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Família Odebrecht fica fora de lista de bilionários pela 1ª vez em 8 anos

Do UOL, em São Paulo

28/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Família Odebrecht não tem nenhum representante na lista de bilionários brasileiros da Forbes em 2019
  • É a 1ª vez que a família fica de fora desde 2012, quando saiu a primeira edição do ranking
  • Em 2018, a família Odebrecht apareceu na lista com patrimônio estimado em R$ 4,7 bilhões
  • Em junho deste ano, o grupo Odebrecht S.A. entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história brasileira
  • A crise da empresa está diretamente ligada aos escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato envolvendo a empreiteira Odebrecht

Desde quando a revista "Forbes" começou a publicar seu ranking anual de bilionários brasileiros, em 2012, o sobrenome Odebrecht sempre esteve presente. No ano passado, a família que comanda a construtora de mesmo nome apareceu no ranking com um patrimônio estimado em R$ 4,7 bilhões. Neste ano, porém, ficou de fora da seleta lista pela primeira vez.

Fundado em 1944 por Norberto Odebrecht, que faleceu em 2014, o grupo Odebrecht chegou a faturar R$ 132 bilhões e empregar 193 mil pessoas. Os negócios do conglomerado baiano foram afetados pelos esquemas de corrupção revelados pela operação Lava Jato a partir de 2015.

20.abr.2017 -- Família Odebrecht (da esquerda para a direita): Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, Norberto, fundador, e Emilio, ex-presidente do Conselho da Odebrecht S.A. - Acervo Odebrecht
20.abr.2017 -- Família Odebrecht (da esquerda para a direita): Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, Norberto, fundador, e Emilio, ex-presidente do Conselho da Odebrecht S.A.
Imagem: Acervo Odebrecht

Em junho, com quase R$ 100 bilhões em dívidas, a holding Odebrecht S.A. entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história brasileira. Um dos credores, a Caixa Econômica Federal entrou na Justiça para tentar barrar o pedido.

Decadência familiar após a Lava Jato

Herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht foi preso preventivamente em junho de 2015, na 14ª fase da Lava Jato. Em março de 2016, o executivo foi condenado pelo então juiz Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão, pelo pagamento de propina a funcionários da Petrobras em troca de favorecimento em contratos com a estatal.

Marcelo passou para a prisão domiciliar em dezembro de 2017 e conseguiu liberdade em 12 de setembro de 2019.

Delação premiada

Em dezembro de 2016, 77 executivos do grupo assinaram um acordo de cooperação com a Justiça, que ficou conhecido como "a delação do fim do mundo", por implicar dezenas de políticos em esquemas de corrupção. Um levantamento do UOL aponta que a delação resultou em 89 inquéritos criminais.

Filho do fundador Norberto e presidente do conselho de administração do conglomerado até 2018, o patriarca Emílio Odebrecht, 74, assinou um acordo com a Justiça Federal que prevê um afastamento total dos negócios do grupo e pena de prisão domiciliar de quatro anos, que ele só deve começar a cumprir a partir de dezembro deste ano.

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