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Análise: Desvalorização do yuan poderia desencadear 'guerra cambial'

Enda Curran

05/08/2019 15h04

(Bloomberg) -- A decisão da China de desvalorizar a moeda local, o yuan, para o nível mais baixo em mais de uma década pode abrir uma nova frente para os bancos centrais mundiais: uma guerra cambial.

Isso vai depender dos próximos passos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China. Se Pequim permitir que o yuan continue bem distante de 7 por dólar, seria um claro sinal de que o país desistiu de tentar acalmar o presidente dos EUA. Trump se vangloria da série de tarifas impostas à China até que haja um acordo, o que poderia elevar as taxas ainda mais como resposta.

A desvalorização do yuan e o impacto sobre outras moedas de mercados emergentes também são uma dor de cabeça para o Banco do Japão e Banco Central Europeu, cujas próprias economias enfraquecidas não precisam de um iene ou euro mais fortes.

"A guerra comercial EUA-China prepara o cenário para uma guerra cambial que pode acabar envolvendo muitos dos principais bancos centrais ao redor do mundo", disse Eswar Prasad, ex-chefe da divisão do FMI na China e autor de "Gaining Currency: The Rise of the Renminbi".

Juros

Bancos centrais de economias emergentes foram pegos no fogo cruzado na segunda-feira com moedas em queda em toda a Ásia. A escalada comercial complica os planos de economias menores de apoiar o crescimento com juros mais baixos.

"O yuan acima de 7 representa águas desconhecidas para o mercado e bancos centrais em todo o mundo", disse Hui Feng, pesquisador sênior do Griffith Asia Institute e coautor de "The Rise of the People's Bank of China". "Seria vital para o banco central da China enviar um sinal claro, confiável e forte sobre onde a linha seria desenhada na areia para acalmar o mercado."

Embora o banco central chinês tenha se comprometido a manter a moeda estável e economistas digam que deixar o yuan romper a marca de 7 foi inevitável dadas as pressões sobre a economia chinesa, o panorama ainda é frágil.

Alguns especialistas não se incomodam com o último movimento da moeda. "Não há nada mágico sobre o 7, e o mercado tem antecipado essa medida há algum tempo", disse Andy Rothman, ex-diplomata dos EUA em Pequim, hoje estrategista de investimentos na Matthews Asia.

A desaceleração do crescimento e a escalada das tensões comerciais já forçaram muitos bancos centrais a cortar as taxas de juros este ano, embora muitos questionem se a política de afrouxamento será eficaz para aliviar o impacto da guerra comercial sobre a confiança empresarial e sobre os planos de expansão.

"Se o governo dos EUA realmente tentasse enfraquecer o dólar, isso seria uma má notícia para os formuladores de políticas na Europa e no Japão. Em ambos os lugares, a apreciação da moeda seria muito indesejável em um momento em que o crescimento já está enfraquecendo", disse Louis Kuijs, economista-chefe para Ásia na Oxford Economics, de Hong Kong.

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