PUBLICIDADE
IPCA
0,73 Dez.2021
Topo

Grupo imobiliário chinês Evergrande planeja reestruturação da dívida

07/12/2021 10h44

Pequim, 7 dez 2021 (AFP) - O grupo imobiliário chinês Evergrande está planejando o que poderá virar a maior reestruturação de uma dívida na China e que reuniria todas as suas obrigações 'offshore', segundo informações da imprensa.

As dificuldades da empresa, com uma dívida superior a 300 bilhões de dólares, provocaram inquietação nos mercados e para o conjunto da economia da China, que tem 25% de sua riqueza procedente do setor imobiliário.

Os períodos de carência para quitar os juros de dois títulos de 82,5 milhões de dólares terminaram na segunda-feira e, caso não tenham sido cumpridos, seriam as primeiras faltas de pagamento do grupo que até agora conseguiu evitar a falência.

Evergrande dispõe de um período de carência de um mês adicional para regularizar sua situação.

Segundo a Bloomberg, vários credores estrangeiros ainda não foram pagos.

Já em setembro, o grupo não conseguiu cumprir vários prazos e suspendeu sua listagem na Bolsa de Valores de Hong Kong. Mas Evergrande conseguiu reembolsar seus credores antes do término do período de carência.

Segura de sua força financeira, Evergrande investiu nos últimos anos em uma infinidade de setores (turismo, digital, seguro de saúde ainda veículos elétricos), o que explica em parte sua dívida abismal.

Mas as autoridades chinesas, preocupadas com o aumento da dívida do setor imobiliário, no ano passado impuseram índices prudenciais às incorporadoras para reduzir o recurso a empréstimos.

Este aperto regulatório marcou o início dos problemas financeiros para Evergrande.

Em setembro, a empresa admitiu pela primeira vez que poderia não ser capaz de honrar todos os seus compromissos.

E, raro na China, dezenas de proprietários lesados, não tendo recebido a entrega de seu apartamento, protestaram por vários dias em frente à sede do grupo em Shenzhen (sul).

No âmbito da reestruturação, a Evergrande anunciou na segunda à noite a criação de um "comitê de gestão de crise", integrado por sete pessoas (dois executivos do grupo e cinco dirigentes de entidades estatais).

O comitê foi criado "em vista dos desafios operacionais e financeiros" que a Evergrande enfrenta, de acordo com um comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong.

A criação do órgão indica um maior envolvimento do governo chinês, que há alguns dias convocou os executivos da Evergrande depois que afirmarem que poderiam ficar sem recursos para cumprir suas obrigações.

O governo da província de Cantão enviará uma equipe de trabalho à empresa, o que analistas da consultoria Jefferies interpretaram como "uma possível tomada de controle da Evergrande".

A medida parece ter tranquilizado, por enquanto, os mercados: as ações da Evergrande subiam nesta terça 1% em Hong Kong, após uma queda de 14% na véspera.

Os investidores também tomaram nota do "apoio" ao setor imobiliário proclamado pelo governo após uma reunião presidida pelo chefe de Estado Xi Jinping.

Três dias antes, Evergrande havia avisado mais uma vez que poderia não ser capaz de cumprir suas obrigações financeiras.

A intervenção do governo marca "o início oficial da reestruturação da dívida da Evergrande", acredita o analista Lu Ting, do banco de investimento Nomura.

Além disso, a agência Bloomberg News informou que a Evergrande planejava incluir as obrigações de seus títulos 'offshore' públicos e privados em uma reestruturação.

bys/rox/leg/dbh/yow/fp

China Evergrande Group

W.R. GRACE AND COMPANY

NOMURA HOLDINGS

JEFFERIES GROUP

PUBLICIDADE