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Milho barato oferece alívio à industria de frango do Brasil

Gerson Freitas Jr. e Tatiana Freitas

(Bloomberg) -- Ainda chamuscadas pelo escândalo da carne, as processadoras brasileiras de aves têm pelo menos um motivo para respirar um pouco mais aliviadas: o custo da ração usada para alimentar os frangos despencou.

O preço do milho, principal item das rações, caiu 28 por cento neste ano, ao menor nível desde agosto de 2015, à medida que a perspectiva de uma superoferta do grão no país torna-se mais concreta. Trata-se de uma situação inversa à do ano passado, quando a falta do grão causada por uma seca afetou duramente os resultados das das produtoras de frango, inclusive os da maior exportadora, a BRF.

Trata-se de um alívio bem-vindo, no momento em que as empresas ainda tentam se recuperar do impacto causado pela operação Carne Fraca, que levou países como China, África do Sul e México a aplicarem restrições aos embarques do Brasil. Embora as suspensões tenham sido em grande parte revertidas em questão de dias, o volume de exportações encolheu nas últimas semanas. 

"O milho está sendo grande ajuda neste ano", disse Camila Ortelan, analista do Cepea, centro de pesquisa em agricultura da Universidade de São Paulo, em entrevista por telefone. "Os spreads do setor estão finalmente retornando a níveis relativamente confortáveis."

Mais rentável

Com quase 80 por cento do custo de produção dos frangos vindo da ração, a relação entre o preço da ave resfriada e o dos grãos utilizados na ração -- uma medida da rentabilidade do setor -- atingiu o nível mais elevado em pelo menos 16 meses, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A queda nos preços dos grãos oferece ainda um alívio para o Brasil, que ainda se recupera da pior recessão em um século. No ano passado, os preços do milho chegaram a subir 50 por cento, forçando produtores de frango de todos os tamanhos a fechar plantas, cortar turnos de trabalho e impor licenças a curto prazo para reduzir a produção. O aumento dos custos levou a BRF a reportar um prejuízo líquido de R$ 411 milhões (US$ 131 milhões) em 2016, o pior resultado já reportado pela companhia, enquanto as margens da Seara, controlada pela JBS, caíram pela metade.

A perspectiva para os próximos meses parece positiva para os compradores de milho. Os preços domésticos do Brasil têm espaço para novas quedas porque as condições climáticas ajudam o desenvolvimento do milho no inverno após uma colheita recorde no verão, disse Ana Luiza Lodi, analista da INTL FCStone.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou na terça-feira que a produção total de milho do Brasil subirá para um recorde de 91,5 milhões de toneladas. Trata-se de um salto de 38 por cento em relação à safra anterior. As colheitas maiores por toda a América do Sul ajudarão a elevar os estoques globais do grão a um recorde histórico, informou o Departamento de Agricultura dos EUA na terça-feira. Os estoques do Brasil provavelmente mais do que dobrarão até o fim da temporada atual.

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