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Petroleira de Eike desiste de nove blocos que arrematou sozinha em maio

Do UOL, em São Paulo

27/08/2013 10h03Atualizada em 27/08/2013 12h03

A OGX (OGXP3), de Eike Batista, desistiu de nove blocos de exploração de petróleo que arrematou sozinha em maio, na 11ª rodada de leilões da ANP (Agência Nacional do Petróleo). A decisão foi informada nesta terça-feira (27), em comunicado ao mercado.

"A diretoria executiva concluiu não ser recomendável, no momento atual, assumir risco exploratório de novas áreas", afirma na nota.

As empresas que participaram do leilão deveriam depositar neste mês o bônus pago pelos blocos arrematados. Isso significa que a OGX teria que dispor de mais de R$ 370 milhões para pagar as áreas que arrematou.

Com a desistência, a petroleira de Eike deverá pagar R$ 3,42 milhões às autoridades federais.

As empresas do bilionário enfrentam uma séria crise de confiança no mercado e grandes perdas na Bolsa de Valores. A OGX passa por um momento de alto endividamento, problemas na produção e escassez de recursos para investimentos.

Blocos que serão devolvidos

A OGX informou que não vai realizar o pagamento e assinatura referente aos blocos BAR-M-213, BAR-M-251, BAR-M-389, CE-M-663, FZA-M-184, PN-T-113, PN-T-114, PN-T-153 e PN-T-168, os quais havia arrematado sozinha no leilão de maio.

A lista de devoluções inclui quatro blocos na Bacia do Parnaíba (com sigla PN), com participações negociadas com a MPX (MPXE3) em maio. Naquela ocasião, a petroleira acertou a venda de fatia de 50% para a empresa de geração de energia nos blocos. 

A OGX informou, por meio da assessoria de imprensa, que o acordo com a MPX era condicionado à assinatura do contrato de concessão e que, portanto, o negócio está desfeito.

A empresa informou também que vai manter os pagamentos e a assinatura dos contratos de um bloco que arrematou sozinha (POT-M-475 OGX) e dos três blocos que arrematou em consórcios. Os blocos POT-M-762 e CE-M-603 têm participação da ExxonMobil e o CE-M-661 tem participação da Total e da Queiroz Galvão.

Leilões de blocos de petróleo

Em maio, a ANP retomou os leilões de áreas de exploração de petróleo e gás no Brasil, após quase cinco anos. A 11ª rodada de leilões atraiu forte interesse de empresas brasileiras e estrangeiras e levantou, com a venda de 140 áreas, o valor recorde de R$ 2,8 bilhões.

Na época, a OGX surpreendeu o mercado, levando 13 blocos sozinha e em parcerias, oferecendo o pagamento de bônus de R$ 370 milhões.

Eike tentou oferecer garantias à ANP, e chegou a consultar a sobre a possibilidade de oferecer como garantia o óleo de Tubarão Martelo para os direitos adquiridos no último leilão. Em julho, a agência confirmou ter aceitado a oferta.

Blocos da OGX

Das áreas arrematadas na 11ª rodada, a OGX tinha 100% de seis blocos, situados nas bacias Potiguar (POT-M-475), Barreirinhas (BAR-M-213, BAR-M-251 e BAR-M-389), do Ceará (CE-M-663) e da Foz do Amazonas (FZA-M-184).

A empresa informou que buscava parceiros para honrar compromissos junto à ANP para esses blocos.

Originalmente, a OGX venceu 10 blocos sozinha. Porém, logo após o leilão a petroleira anunciou acordo com a empresa de energia MPX, que acertou a compra de 50% de quatro blocos na Bacia do Parnaíba.

(Com Reuters)

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