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Comida, roupa, TV: veja 10 coisas que a crise deixou mais baratas

Marcus Leoni/Folhapress
Imagem: Marcus Leoni/Folhapress

Juliana Elias

Do UOL, em São Paulo

03/10/2018 04h00

Conta de luz, gasolina e gás são alguns itens que tiveram uma alta forte e rápida de preços e que ajudaram a chutar a inflação para cima: o IPCA, índice de preços oficial do país, saiu de 2,95% no ano passado para 4,19% em 12 meses acumulados até agosto.

Nesse meio tempo, a gasolina ficou 18% mais cara, a conta de luz disparou 17% e o botijão de gás, 16%. A má notícia é que todos eles são itens que têm peso muito grande no orçamento dos brasileiros e que são bem difíceis de se substituir.

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Uma boa notícia, porém, é que são exceção. A inflação é calculada a partir da variação de preço de mais de 400 bens e serviços, e muitos desses produtos estão mais baratos hoje do que um ano atrás.

Televisores, ar-condicionado, maquiagem, roupas e até algumas guloseimas, como chocolate e sorvete, estão entre eles. Veja alguns destaques:

1. Televisores: -10,95%

Desconsiderados alimentos, que oscilam muito, os aparelhos de televisão são o item com a maior queda de preço no ano. É normal que produtos eletrônicos tenham preços estáveis ou em queda de um ano para o outro, por causa dos avanços tecnológicos. Mas um desconto de quase 11% não é comum.

Como há ainda muitas pessoas endividadas ou que perderam o emprego, as compras de bens mais caros como os eletroeletrônicos tendem a ser as que mais emperram.

No caso de TVs, a situação piorou por causa da Copa do Mundo, quando uma avalanche de produção extra sai das fábricas.

2. Seguro de carro: -7,1%

O grupo de serviços, ao qual pertencem os seguros, tende a ter as inflações mais altas nos tempos de bonança e, nos de marasmo, as mais baixas.

“Energia ou combustível são coisas das quais não dá muito para fugir, mas os serviços, quando a renda cai, as pessoas usam menos", disse o economista Fábio Romão, analista da LCA Consultores.

Dados de algumas das maiores companhias de seguro apontam quedas de 1% no número total de veículos segurados entre o primeiro semestre de 2017 e o primeiro de 2018.

3. Roupa e acessórios: até -6,3%

A liquidação de inverno de 2018 pode estar melhor que a de 2017: o agasalho feminino, por exemplo, chegou a agosto deste ano custando 6,3% menos que em agosto do ano passado. Está mais barato comprar cueca (-2,39%) e chinelos (-0,51%) também.

Muitos outros artigos não estão em queda, mas tiveram aumentos muito pequenos: bermudas e shorts femininos subiram 0,54%; vestidos aumentaram 0,4% e camisetas masculinas, 0,12%.

Tênis também está mais barato: o desconto em 12 meses é de 0,93%.

4. Beleza: até -5%

Com retração de 5%, os artigos de maquiagem estão entre os produtos com as maiores reduções do ano.

Desodorantes estão, em média, 4,4% mais baratos, e o preço do esmalte também caiu um pouquinho (-0,19%). Produtos para pele, como hidratante, estão com preços praticamente estáveis: subiram 0,2% em um ano.

5. Ar-condicionado e ventilador: -4,5%

O preço médio dos ventiladores está 4,4% menor que um ano atrás e, nos condicionadores de ar, a queda é de 4,6%.

Como os dois são itens que tendem a ter aumentos nos próximos meses conforme a temperatura aumenta, a hora de comprá-los é agora.

Os preços em queda, na verdade, são uma tendência geral dos eletrônicos e eletrodomésticos. “São bens que as pessoas já têm, não compram toda hora e, na crise, postergam a troca”, disse Romão, da LCA.

Aparelho de som (-5,35%), liquidificador (-2,13%), fogão (-1,38%) e computadores (-0,85%) são outros exemplos de eletroeletrônicos em baixa.

6. Óculos: -1,52%

Comprar uma nova armação de óculos está 1,52% mais barato do que no ano passado.

É a mesma queda para os óculos escuros (-1,52%). Lentes de contato, por outro lado, têm alta de 1%.

7. Hotel: -0,49%

O caso mais gritante, e que puxa a média nacional para baixo, é o Rio de Janeiro, onde os preços de estadia em hotéis despencaram 9%.

“Houve um aumento muito grande na oferta de hospedagem no Rio com a Copa [de 2014] e as Olimpíadas [de 2016], e agora há ociosidade”, disse Bruno Fernandes, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio).

Aracaju (-4,42%), Curitiba (-1,9%) e Vitória (-0,8%) são outras capitais onde se hospedar está mais barato. Descolada do resto do país, Brasília teve um aumento de 11,25% nos valores médios das diárias.

Mas hotelaria não necessariamente significa que ficou mais em conta viajar. Chegar de carro ou de ônibus vai encarecer o pacote, já que a gasolina subiu 18%, e as passagens interestaduais, 5%.

As passagens aéreas, comparadas com o mesmo período do ano passado, estão em média 0,73% mais caras.

8. Arroz e feijão: até -38%

Mais ligados a condições de clima e safra, os alimentos têm variações de preços muito fortes e instáveis.

Alguns, como o leite (+29,01%) e a farinha de trigo (+13,07%) estão bem mais caros. A grande parte, porém, está ou em queda ou com altas muito pequenas, graças a um clima favorável que já há dois anos rende colheitas fartas ao país.

É o caso da base das refeições do brasileiro: arroz e feijão. Em um ano, o feijão preto está 16,26% mais barato, o feijão carioca caiu 30,36%, e o mulatinho, 38,14%.

O arroz teve leve alta de 0,27%, mas ainda segue mais barato que em 2016, graças às fortes quedas do ano passado: em dois anos até agosto, a redução no preço do quilo do arroz é de 6,88%.

9. Doces: até -15,1%

O açúcar é um dos vários produtos agrícolas vendidos em larga escala no mercado mundial e cotado em bolsas internacionais. Por um encontro de supersafras em vários grandes exportadores como Índia, Tailândia e Brasil, está sobrando açúcar no mundo, e o preço da saca está despencando a seus menores níveis em anos.

Aqui, o resultado é o quilo do açúcar, no supermercado, em média 15,1% mais barato que um ano atrás. Como consequência, outros doces caíram junto, como os chocolates (-2,77%) e os sorvetes (-5,73%).

10. Telefonia fixa: -2,12%

As tarifas de telefonia fixa caíram, em média, 2,12% entre agosto de 2017 e de 2018, e até usar orelhão está mais barato, com redução de 0,35% no período.

“É um serviço que está acabando aos poucos; hoje já falamos de graça pela internet ou por aplicativos”, disse Fernandes, da CNC.

Comprar o aparelho também está mais em conta: a queda é de 5,16% em um ano, considerando uma média de aparelhos fixos e também de celulares.

Hora de comprar?

A redução de preços, por um lado, é sintoma de uma economia que custa a crescer. "O desemprego subiu muito nos últimos anos, o crescimento da economia ainda é modesto, e isso deixa pouco espaço para aumento de preços”, disse Romão, da LCA Consultores. 

Por outro lado, geraram boas pechinchas no mercado. “Para a pessoa que está com um conforto financeiro, é certamente um bom momento de ir às compras”, disse Fernandes, da CNC.

“Mas há ainda muitas famílias endividadas ou com a renda curta, e, nesses casos, por mais baixos que estejam os preços, ainda vale a cautela”, afirmou.

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