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Bancos chineses podem ser forçados a vender títulos

Bloomberg News

(Bloomberg) -- A repressão aos bancos que escondem empréstimos de liquidação duvidosa na China parece prestes a desencadear uma onda de captação de recursos justamente em um momento em que os investidores internacionais alertam para riscos ao sistema financeiro.

Novas regras exigem que os bancos realizem provisões integrais para os direitos de empréstimo que transferiram a outras instituições financeiras, disseram pessoas familiarizadas com o assunto na semana passada. Os bancos precisarão levantar até 1 trilhão de yuans (US$ 154 bilhões) em capital durante vários anos se as regras forem aplicadas à sua exposição total ao crédito paralelo, de cerca de 12 trilhões de yuans, segundo estimativas da Sanford C. Bernstein & Co.

Os bancos da China vêm canalizando empréstimos por meio de planos ou trusts de gestão de ativos, o que dificulta a tarefa das autoridades de conter uma dívida cada vez maior em meio ao crescimento econômico mais lento em 25 anos. O bilionário investidor George Soros disse em 20 de abril que a China lembra os EUA antes da crise financeira de 2008, e o gerente de hedge fund Kyle Bass disse em uma conferência, na Califórnia, na quarta-feira, que o sistema financeiro chinês está em estado "precário".

"Os bancos chineses poderiam enfrentar uma significativa pressão de capital a curto prazo", disse Liao Qiang, analista da S&P Global Ratings em Pequim. "O aumento da pressão de capital poderia levar os bancos a vender instrumentos híbridos de capital".

Os bancos chineses, maiores emissores de instrumentos que cumprem com os padrões da Basileia III, com US$ 194 bilhões em circulação, estão reduzindo esses produtos neste ano após dois anos de vendas recorde. Até esta altura de 2016, eles venderam US$ 15,5 bilhões em títulos híbridos contados como capital, contra US$ 19 bilhões no mesmo período do ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Os bancos que canalizam empréstimos por meio de planos de gestão de ativos os registram como recebíveis, e não como empréstimos, o que lhes permite driblar os requisitos de capital. Os empréstimos inadimplentes deram um salto de 51 por cento no ano passado, atingindo 1,27 trilhão de yuans, maior valor em uma década, e os bancos têm dificuldades para fazer frente às necessidades de provisionamento. Embora as novas regras se apliquem apenas aos direitos do beneficiário do empréstimo, e não aos direitos do beneficiário do trust e dos planos de gestão de ativos designados, a Sanford Bernstein disse que a abrangência pode ser ampliada.

"Com a nova regra em vigor, é mais difícil que os bancos minimizem seus empréstimos inadimplentes e cortem provisões", disse Wei Hou, analista da Sanford Bernstein em Hong Kong. "Embora a quantidade em circulação de direitos de beneficiários de empréstimo dos bancos não seja tão grande, este é só um princípio em que os órgãos reguladores começarão a conhecer o verdadeiro perfil de risco dos bancos chineses".

Hou estima que os bancos tenham 30 bilhões de yuans em direitos de beneficiários de empréstimos transferidos. Os dois telefonemas da Bloomberg para a assessoria de imprensa da Comissão Reguladora Bancária da China (CBRC, na sigla em inglês) não foram atendidos e o órgão regulador não respondeu às perguntas enviadas por fax.

A China colocou em vigor exigências de capital mais estritas a fim de cumprir os padrões da Basileia III em janeiro de 2013, aumentando os desafios para um setor que já enfrentava um crescimento mais lento nos lucros. O Bank of China foi o primeiro banco chinês a vender ações preferenciais, com uma emissão de US$ 6,5 bilhões em 2014.

A CLSA Asia-Pacific Markets estimou, em um relatório de 4 de maio, que o índice de empréstimos inadimplentes do setor bancário da China está em 15 por cento a 19 por cento. A projeção contrasta com o número oficial para o final de 2015, de 1,67 por cento, o mais alto desde 2009.

Sanford Bernstein, S&P e CreditSights projetam que os bancos menores enfrentarão uma pressão maior para captar recursos porque têm uma exposição maior aos empréstimos paralelos.

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