gestão, pediu a aprovação de um ETF de ethereum junto à SEC.

Ficou mais fácil negociar bitcoin

A aquisição direta de bitcoin exige conhecimento sobre a tecnologia blockchain, a segurança de carteiras digitais e a gestão de chaves privadas. No ETF, essas tarefas ficam mais a cargo dos gestores dos fundos, diz Cauê Mançanares, CEO da Investo. Embora uma opção mais acessível e menos técnica seja a aquisição por meio das corretoras, há desafios em áreas menos reguladas, com maior exposição a fraudes, problemas de liquidez (disponibilidade do dinheiro imediata, em caso de necessidade) e segurança.

ETFs de bitcoin são opção mais segura. Isso comparando o risco entre o investimento do fundo e a compra direta da moeda, segundo Maria Eduarda Narcizo, community manager da exchange LoopiPay. Outro ponto é que os ETFs apresentam orientações tributárias mais claras.

Mas ETFs também têm limitações. A restrição de negociação aos horários comerciais do mercado e a imposição de taxas de administração são algumas delas. Por outro lado, a compra direta de bitcoin não possui qualquer taxa e pode ser feita 24 horas por dia.

Quais corretoras oferecem os ETFs hoje? São elas a Bitwise, a Grayscale e a brasileira Hashdex. Todas terão seus fundos listados na Bolsa de Nova York (NYSE).

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Bitcoin pode se valorizar

A criptomoeda pode subir, principalmente pela chegada de capital institucional, que poderia aumentar significativamente a demanda. Maria Eduarda, da LoopiPay, diz que, historicamente, a aprovação de ETFs em outras classes de ativos resultou no aumento dos preços. "Um ETF de Bitcoin poderia não apenas desbloquear uma onda de liquidez, mas também contribuir para uma maior estabilidade e crescimento do mercado de criptoativos", diz.

Sucesso de bitcoin pode incentivar outros ETFs. A expectativa é que outros gestores de fundos submetam propostas de ETFs de criptoativos à SEC, diversificando assim as opções disponíveis para os investidores, afirma Mançanares, da Investo. Além disso, considerando a agilidade crescente no ambiente regulatório, a SEC pode acelerar suas decisões.

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