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Preço do botijão de gás varia até R$ 30 entre estados; veja os mais caros

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/05/2019 04h00

O preço do gás de cozinha (GLP) variou mais de R$ 30 entre um estado e outro neste mês. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Mato Grosso tem de longe a média de valor mais alta.

O preço médio do botijão no MT está em R$ 97,27 em maio, enquanto a média nacional está em R$ 69,23, o que dá R$ 28 a mais. A diferença é ainda maior na comparação com o estado mais barato, a Bahia (R$ 62,93 em média, R$ 34 a menos).

Esses valores são apenas média, mas podem chegar a muito mais. A ANP pesquisou 294 pontos de venda no Mato Grosso, e o maior valor encontrado foi de R$ 115 por botijão. Este também é o preço máximo achado entre os 14.354 postos pesquisados no país até o dia 24 deste mês.

De acordo com representantes da indústria, o principal encarecedor do GLP é a logística. Como a grande maioria do gás no país é transportada por rodovias, quanto mais longe das refinarias e maior o estado, mais caro o botijão será.

Mato Grosso, Tocantins e Roraima são os mais caros

De acordo com os dados da ANP, apenas três estados superam muito a média nacional (quando o preço médio ultrapassa R$ 80). São eles:

  • Mato Grosso: Preço médio: R$ 97,27 / Preço máximo: R$ 115
  • Roraima: Preço médio: R$ 84,12 / Preço máximo: R$ 85
  • Tocantins: Preço médio: R$ 81,94 / Preço máximo: R$ 93

Na outra ponta, a agência destaca três estados com valores significativamente inferiores à média nacional (quando o preço médio é menor a R$ 65). São eles:

  • Bahia: Preço médio: R$ 62,93 / Preço máximo: R$ 85
  • Espírito Santo: Preço médio: R$ 64,32 / Preço máximo: R$ 75
  • Alagoas: Preço médio: R$ 64,81 / Preço máximo: R$ 73,80

Os outros 20 estados e o Distrito Federal mantêm uma média de preço do botijão próxima à nacional.

A questão está na logística

O principal ponto da diferença de preço entre os estados se dá pela localização de cada um e seus respectivos tamanhos e índices populacionais.

Segundo Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás (Sindicato Nacional das Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), o modo de transporte rodoviário impede que os valores sejam tão nivelados.

Ele destaca quatro motivos para a desigualdade de preços:

- Distância das refinarias

Estados que produzem ou próximos a produtores são mais baratos. "A Bahia, estado com menor preço, é produtora de gás. Eles têm a refinaria em Madre de Deus, que exporta GLP", disse Bandeira de Mello.

- Tamanho do estado

A distância percorrida dentro do estado também é relevante. "Esses três estados com maior preço têm dimensões continentais. Como usamos transporte rodoviário, o custo para rodar dentro deles é muito superior a outros."

- Densidade demográfica

Além do tamanho, ele aponta a quantidade de consumidores: quanto mais o caminhão tiver de rodar para finalizar suas vendas, mais caro fica.

"O valor muda quando pego mil botijões e vendo todos em um destino, em relação a quando tenho de rodar dez cidades distantes para acabar com o estoque. São Paulo, por exemplo, é enorme, mas a densidade é grande."

- Impostos

Bandeira de Mello disse entender que cada estado opte por seu encargo tributário, mas afirma que isso afeta diretamente no preço. "Os estados mais caros e alguns outros são estados que têm ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] de 17%, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro têm de 12%. O estado vira praticamente um sócio."

"O que se vende é logística"

O presidente da Sindigás declara que a logística de entrega é também o principal custo do gás no Brasil. Fatores como preços do diesel e da gasolina impactam diretamente no valor do insumo.

"Basicamente quando a gente vende gás, vendemos mais logística do que ele em si. São 35 milhões de botijões por mês: para entregar isso tudo por rodovia é muita coisa", afirmou Bandeira de Mello.

"Por isso, quando se fala em aumento do diesel e da gasolina, impacta diretamente, porque é o frete da estrada e o valor cobrado pelas caminhonetes que fazem entrega na porta das casas", disse o executivo. "Quanto mais tiver que rodar, mas caro fica. É uma questão aritmética, não há perversidade."

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