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Padaria fica sem troco e dá coxinha e doce para cliente que levar moedas

Thâmara Kaoru

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Bruno Domingos/Reuters

Faltam moedas para troco no comércio e em atividades do dia a dia --o problema já fez o Metrô de São Paulo perder R$ 6 milhões neste ano, por exemplo. O vilão pode estar mais perto do que você imagina: um terço das moedas emitidas no país (cerca de 7,4 bilhões) está nos bolsos, cofrinhos e gavetas dos brasileiros, segundo a estimativa mais recente, feita pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Quem decidir quebrar o cofrinho ou achar um troco parado em casa pode colocar essas moedas em circulação e, até mesmo, ser recompensado por isso.

Cliente ganha coxinha ou doce de brinde

Getty Images/iStockphoto/ Paul_Brighton
A cada R$ 100 em moedas, cliente ganha coxinha ou doce de 40g

Alguns locais decidiram dar um prêmio aos clientes que levarem suas moedinhas. Um exemplo é a padaria Brasileira, que tem uma unidade no centro da capital paulista e quatro na região metropolitana --uma em São Bernardo do Campo e três em Santo André.

A cada R$ 100 trocados em moedas, o consumidor ganha uma coxinha ou um doce de 40g. Para quem não tem esse valor todo de uma vez, a padaria criou um "cartão de fidelidade". A cada R$ 10 trocados, o cliente ganha um carimbo; quando encher a cartela, pode fazer a troca pelo brinde.

Lojas oferecem bônus para compras

Divulgação

Algumas lojas, farmácias e supermercados têm uma espécie de caixa eletrônico --a máquina CataMoeda, da empresa Prosegur.

O consumidor deposita suas moedas e escolhe: 1 se quer um bônus nas compras daquele estabelecimento; 2) se quer trocar o valor por cédulas ou 3) se prefere doar o valor seja doado a uma instituição beneficente. Ao terminar a contagem, a máquina emite um comprovante com os dados do depósito.

Cada loja define quanto dará de bônus ao cliente que levar moedas --varia de 1% a 10% (entre R$ 1 e R$ 10 para cada R$ 100 em moedas)-- e o prazo para usar esse prêmio (de 1 a 90 dias).

As máquinas estão instaladas em 22 Estados e no Distrito Federal. Os endereços dos estabelecimentos que oferecem esse serviço estão no site www.catamoeda.com.br.

O presidente da empresa Catamoeda, Victor Levy, afirma que o próximo passo é oferecer outros serviços na mesma máquina, como recarga de celular e vale-presentes.

Metrô instala maquininha cata-moedas

Divulgação

O Metrô de São Paulo também adotou as máquinas CataMoeda. A previsão é que fiquem disponíveis até 23 de dezembro, de segunda-feira a sábado, entre 9h e 17h, próximo às bilheterias das estações República, Sé, Corinthians-Itaquera, Palmeiras-Barra Funda, Ana Rosa, São Bento, Vila Prudente e Largo Treze.

Até 31 de outubro, o Metrô afirma que conseguiu arrecadar 469,5 mil moedas, somando um valor de R$ 124 mil.

Bancos nem sempre querem trocar

Getty Images/YinYang
Bancos dizem que trocam moedas por cédulas, mas na prática não é bem assim

Não há uma lei que obrigue os bancos a trocarem moedas por cédulas. As principais instituições financeiras dizem que fazem isso, mas na prática não é bem assim.

O UOL esteve em agências de cinco bancos e só conseguiu trocar as moedas em um deles:

  • no Bradesco e no Banco do Brasil, a informação foi de que esse procedimento não era feito;
  • na Caixa Econômica Federal e no Santander, os atendentes disseram que só era possível se fosse feito um depósito;
  • no Itaú Unibanco, a troca foi feita, mas a orientação foi levar as moedas já separadas por valor.

O que os bancos disseram?

A reportagem entrou em contato com as assessorias de imprensa de cada banco para comentar o resultado.

O Santander afirmou que qualquer pessoa, correntista ou não, pode trocar moedas por cédulas e disse que o ocorrido na agência foi um caso pontual e será avaliado.

A Caixa disse que esse não é o procedimento e "que as orientações quanto ao atendimento foram reforçadas junto à equipe da agência".

O Itaú Unibanco também afirmou que faz a troca, "mediante disponibilidade de recursos na agência bancária no momento do pedido, observando-se os horários de acesso ao cofre".

O Banco do Brasil afirmou que clientes e não clientes são atendidos conforme a disponibilidade de cédulas ou moedas.

O Bradesco não comentou.

Troco é direito

De acordo com o Procon-SP, o comércio é obrigado a ter troco em dinheiro. Se não tiver, deverá corrigir o preço para baixo. Além disso, o Código Civil estabelece que o comerciante é obrigado a receber moedas como pagamento de qualquer produto ou serviço.

Se houver recusa, o cliente pode fazer o Boletim de Ocorrência em uma delegacia de polícia. Outra possibilidade é reclamar no Procon de sua cidade.

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