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Reforma da Previdência


Bolsonaro vai à Câmara horas antes de votação e distribui afago a deputados

10.jul.2019 - Jair Bolsonaro na Câmara, ao lado do deputado pastor Marco Feliciano (Pode-SP) - Evaristo Sá/AFP
10.jul.2019 - Jair Bolsonaro na Câmara, ao lado do deputado pastor Marco Feliciano (Pode-SP) Imagem: Evaristo Sá/AFP

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

10/07/2019 10h04

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) visitou hoje o plenário da Câmara dos Deputados, horas antes do início da votação da reforma da Previdência, e distribuiu afagos ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e a deputados da bancada evangélica.

Bolsonaro voltou a chamar Maia de "nosso general", como fez ontem. O deputado tem sido o principal articulador da reforma no Congresso.

[Maia] É o homem que conduzirá o destino da votação e, obviamente, o destino da nossa nação.
Presidente Jair Bolsonaro (PSL)

Após afirmar que as atenções estarão voltadas para o Senado no segundo semestre, o presidente fez um afago no presidente da Casa, dizendo que Alcolumbre tem "o coração maior do que o peito". A declaração indica que Bolsonaro pode tentar amenizar o tom das negociações na próxima fase de tramitação da reforma.

O andamento da proposta na Câmara foi marcado por atritos entre o presidente e Maia. O deputado chegou a dizer que a aprovação da proposta será uma vitória do Parlamento, e não do governo.

Bancada evangélica

Nesta manhã Bolsonaro também buscou afagar o Congresso e se dissociar dos atritos recentes. Ele abandonou o discurso de ataque à "velha política" e ao "toma lá, dá cá", comum em seu repertório de críticas ao Parlamento, para usar expressões como "presidente de todos".

Não tem situação e não tem oposição.
Jair Bolsonaro

O chefe do Executivo esteve na Câmara hoje para dois eventos evangélicos, um culto e uma homenagem à Igreja Universal do Reino de Deus. Ele foi recebido pelo deputado Marco Feliciano (Pode-SP) e outros da frente evangélica. No culto, afirmou que indicará nos próximos anos um ministro "terrivelmente evangélico" para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Com a presença nos eventos e a promessa de uma vaga no STF, Bolsonaro busca se aproximar ainda mais da bancada evangélica no Congresso, que ensaiou uma oposição a alguns pontos da reforma da Previdência.

Ontem, deputadas evangélicas mostraram resistência às mudanças nas regras para a concessão de pensões, que devem diminuir o valor dos benefícios.

Bolsonaro e o deputado Marcos Pereira (PRB-SP), bispo da Igreja Universal - Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Bolsonaro e o deputado Marcos Pereira (PRB-SP), bispo da Igreja Universal
Imagem: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Reunião com Maia

Ao deixar o culto na Câmara, Bolsonaro disse que pretende se encontrar com Maia ainda hoje para conversar sobre a reforma. A ideia era que isso ocorresse no plenário da Casa, durante a sessão em homenagem à Universal, mas o deputado não compareceu.

O presidente disse que Maia pediu desculpas e se justificou dizendo que a sessão que marcou o início da análise da reforma, ontem, durou até tarde. A fase de debates e tentativas regimentais de obstrução terminou quase 1h da madrugada desta quarta.

Questionado sobre a expectativa em relação à votação, Bolsonaro respondeu que espera vitória, mas preferiu não projetar a quantidade de votos que a proposta deve ter no plenário. "Eu sonharia com 513 votos, mas não cravaria nada", disse.

O presidente afirmou que a sessão de votação na Câmara deve ir até a madrugada "para terminar o primeiro turno ainda hoje".

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