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Bancos centrais não estão prontos para fragilidade da economia

Fergal O'Brien e Marcus Bensasson

24/09/2018 11h13

(Bloomberg) -- A economia global parece instável e o economista-chefe do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) diz que os bancos centrais podem ficar impotentes se tudo der errado.

Claudio Borio, crítico de longa data da flexibilização da política monetária, aproveitou a última Análise Trimestral do BIS para destacar novamente que os bancos centrais ficaram sobrecarregados depois da crise financeira global. Ele disse que efeitos colaterais são inevitáveis, inclusive turbulências nos mercados, como a observada nos mercados emergentes em resposta ao ajuste feito pelo Federal Reserve e à valorização do dólar.

Dado o esgotamento de seu poder de fogo, isso também significa que os responsáveis pelas políticas monetárias não estão preparados para a próxima recessão.

"Como as taxas de juros continuam excepcionalmente baixas e os balanços dos bancos centrais continuam inchados como nunca, resta pouco na caixinha de remédios para restabelecer a saúde do paciente ou para cuidar dele em caso de recaída. Além disso, a reação política e social contra a globalização e o multilateralismo aumenta essa febre."

Na semana passada, a OCDE alertou que o crescimento global se estabilizou por causa das tensões comerciais e da volatilidade dos mercados emergentes, embora tenha afirmado que a recuperação continuará. A visão de Borio é que, independentemente do que acontecer, o caminho não será tranquilo, e este é o preço de anos de estímulo excessivo. Continuando com sua metáfora de saúde, ele disse que as recentes mudanças no mercado "são semelhantes aos sintomas de abstinência de um paciente".

Os problemas do mercado emergente contrastam fortemente com a evolução das economias avançadas, já que os principais índices de referência das ações dos EUA atingiram novos picos nesta semana. Isso poderia ser outro motivo de preocupação.

"Os mercados nas economias avançadas ainda estão sobrecarregados e as condições financeiras continuam fáceis demais", disse Borio. "Acima de tudo, tem muita dívida por aí... Os responsáveis pelas políticas e os participantes do mercado precisam se preparar para uma convalescença longa e agitada."

Na análise, o BIS também afirmou que os anos de juros baixos geraram uma onda de empresas zumbis que estão derrubando a produtividade nas economias avançadas. O economista-chefe do Banco da Inglaterra, Andy Haldane, havia observado anteriormente a ligação entre juros e produtividade, mas argumentou que o custo das taxas mais altas - a perda de empregos quando as empresas têm que fechar - significava que o trade-off não valeria a pena.

O BIS reconheceu esse dilema, mas sugeriu que proteger as empresas zumbis poderia acabar deprimindo ainda mais os juros.

"O que nossos resultados significam para a política dos bancos centrais? Entre outras coisas, eles destacam um trade-off difícil. Juros menores impulsionam a demanda agregada e aumentam o emprego e o investimento no curto prazo. Mas a maior prevalência de zumbis gerados pelos juros mais baixos resulta em recursos mal destinados e pesa no crescimento da produtividade. Se este efeito for forte o suficiente para reduzir o crescimento, isso poderá até deprimir ainda mais as taxas de juros."

Repórteres da matéria original: Fergal O'Brien em Zurique, fobrien@bloomberg.net;Marcus Bensasson em Atenas, mbensasson@bloomberg.net

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