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Doria defende aumento gradual da contribuição de servidores à Previdência

Adriana Fernandes, enviada especial

Davos

22/01/2019 17h00

Em Davos para o Fórum Econômico Mundial, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), defendeu a adoção gradual do aumento da contribuição para a Previdência pelos servidores públicos. Segundo ele, o aumento é necessário, mas teria de ser adotado com gradualismo para não "machucar" o planejamento financeiro dos servidores.

"É necessário. Até para preservar as condições dos servidores receberem seu salário em dia. E tendo suas vantagens pagas em dia", disse Doria ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Os governadores querem o aumento da contribuição feita pelo servidor de 11% para 14%. Segundo ele, 22 dos 27 governadores vão articular as bancadas para aprovar a reforma.

Para ele, a mobilização dos governadores no novo cenário político, depois das eleições, é determinante. "Muitos líderes perderam as eleições e, com isso, não têm mais aquele colégio de líderes que tinha no final do último mandato que, pela liderança, já podiam dar voz de comando para os seus deputados", avaliou.

Doria disse que a maior preocupação dos investidores em Davos com o Brasil é de ordem econômica: "A reforma da Previdência e a manutenção do projeto liberal do Paulo Guedes. Nesse universo de Davos, o Paulo é um agente garantidor do Brasil", afirmou.

O governador está em Davos para apresentar o Plano de Privatização e Investimentos do Estado de São Paulo aos investidores internacionais e se encontrou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que está hospedado no mesmo hotel.

Veja abaixo a entrevista do governador Doria ao Broadcast.

O senhor se encontrou com Guedes e conversou sobre a reforma?

A conversa com Paulo Guedes foi muito focada na reforma da Previdência. Tanto ele como eu entendemos que a reforma é primordial para o país. Se fizemos a reforma, muda o país de maneira rápida e concreta e abre as comportas para os investimentos internacionais. Aqui em Davos, há uma expectativa em relação a um conjunto de reformas, especificamente a Previdência.

Mas os investidores manifestaram preocupação com a possibilidade de o Congresso não aprovar?

O Congresso vai dar apoio. Eu estou confiante.

Baseado em que esse otimismo?

Eu tenho conversado com os governadores. A expressiva maioria apoia a reforma. E a expressiva tem bancada, essa mobilização dos governadores vai ser determinante para a votação favorável. Muitos líderes perderam as eleições e, com isso, não têm mais aquele colégio de líderes que tinha no final do último mandato que, pela liderança, já podiam dar voz de comando para os seus deputados. Numa eleição dura, o vínculo mais forte agora são as bancadas que apoiam os governadores, os seus partidos e os coligados.

Os governadores querem aumento da contribuição de 11% para 14% para a Previdência. O senhor é favorável?

Sou favorável. Gradualizado sou favorável.

O que é isso?

Fazer com que essa contribuição possa ser estabelecida dentro de um tempo determinado. Fazer de forma gradual sem ferir, sem machucar o planejamento financeiro e as condições dos servidores. É necessário. Até para preservar as condições dos servidores receberem seu salário em dia. E tendo suas vantagens pagas em dia.

Qual é o grupo de governadores que fará mobilização pela reforma?

Diria que 22 dos 27 governadores vão mobilizar suas bancadas.

O ministro Paulo Guedes disse ao senhor que queria a reforma aprovada até abril. O prazo é para o primeiro turno na Câmara?

É votação no primeiro turno. É possível no primeiro quadrimestre.

Qual é a maior preocupação dos investidores aqui em Davos com o Brasil?

É de ordem econômica. A reforma da Previdência e a manutenção do projeto liberal do Paulo Guedes. Nesse universo de Davos, o Paulo é uma agente garantidor do Brasil.

Por quê?

A comunidade produtiva e de investidores quer uma economia liberal. Quer marco jurídico correto, previsibilidade e estabilidade do ponto de vista econômico. E o Paulo Guedes oferece isso. Ele fala o que investidores têm como manual para a liberação de investimentos, principalmente os que vão apostar na desestatização e nos grandes investimentos de infraestrutura.

O que se vê, volta e meia, é divergência no governo em torno da estratégia de reformas. Isso não é um problema?

Vai prevalecer o bom senso e a posição do Paulo Guedes. Eu vejo o presidente muito solidário ao Paulo Guedes. O tema básico da reunião de governadores no dia 26 de fevereiro é reforma da Previdência. O secretário Rogério Marinho (Secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia) vai apresentar a proposta aos governadores.

O senhor acha que foi vendida uma imagem melhor das finanças de São Paulo?

Eu não posso afirmar isso. Eu pedi ao secretário (de Fazenda, Henrique) Meirelles que até o começo de março finalizasse esse 'scanning' das finanças do estado para não cometermos nenhuma injustiça e nenhuma ilusão. Nem a ilusão de que está tudo bem e nem injustiça de fazer uma acusação. Vamos esperar até o começo de março.

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