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Argentina é contra reestruturação de dívida de empresa agrícola

Ente de Turismo de la Ciudad de Buenos Aires/Divulgação
Imagem: Ente de Turismo de la Ciudad de Buenos Aires/Divulgação

Pablo Gonzalez

03/01/2020 13h34

O maior banco da Argentina planeja se opor a qualquer tentativa da Vicentin SAIC para reestruturar uma dívida de US$ 900 milhões, sugerindo que a empresa agrícola venda ativos para pagar suas obrigações antes de buscar ajuda, segundo pessoas a par do assunto.

Autoridades do Banco de la Nácion, nomeadas pelo novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, disseram à Vicentin que a empresa precisa levantar recursos agora. As autoridades do banco estatal também investigam irregularidades em um empréstimo feito à empresa, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas.

A postura mais rígida frente a um dos maiores exportadores de soja do país está alinhada com o governo de esquerda que assumiu o poder no mês passado com a promessa de adotar uma abordagem menos tolerante com o setor privado. Fernández prometeu priorizar as necessidades dos cidadãos comuns e eliminar os privilégios que, segundo ele, costumam fazer parte de acordos de bastidores que favorecem grandes corporações e os ricos.

A visão do Banco Nación é fundamental porque a instituição é a maior credora da Vicentin, que no mês passado não fez um pagamento de US$ 350 milhões a agricultores em meio à crise do país, cuja economia depende do agronegócio. O Banco Nación, então sob o controle do antigo governo, havia aprovado uma linha de crédito para cobrir o rombo, segundo pessoas a par do assunto.

Mais dinheiro

Além disso, a Vicentin obteve um empréstimo não garantido de US$ 300 milhões do Banco Nación durante o governo anterior, que foi aprovado pelo conselho, mas não passou pelo departamento de financiamentos do banco, segundo as pessoas. As autoridades agora investigam as circunstâncias do empréstimo, disseram as pessoas.

O ex-presidente do conselho do banco estatal, Javier Gonzalez Fraga, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A assessoria de imprensa do Banco Nación não quis comentar. A empresa de relações públicas da Vicentin na Argentina também não quis comentar.

Eduardo Hecker e Matias Tombolini, nomeados por Fernández como presidente e vice-presidente do banco, ordenaram que os membros do conselho só concedam empréstimos sem garantia aprovados por executivos do banco, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Hecker se reuniu com pelo menos um dos acionistas da Vicentin, Alberto Padoan, para comunicar que a empresa precisaria vender ativos para pagar dívidas.

Padoan teria dito que isso não seria possível porque os preços oferecidos no momento são muito baixos, disseram as pessoas.

Com sede na província de Santa Fé, a empresa é a maior exportadora de farelo de soja e óleo da Argentina, que é a maior exportadora dos produtos.

A Vicentin, que no ano passado embarcou 5,3 milhões de toneladas de farelo e óleo de soja, segundo registros públicos, ainda não apresentou nenhum pedido formal para proteger seus ativos na Justiça, segundo o porta-voz externo da assessoria de imprensa da empresa.

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