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Crédito dado por fintechs deve crescer 47% e chegar a R$ 2,5 bi em 2020

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

30/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Maior participação das fintechs no mercado está democratizando acesso dos brasileiros ao crédito
  • Operações de crédito por fintechs deve checar a R$ 1,7 bilhão neste ano
  • Número total de fintechs deve crescer para mais de 750 empresas até fim do próximo ano

A participação das fintechs, as novas empresas financeiras digitais, está crescendo no mercado de crédito do país e ajudando a levar alternativas de financiamento a mais consumidores, profissionais autônomos e micro e pequenos empresários.

Segundo levantamentos do setor, o número de fintechs chegou a 697 este ano, crescimento de 27% em relação a 2017 e deve superar as 750 empresas até o fim de 2020, se valer a expectativa do Banco Central. O volume total de créditos já concedidos pelo segmento deve bater R$ 1,7 bilhão este ano — uma alta de 47% sobre 2018 — projeta o setor.

Esse ritmo consolida uma tendência. Em 2016, havia menos de 500 fintechs que concederam R$ 161 milhões em crédito. Esse número cresceu para 521 empresas em 2017, que elevaram o total de financiamento a R$ 804 milhões. No ano passado, foram R$ 1,2 bilhão em crédito.

"Vamos manter o ritmo de crescimento que tivemos em 2018", afirmou o principal responsável pela área de crédito da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintech), Fábio Neufeld, entidade que representa mais de 300 fintechs. Assim, mantendo o ritmo, em 2020 o setor pode elevar o crédito ofertado a R$ 2,5 bilhões.

BC prevê mais 60 fintechs

Essa expectativa é reforçada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo ele, pelo menos 60 novas fintechs terão sinal verde para começar a operar até o fim do ano.

Para o Banco Central, essas novas empresas digitais estão democratizando o crédito, levando alternativas de financiamento e produtos bancários a brasileiros — pessoas físicas, autônomos e micro empresários — pouco atendidos pelo sistema financeiro.

De acordo com o estudo Fintech Mining Report 2019, o público atendido pelas fintechs de crédito atualmente está concentrado nas camadas de renda mais baixa. Ao todo, 79% dos clientes estão concentrados nas faixas C, D e E.

Entre as fintechs que atendem pessoas jurídicas, 72% dos clientes correspondem a empresários individuais, microempresas e empresas de pequeno porte (com até 49 empregados).

Isso acontece, dizem os profissionais do mercado de crédito, porque as fintechs estão conseguindo oferecer serviços a uma fatia da população sem acesso a serviços bancários. Segundo o estudo Brazil Digital Report, da consultoria McKinsey, 25% da população economicamente ativa no país não têm conta bancária.

Tecnologia ajuda a ampliar crédito

"A tecnologia diminui as barreiras de entrada [de novas empresas no mercado] porque não tem os custos das agências", afirmou o diretor de organização do sistema financeiro e de resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, em um evento do setor de crédito em São Paulo.

Mesmo na parcela de pessoas e empresas que têm conta em banco, as fintechs estão apresentando soluções para quem sofre para acessar crédito. Caso de micro empresários fornecedores de grandes indústrias, que não conseguem crédito antecipando recebíveis por causa da burocracia, disse o associado da ABFintech e sócio da Antecipa Facil, Elber Laranja.

Open banking

O Banco Central prevê que a participação das fintechs no crédito — que ainda é baixa se levado em conta um mercado de crédito no país que supera os R$ 3,3 trilhões — vai ser estimulada com a implementação de iniciativas, como o Open Banking, que começa a ser implementado em 2020.

O Open Banking é um conjunto de regras para organizar o compartilhamento de dados e serviços do sistema financeiro por meio de abertura e integração das informações.

O projeto, que começa a ser implementado no começo do ano que vem, vai permitir que mais instituições financeiras e empresas autorizadas a funcionar pelo BC possam oferecer novos produtos bancários.

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