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Governo critica Petrobras e tira o foco de sua responsabilidade pela estatal, diz especialista

Jair Bolsonaro - Gabriela Biló/Folhapress
Jair Bolsonaro Imagem: Gabriela Biló/Folhapress

Giordanna Neves

Em São Paulo

17/06/2022 20h17Atualizada em 17/06/2022 20h36

As críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus aliados à Petrobras e as tentativas de responsabilizar a estatal pela alta nos preços dos combustíveis são estratégias para tirar o foco da responsabilidade do governo sobre a empresa. A avaliação é do cientista político e professor da Universidade Mackenzie Roberto Gondo ao Broadcast Político. A União é a acionista majoritária da Petrobras e a diretoria é indicada pelo Executivo.

"Bolsonaro e seus aliados criam narrativa para mostrar como são bonzinhos. Quem não quer baixar o preço são os outros. Colocam a estatal como vilã do processo. Isso pode tentar tirar a responsabilidade do governo sobre a empresa para ver se ele consegue reverter o voto através de um olhar populista", disse Gondo.

Nesta manhã, a Petrobras anunciou que o preço da gasolina será reajustado amanhã em 5,2%, passando a custar R$ 4,06. Já o litro do diesel subirá 14,2%, para R$ 5,61. O entorno de Bolsonaro teme os impactos do salto dos combustíveis nos planos de reeleição do presidente.

Segundo o especialista, além de ser um desafio para Bolsonaro, o foco na estatal durante as eleições poderá trazer preocupações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Bolsonaro se coloca a favor do povo e contra a Petrobras. Mas tudo isso pode ter começado pela corrupção estabelecida pelo PT. Na profundidade econômica não tem lógica, mas é o debate que vai acabar preponderando", explicou.

"De um lado, olha como ele Bolsonaro cuida do povo, e do outro Lula é teto de vidro", continuou Gondo, em referência às denúncias de corrupção contra o PT e as intervenções na estatal durante as gestões petistas.

Questionado sobre a eficácia do discurso do presidente para atrair eleitores para além da sua base, Gondo reforçou que, a princípio, a narrativa alimenta os 30% de eleitores fiéis. "Mas, se ele fizesse uma política populista que baixasse efetivamente os preços, ele iria inflamar a ponta. Aquelas pessoas que enxergam no bolso que o preço do combustível foi reduzido e que poderiam associar a queda ao Bolsonaro", ponderou.