Estrategistas de Wall Street mudam o tom após vitória de Trump

Julie Verhage

(Bloomberg) -- Antes de 8 de novembro, os analistas faziam alertas tenebrosos sobre os mercados do mundo todo se Donald Trump surpreendesse com uma vitória na eleição presidencial.

"A vitória de Trump poderia reduzir o crescimento do PIB global em 0,7-0,8 ponto percentual, segundo nossas estimativas, levando facilmente o crescimento do PIB para abaixo da nossa referência para uma recessão global", alertava em agosto o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter.

"Esperamos que a posição dele em questões relativas a comércio seja o foco dos mercados caso seja eleito, considerando a maior autoridade unilateral do presidente nessa área. O aumento da incerteza seria um fator negativo de curto prazo para ativos de risco, como as ações", escreveram analistas do Goldman Sachs Group em setembro.

"Nossa equipe econômica acredita em um impulso de curto prazo ao crescimento do PIB pelos cortes de impostos, mas esperamos estagflação rapidamente com o avanço dos preços dos importados e a contração da força de trabalho imigrante.

Isso seria negativo para as bolsas dos EUA, particularmente com uma política mais apertada pelo Fed", disse um analista do HSBC Group em outubro, se referindo ao banco central americano. "Também há implicações significativas - e talvez maiores - para as bolsas globais, diante do potencial para crescimento global menor, maior protecionismo e volta das guerras cambiais."

Mas três semanas depois da eleição, as bolsas americanas continuam batendo recordes. E enquanto tentam decodificar o impacto das promessas de campanha do republicano sobre seus setores de cobertura, os analistas adotaram um tom muito diferente.

Embora os analistas estejam "sugerindo que ainda existe incerteza sobre o impacto em nível setorial, a maioria dos setores antecipa efeitos favoráveis", segundo relatório divulgado pelo Goldman Sachs Group nesta semana.

Profissionais do JPMorgan Chase também ficaram mais otimistas, apostando em alta de quase 10% para o S&P 500 até o fim de 2017. "O espaço para alta das ações estará fortemente vinculado à melhora da entrega de lucros", escreveram. As "perspectivas de politicas fiscais expansionistas com um pano de fundo de política monetária relativamente relaxada tendem a sustentar redefinição adicional dos múltiplos das ações".

Estrategistas do Société Générale também preveem alta das ações no ano que vem. "Após pouca variação em 2016, esperamos que as bolsas globais entreguem retornos maiores em 2017, graças a crescimento econômico mais forte, índices de inflação mais altos e políticas mais ativas por parte dos acionistas."

Não foi só em Wall Street que as opiniões mudaram.

Em pesquisa realizada em outubro, a Charles Schwab descobriu que 34% dos clientes sondados entendiam que Trump teria "grande impacto negativo" sobre a economia americana no curto prazo e que apenas 14% tinham a mesma impressão sobre Hillary Clinton. No entanto, na semana passada, a confiança do consumidor disparou e indivíduos expressaram maior otimismo em relação a seu futuro financeiro.

Executivos de empresas também mudaram o palavreado e agora salivam com a perspectiva de cortes de impostos e potencial subsídio fiscal à repatriação de dinheiro guardado no exterior.

Nem todos em Wall Street delineavam cenários assustadores para uma vitória de Trump antes da eleição. O responsável por pesquisa global de câmbio e juros do Bank of America Merrill Lynch, David Woo, declarou à Bloomberg TV em setembro que "a economia dos EUA decolaria de modo grande" se Trump fosse eleito e o Partido Republicano ganhasse controle das duas casas do Congresso no ano que vem. O otimismo dele era motivado principalmente pelas propostas de estímulo fiscal apresentadas por Trump durante a campanha.

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