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Juro pode ter corte maior com quedas do PIB, inflação e dólar

Josué Leonel

(Bloomberg) -- O Banco Central deve começar o ano de 2017 acelerando o ritmo de corte da taxa Selic para no mínimo 0,50 ponto percentual, após dois cortes consecutivos de 0,25 ponto, segundo as projeções embutidas nos contratos de juros futuros negociados na bolsa. Alguns analistas vão além: com a recessão demorando para passar, as expectativas de inflação recuando para níveis próximos da meta e o dólar devolvendo a alta causada pela eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, seria possível até mesmo um corte ainda mais agressivo, de 0,75 ponto.

Para o BC, seria "ousado demais" sair do conservadorismo do corte anterior, de apenas -0,25 ponto, para -0,75 ponto já neste Copom, diz David Beker, economista-chefe do BofAML no Brasil.  O economista espera um corte de 0,50 ponto no Copom da semana que vem e considera haver espaço para o ritmo passar a 0,75 ponto nas reuniões seguintes. "O discurso do Banco Central tem deixado claro o espaço para aceleração no ritmo de cortes."

Analistas do mercado citam o próprio discurso recente das autoridades monetárias, apontando fatores como a fraqueza da atividade e a melhora das expectativas de inflação, como sinal evidente de que a Selic cairá em ritmo maior. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse em 12 de dezembro que o BC considera importante atingir a meta da inflação, mas é "sensível" à atividade.

Na quinta-feira, os contratos de juros futuros caíram acompanhando a baixa do dólar e após a produção industrial crescer menos que o esperado em novembro. O Banco Santander revisou para baixo sua previsão para o PIB no quarto trimestre do ano passado de -0,2% para -0,5%. Nesta sexta, outro fator se juntou para pressionar os juros futuros para baixo: a decisão da Petrobras de elevar apenas o preço do diesel, e não o da gasolina como o mercado esperava, sugerindo um menor impacto na inflação.

Entre oito economistas que já incluíram seus números em pesquisa da Bloomberg, seis esperam corte de 0,50 ponto, um, do Societe Generale, estima -0,25 ponto e outro, da ARX, projeta -0,75 ponto. O Banco Itaú e o Fibra revisaram sua projeção, que era de -0,50, para -0,75.

A maioria dos economistas, que sustentam a previsão de corte de 0,50 ponto da Selic, tem um arsenal de argumentos de cautela. Entre eles estão a incerteza com o governo Trump, que começa no dia 20 e ainda pode causar volatilidade no câmbio, e o próprio fato de as reformas fiscais do governo, apesar dos avanços recentes, ainda contarem com desafios de peso, como a mudança na Previdência.

Mesmo a inflação ainda traz incertezas, apesar de a surpresa recente dos índices, que trouxe a boa novidade de o IPCA fechar 2016 provavelmente abaixo do teto da meta, de 6,5%. Bruno Rovai, economista do banco Barclays, lembra que o BC tem insistindo bastante sobre a resistência dos preços de serviços parar de subir. O ponto que o BC vem colocando, diz Rovai, é: "como é que, em economia em recessão, com taxa de desemprego superalta, ainda não se consegue deflacionar serviços de forma consistente?".

--Com a colaboração de Marisa Castellani Patricia Lara e Vinícius Andrade 

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